Capítulo 17
Uma hora depois, Pamela foi levada para fora do quarto. Louis Hayden ainda esperava para ter certeza de que o procedimento fora concluído. Ao ver Pamela sair, sentiu uma estranha simpatia; ela certamente passara por algo traumático com a inseminação e, agora, experimentava a dor da remoção do que crescia em seu ventre. Tudo por culpa de sua insinceridade. Ela não deveria ter mentido sobre a gravidez e a falha da inseminação. Como estavam oficialmente divorciados, ele pensou em maneiras de compensar os inconvenientes que causara.
Pamela recebeu alta e pôde ir para casa. "Você precisa tirar um tempo do trabalho e descansar. Isso é o que você precisa agora para se recuperar bem. Além disso, não se esqueça de tomar seus remédios", aconselhou o médico, entregando uma receita.
Pamela assentiu e saiu sem dizer nada, caminhando lentamente com o coração pesado. Louis pagou a conta e saiu, esperando encontrar Pamela no carro, mas ela não estava lá. O motorista informou que ela seguia a pé pelo portão. Louis ordenou que o carro a alcançasse. Ao vê-la caminhando, Louis desceu e perguntou: "Por que você não entrou no carro? Você não deveria estar se estressando agora."
Ele segurou seu pulso, mas ela puxou a mão com firmeza. "Como você tem a consciência de mostrar seu rosto desumano diante de mim? Hoje perdi a fé na paternidade. Percebi que ela não é destinada a todo homem. Você teve a chance de viver novamente, foi amado enquanto esteve inconsciente, mas, ao acordar, seu coração bestial ofuscou seu raciocínio. Desejo que você conheça o amor e nunca o alcance. Vou revidar, Louis Hayden. Vou esperar até estar forte. Nunca esquecerei e nunca te perdoarei. Não se esqueça: um dia, você verá o que deveria ter sido seu e não terá direito a isso." Os olhos de Pamela estavam vermelhos; sua face, ruborizada.
Pela primeira vez, Louis sentiu as palavras perfurando-o. Ele desviou o olhar, incapaz de encarar a dor e a traição que via nos olhos dela. Ele sabia que não tinha o direito de forçá-la ao aborto.
Pamela continuou andando. Louis recuperou a compostura e insistiu: "Vou levá-la para casa primeiro. Depois disso, você poderá tomar qualquer decisão e eu a apoiarei."
Pamela pausou e fechou os olhos. "Levá-la para casa? Ainda tenho uma casa com você depois de assinar aqueles papéis? Minha vida se entrelaçou com muitas pessoas, mas não vi nenhuma tão demoníaca quanto você. Siga seu caminho e lembre-se: nunca nos conhecemos."
Louis não a impediu novamente. Retornou ao carro e partiu. A partir daquele momento, ele soube que o relógio de sua vida começara a contar.
...QUANDO O RELÓGIO MARCA...
A HISTÓRIA ACABA DE COMEÇAR!!!
Na manhã seguinte, Louis saiu da cama exausto. Não conseguira dormir; as palavras de Pamela ecoavam em sua mente. O celular dela estava desligado, e o Sr. Greg, seu tio, confirmara que ela não estava na Mansão Hayden. Onde ela estaria? Ele precisava encontrá-la para aliviar a memória atormentadora. Após o café da manhã, ele garantiria que seus homens a localizassem. Ao descer, surpreendeu-se ao encontrar seus pais.
"Como você está, filho?", perguntou Ellis.
"Bom ver você, pai", respondeu Louis.
"Como você está, Louis?", perguntou Leah, olhando ansiosamente ao redor. Ela procurava por Pamela e começou a ficar inquieta ao não vê-la.
Louis deu um abraço na mãe, sentindo-se desconfortável. Será que Pamela os chamara e relatara o incidente? "Onde está Pamela?", Leah perguntou, incapaz de esconder a curiosidade.
As mãos de Louis estavam nos bolsos. A culpa da noite anterior o atingiu com força; sentiu-se assustado. "Primeiro, ela não é mais minha esposa. E, sobre sua pergunta, eu não sei onde ela está", respondeu, desviando o olhar.
Leah ficou chocada. Ele a expulsara? Em menos de 24 horas, tudo mudara. "O que você quer dizer com ela não é mais sua esposa? Você a forçou a se divorciar?", questionou Ellis com a voz rouca.
"Eu precisava terminar o casamento. Sinto muito por não ter buscado consentimento. Ela mentiu para mim, estava por interesse, como previ. Não consigo imaginar que uma mulher bonita como ela concordaria em se casar com um homem que não a ama e estava em coma. Ela quer meu dinheiro e meu nome. Pedi o divórcio e ela concordou", explicou Louis.
Seus pais ficaram sem palavras. Eles queriam trazer Pamela para perto e cuidar dos bebês. "Então, você a mandou embora?", perguntou Leah, internamente grata pela oportunidade de acolhê-la.
"Eu não fiz isso", respondeu Louis, intrigado pelo interesse peculiar de seus pais por Pamela.
"Mas você não fez nada para impedi-la? Deveria ter mostrado cuidado deixando-a permanecer na casa", Ellis questionou. Louis tentou encerrar o assunto: "Eu tentei convencê-la, mas ela recusou. Vamos tomar café."
Leah virou-se bruscamente, encarando o filho. "Hospital? O que você foi fazer lá?" Ela temia o pior: que Louis tivesse descoberto a gravidez.
Louis desviou o olhar. Ele sabia que seus pais ficariam furiosos ao saberem do aborto forçado, uma violação dos direitos dela. "Podemos parar de falar sobre Pamela e encontrar algo mais para conversar?", retrucou, franzindo a testa.