localização atual: Novela Mágica Fantasia A Noiva do Dragão Tirano: Marcada pelo Fogo Capítulo 22: A Armadilha Perfeita

《A Noiva do Dragão Tirano: Marcada pelo Fogo》Capítulo 22: A Armadilha Perfeita

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Capítulo 22: A Armadilha Perfeita

O ar no Pico Draconiano tornara-se irrespirável desde que o mensageiro trouxera as notícias da fronteira. A urgência da guerra consumira os corredores, mas, enquanto Kaelen se preparava para o combate, nas sombras do palácio, uma trama silenciosa e letal se fechava ao redor de Lyra.

Lyra estava em seus aposentos, tentando processar as descobertas que fizera na sala de estratégia. As armas modificadas que vira não saíam de sua mente; elas não eram apenas ferramentas de destruição, eram insultos à própria magia que mantinha o reino vivo. Ela estava distraída, organizando algumas anotações sobre os padrões rúnicos que observara, quando o silêncio de seu quarto foi interrompido por batidas secas e autoritárias na porta.

Antes que ela pudesse responder, a porta foi escancarada. A General Lyana entrou, acompanhada por dois guardas da guarda real, cujas faces estavam rígidas e destituídas de qualquer compaixão.

— Lyra de Solaria — a voz de Lyana era como gelo, cortante e definitiva. — Você está sob custódia por ordem direta do Alto Comando de Defesa.

Lyra levantou-se abruptamente, o coração disparado contra as costelas.

— Custódia? Do que você está falando, Lyana? Eu ajudei Kaelen a identificar a ameaça daquelas armas!

Lyana deu um sorriso cruel, um gesto que não alcançava seus olhos. Ela gesticulou para um dos guardas, que começou a revistar impiedosamente o quarto de Lyra, jogando seus pertences pessoais no chão de pedra fria. Livros, anotações, pequenos frascos de ervas — tudo foi descartado como se fosse lixo.

— Ajudou? — Lyana zombou, caminhando até a mesa de Lyra e pegando um pedaço de pergaminho que Lyra usara para copiar os símbolos das armas modificadas. — Isso aqui não é uma análise. É um relatório de inteligência. Coordenadas, fraquezas estruturais da nossa defesa, planos de ataque. Você não estava curando o Rei, Lyra. Você estava nos espionando desde o momento em que colocou os pés aqui.

— Isso é mentira! — Lyra exclamou, sentindo o pânico subir pela garganta. Ela tentou avançar, mas os guardas a interceptaram com uma rapidez brutal. — Esses símbolos... eu os copiei para entender como destruir as armas! Vocês não podem acreditar nisso!

— Oh, nós acreditamos em provas — Lyana respondeu, sua voz baixando para um sussurro perigoso enquanto ela se aproximava de Lyra. — E as evidências foram encontradas exatamente onde um espião as esconderia: no seu quarto. Kaelen pode ter se deixado levar por uma fraqueza momentânea, um delírio de humanidade que não podemos nos permitir no meio de uma guerra. Mas eu? Eu não confio em humanos. Nunca confiei.

Os guardas avançaram, forçando Lyra a se ajoelhar. Ela lutou, seus dedos arranhando o chão de pedra, tentando alcançar a mão de Lyana para mostrar a verdade em seus olhos, mas foi inútil. O metal das algemas de ferro forjado foi batido com força ao redor de seus pulsos, o frio do material queimando sua pele como brasas. A sensação de impotência era esmagadora. Lyra percebeu, com um horror gelado, que não era apenas uma desconfiança da General; era uma armadilha meticulosamente planejada.

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— Por que está fazendo isso? — Lyra perguntou, sua voz falhando. — Kaelen vai saber que isso é uma farsa.

Lyana inclinou-se, seu rosto a centímetros do de Lyra.

— Kaelen está ocupado demais salvando um reino que está queimando por causa de pessoas como você. Quando ele voltar, se voltar, você já terá cumprido o seu papel: o de bode expiatório. A traição de uma humana de Solaria é exatamente o que a corte precisa para se unir contra o invasor. Você nos deu a causa perfeita, Lyra. Obrigado por isso.

Lyana fez um gesto, e os guardas arrastaram Lyra em direção à porta. Enquanto era conduzida pelos corredores que um dia foram o lugar onde ela tentou encontrar paz, Lyra olhou para trás, para o quarto que fora seu único refúgio seguro. Tudo o que ela construíra, toda a confiança que tentara conquistar, desmoronara em questão de minutos.

O caminho até as masmorras subterrâneas era escuro, úmido e fedia a desespero. Cada passo era uma lembrança de que, no jogo de poder do Pico Draconiano, a verdade era uma moeda sem valor. Ela fora levada para a escuridão absoluta, onde o silêncio era a única coisa que poderia ouvi-la.

Lyana parou diante de uma cela isolada, os portões de ferro rangendo ao abrir. Ela empurrou Lyra para dentro com uma força que a fez cair contra a parede fria.

— Aproveite o seu tempo aqui, humana. É o lugar mais seguro que você terá até que o seu povo receba a notícia da sua execução — Lyana disse, antes de bater o portão. O estrondo do metal reverberou pelas galerias subterrâneas.

Sozinha na escuridão, Lyra finalmente permitiu que suas lágrimas caíssem. Ela estava algemada, presa e acusada de uma traição que ela nunca cometeria. Ela pensou em Kaelen, no campo de flores de fogo, e na promessa que ele fizera de que, no céu, eles eram livres. Mas lá embaixo, na terra, a realidade era feita de algemas de ferro e de mentiras que prendiam muito mais do que apenas os pulsos. Ela sabia que, se quisesse sobreviver e provar sua inocência, teria que recorrer a algo mais do que sua inteligência; ela teria que recorrer à força que Kaelen tentara esconder — a força de sua própria determinação, agora forjada na dor da traição. O silêncio da cela era a prova de que a guerra não estava acontecendo apenas na fronteira; ela estava acontecendo ali mesmo, no coração do palácio, e ela seria o primeiro sacrifício daquele novo e cruel capítulo.

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