Capítulo 20
Quando Louis entrou, não reconheceu mais o quarto. Estava pintado e decorado com temas infantis, com quatro berços dispostos em lados diferentes. O guarda-roupa estava aberto, expondo roupas, produtos de higiene, loções e tudo o que um bebê precisaria. Ele sabia por que sua mãe o trouxera ali: para testemunhar o que ela preparara para seus netos e como tudo fora destruído. Leah observava as costas do filho com um olhar frio, desejando que ele sentisse o peso da felicidade de que se privara ao arruinar a vida de uma mulher inocente. Pamela provavelmente estava morta; não havia outra explicação para ela não ter procurado Leah.
Ainda em pé, Leah viu Louis limpar os olhos. Ele chorava, sentindo finalmente a dor que ela carregava desde o dia em que descobriu a desumanidade dele. Levou alguns minutos para que Louis reunisse coragem para se virar. "Me desculpe, mãe...", engasgou, incapaz de levantar a cabeça. Louis, um homem que sempre tivera tudo, nunca se sentira tão arrependido em seus vinte e seis anos.
"Não, você não deve se desculpar ainda", repreendeu Leah. Ela pegou o telefone e mostrou o calendário. "Que dia é hoje?"
"23 de agosto", respondeu Louis, com o coração disparado.
Leah segurou seus ombros e empurrou-o. "Garoto estúpido, hoje era o dia em que eu teria sido declarada avó. Hoje, seus bebês teriam nascido e respirado pela primeira vez. Hoje, esta família faria uma festa. Você teria se juntado ao grupo dos pais, e Ellis teria sido o homem mais orgulhoso do mundo. Eu esperei vinte e seis anos para segurar outro bebê de Ellis em meus braços. Os médicos disseram que meu útero era fraco e não poderia carregar outra criança após você. Eu implorei a Ellis por uma nova tentativa, mas ele se recusou a arriscar minha vida. E agora, tudo o que eu precisava era do seu esperma. Encontrei uma mulher pura e humilde que aceitou carregar seu filho, e você nem pôde me oferecer o mínimo?"
Louis, sem aguentar mais, ajoelhou-se aos pés da mãe. "Chega, mãe, eu não aguento mais. Por favor, me perdoe."
"Ainda não terminei", gritou Leah, afastando-se. "Foi meu dinheiro que gastei. Você tirou minha esperança e me fez reviver o passado, quando eu chorava na privacidade do meu quarto. Não toquei em um centavo da sua fortuna; pagamos tudo com o nosso dinheiro, na esperança de que você acordasse e fôssemos felizes novamente. Eu sugeri a barriga de aluguel porque não deixaria Ellis morrer sem um herdeiro. Queríamos um filho legítimo para proteger sua reputação. Pamela aceitou sem reclamar. Fizemos algo errado? Ellis e eu só desejamos o seu melhor, e você destruiu nossas esperanças."
Leah desabou em lágrimas. Louis, no chão, sentia cada palavra como uma bomba em sua autodefesa. Seus pais haviam feito tudo por ele, e ele falhara em todos os padrões de filho, marido e futuro pai. Louis era rico, mas, naquele momento, percebeu que não possuía a coisa mais simples: bom senso. Ele suava e soluçava como nunca fizera em toda a sua vida.
Ele se arrastou até a mãe, tentando abraçá-la, mas Leah ergueu a mão, detendo-o. "Me perdoe, mãe. Por favor, me perdoe", repetia ele, desolado.
Enquanto Louis soluçava em Oak Land City, Pamela Grayson acabara de receber alta do hospital.