Depois de muito insistirem para Marianna voltar pro Casarão Avillar, as visitas acabam indo embora. Dolores foi a que mais insistiu, mas se deu por vencida depois das inúmeras negações de Marianna. Guilherme tinha deixado todos à vontade, voltou assim que todos saíram.
_Já é quase meia-noite, meu bem. Não quer comer alguma coisa?
Eu sei que você também não sente nosso elo._Marianna é direta._Olho pra você é tudo está tão embaçado. É tudo tão confuso...
_Isso é simples, Marianna. Eu não precisei do ócsio pra me apaixonar por você, já você precisou. A voz de Guilherme é totalmente tristonha._Pagarei por tudo que te fiz através desse rompimento temporário ou não do ócsio. Você não vai me amar mais, não é?
Marianna abaixou a cabeça e suspirou. Era fato que depois que soube do ócsio, ela deixou-se ser levada pelos sentimentos. Não estava claro ainda se o sentimento dela era dependente ou não do elo. Ele a machucou muito, ainda não acreditava como podia amar alguém que engravidou outra no dia do noivado deles. Ou que quase transou com outra no jardim da sua casa no dia que ela o conheceu.
_Não posso te afirmar nada, Guilherme. Talvez a falta desse elo sirva pra provar se tudo que existe entre nós é verdadeiro ou não._Sua voz é sincera. O tempo dirá. Bom, eu precisarei encontrar Sebastian outras vezes. Só ele tem as outras doses, nem sei quantas são. Milan está bem?
_Sim, graças a você._Guilherme levanta da cama e engole rapidamente o nó que se forma em sua garganta._Poderei ir com você a esse encontro? Ou agora vocês vão ser amiguinhos de encontros secretos?
_Assim você me ofende. Não esqueça que ele matou a minha mãe, a minha mãe, Guilherme. Você acha que quero ser amiga de um homem desse? Eu quero destruí-lo, o mais rápido que eu puder. Mas não antes de tomar todas as doses, preciso garantir a saúde do meu filho e também resgatar Mayk e John. O depois não me interessará mais.
Você fala como se eu não importasse pra você._Guilherme ri sem humor._Só o nosso filho, o moleque e o pai dele. Você não entende que eu te amo? Que não dá pra ficar sem você?
O que eu quero agora é que você apenas mande alguém rastrear o cheiro podre do Sebastian cada vez que eu me encontrar com ele. Sei que pode fazer isso. Não atrapalhe em nada, por favor, ou não vou te perdoar.
Guilherme sai do quarto encontrando Bernadete no corredor com uma bandeja de comidas. Era pra Marianna a mando de Madalena.
Guilherme desce pra sala encontrando seu pai sentado bebendo alguma coisa.
_Ela não sente mais o ócsio, pai._Explode indo beber algo forte. O que eu faço? Ela tá me tratando como se eu fosse atrapalhar os planos dela.
E talvez atrapalhe. Você não sabe o que ela planeja, então siga o que ela pede._Dimitri agita a bebida dentro do copo._Guilherme, ela não sente mais o ócsio, mas isso não significa que você é carta fora do baralho na vida dela. Pare de dramatizar, você é muito bom nisso.
_Não é drama._Beberica sua bebida aos poucos._Você não tem noção do que é estar em um relacionamento em que a base é um maldito ócsio. Prefiria que isso não existisse. Valeria muito mais a pena se eu a conquistasse aos poucos.
Seja paciente, aproveite que agora não tem o ócsio e conquiste-a. Para de discutir com tua mulher, moleque. Até amanhã.
Guilherme bebe duas, três garrafas e meia. Acaba adormecendo no sofá. Escuta um barulho de alguém abrindo a porta, mas estava muito cansado pra abrir o olho e verificar. Pegou no sono pesado. Assim que amanheceu, Pedro levantou-se cedo e foi atrás de jabuticaba. Milan pediu muito pra que ele buscasse, desejo de grávida. Ele apenas esperou amanhecer. Quando passou pela sala, viu Guilherme, mas não o acordou.
Marianna abre os olhos com preguiça, a claridade queimava um pouco seus olhos. Relembrou da conversa tensa que teve com Guilherme, ele estava quase convicto que ela não o ama mais. Marianna abanou a cabeça e então resolveu não dizer nada. Ela o amava muito, mas certas coisas precisam ser omitidas para se vê até onde vai. Levantou-se indo diretamente tomar um banho. Estava disposta, corpo sem dores e uma imensa fome. Guilherme entra no quarto escutando Marianna cantando no banheiro. Se joga na cama sentindo o corpo doer devido ao mau jeito que dormiu. Marianna sai do banheiro enrolada em uma toalha.
_Onde você dormiu, Guilherme?_Pergunta sentindo o cheiro de bebida.
_No sofá._Resmunga sonolento. O que foi agora, Marianna? Vai dizer que não posso mais ficar na mesma cama que você?
_Vai até o espelho, Guilherme. Olha pro seu pescoço e me diz se você dormiu no sofá mesmo.
Não entendendo nada, Guilherme levanta meio cambaleante e vai até o espelho. Puxa um pouco da camisa e vê marcas de batom. Arregala os olhos ao passar os dedos em cima e realmente constatar que é batom.
_Eu não saí de casa em nenhum momento._Justifica-se com medo das conclusões da sua mulher.
E as marcas de batom são de quem? Da Milan?_Marianna cruza os braços. Pensei que o rompimento temporário do elo fosse um motivo pra você me mostrar que não precisava de nada disso pra eu me apaixonar por você, Guilherme. Sai do quarto ou vou gritar.
_Marianna, eu não saí de casa em nenhum momento. Eu bebi, confesso, mas foi aqui no Casarão. Ele tenta se aproximar, mas ela recua._Eu não sei como essas marcas vieram parar no meu corpo. Vou da um jeito de usar o ócsio pra te provar que estou falando a verdade.
_Que ócsio, Guilherme?_Marianna empurra Guilherme pra fora do quarto._Me deixa sozinha.
Ela fecha a porta e se encosta na mesma deixando algumas lágrimas caírem.
_Que droga!_Berrou batendo na porta.
Do outro lado Guilherme ouviu a voz exaltada da sua esposa misturada com a embarguez de um choro sendo controlado. Sentou no chão de cabeça baixa cansado de tudo isso. Estava nítido o seu cansaço.