XXX
Aragon chegou no grande casarão escondido por magia onde morava juntamente com Sebastian e outros subordinados. Foi diretamente para a grande sala onde sabia que iria encontrá-lo.
_Suponho que tenha dado tudo certo. A voz de Sebastian é ouvida muito antes de Aragon começar a falar alguma coisa.
_Houve um probleminha, Mestre._Disse colocando as mãos nos bolsos._A pentelha da Marianna seguiu a tonta da Milan. Acabou que eu tive que fazer aquilo que você me autorizou e marquei um encontro entre você e a lobinha grávida.
Sebastian fecha os punhos com força fazendo parte da instalação da casa abalar. Aragon dá dois passos pra trás erguendo as sobrancelhas.
_Não chame ela de pentelha, ouviu?_O tom de voz de Sebastian fez Aragon engolir seco, ele odiava se sentir submisso._Que horas você marcou?
_Ao anoitecer, mestre. A voz do vampiro saí entrecortada._Ela irá, tenho certeza. Você irá pôr em prática seu plano?
_Ainda não._Sebastian sorri pensativo._Adoro torturá-los com meu silêncio. Estão tão no escuro que não vão perceber de onde sairá meus ataques.
Aragon sabia que de alguma forma Sebastian queria Marianna. Era notável uma chama obsessiva no olhar dele ao falar da garota. Aragon viu em Marianna um meio pra ferir Sebastian, mas será que teria coragem para tentar tal coisa?
Coragem nunca foi um ponto forte na personalidade do vampiro, sempre teve o pai protegendo-o. E agora se via servindo ao homem que o matou e deixando o mesmo tomar o seu lugar. Não poderia se sentir bem com essa situação, mas agradecia por Sebastian mantê-lo vivo. Mal sabia ele que quando o plano envolvendo Marianna se cumprisse, o próximo na lista era matar Aragon.
XXX
Já era de tarde, Marianna abria os olhos lentamente. Encarou o teto e em um flashback lembrou do que aconteceu mais cedo. Sentou-se na cama vagarosamente ainda sentindo dor pelo esforço. Observou sua pequena barriga e uma súbita vontade de chorar lhe bateu. Não evitou, deixou as lágrimas caírem de forma que seus soluços se tornaram fortes. Seus ombros chacoalhavam, saber que iria ficar frente a frente com Sebastian lhe trouxe lembranças dolorosas. Lembranças da sua querida mãe, assassinada pelo mesmo. Ela enxuga as lágrimas rapidamente quando a porta é aberta. Érico entra no quarto e praticamente corre até perto da filha.
_Nunca pensei que visitaria tanto essa casa pra te ver, meu anjo._Ele beija a testa da filha._Como você está? E o bebê?
_Eu estou melhor e o bebê também. Só sinto dores._Marianna colocou a mão no ventre e sentiu vontade de chorar de novo._Pai, ninguém procura pelo Sebastian? Ele cometeu um crime, não é procurado por isso?
Érico engoliu seco e se afastou ficando de costas pra Marianna. A morte de Fernanda era um ferida aberta e dolorosa não só no peito de Marianna. Érico odiava falar nisso, ainda não tinha superado. _Ele é mais escorregadio do que pensa._Sua voz saiu um pouco embargada. Ele tosse para que volte ao normal._Não se preocupe, Anna. Uma hora ou outra ele deixará rastros e isso vai ser o maior erro dele.
Marianna pensou na ideia de então dizer ao pai que iria encontrar-se com ele. No momento não fariam nada, mas assim que ele sumisse o rastro da magia dele iria ficar. Uma boa pista para bruxas é rastro de magia e para lobos é o cheiro. Os dois juntos ficaria bem mais fácil de achar o Sebastian.
_Pai..._Marianna chama por Érico na tentativa de falar, mas a porta é aberta novamente e Guilherme aparece._Eu te amo.
_Eu também te amo, minha filha. Vou cuidar de uns assuntos, seu irmão virá lhe ver logo._Érico diz e passa por Guilherme desferindo dois tapas amigáveis em seu ombro._Cuida dela, rapaz. Guilherme assentiu ainda com o olhar sob Marianna. Quando Érico sumiu, Guilherme fechou a porta e passou a chave. Marianna assustou-se com a atitude, juntando as sobrancelhas em estranheza. _Por que trancou a porta? Estamos sendo atacados?_Um pavor tomou conta do seu ser.
_Não, calma._Sua voz era fria._Quero fazer uma coisa e você vai ter que me perdoar por isso.
Guilherme tirou a camisa e a bermuda, jogou as peças pro lado. Transformou-se em lobo e sentou-se no chão do quarto encarando Marianna com aqueles olhos flamejantes. Guilherme solta um rosnado forte, Marianna levanta da cama e caminha em sua direção. Ao chegar muito perto dele, o mesmo cheira todo seu corpo. Guilherme estava constatando se realmente um vampiro chegou perto dela, logo confirmou pelo cheiro diferente.
_Por que eu estou me sentindo obrigada a estar de pé na sua frente? O que você está fazendo?_A voz fraca de Marianna faz Guilherme sentir uma pontada de dó por estar fazendo isso.
Ele estava usando o ócsio ao seu favor. Marianna é bem submissa a ele quando está na sua forma lupina, mas ele quis testar se isso acontecia quando ela estava em sua forma humana. Estranhamente funcionou, Marianna estava emanando energia.
Guilherme aproxima a boca do pescoço de Marianna e com apenas um dente canino, arranha o pescoço dela deixando um filete de sangue escapar. Ele passa a língua e então tem acesso a suas memórias recentes. Marianna chorava de pé na frente do grande lobo, mas Guilherme estava totalmente absorto nas imagens sem som que se formava em sua mente. Ao abrir os olhos, Marianna estava caída. Voltou a sua forma natural, pegou sua mulher nos braços e colocou sobre a cama.
Droga. O que eu fiz?_Bateu no colchão com raiva de si próprio. Eu tive que fazer isso, Marianna. Você não iria me contar...
Mal sabia ele que Marianna não tinha desmaiado por ter chorado ou passado mal, mas por ganhar todas as recordações de Guilherme de presente. Dando ênfase a todas as mulheres que ele dormiu, às brigas com o pai, às farras e bebidas. Com a súbita emoção, desmaiou. Marianna não estava bem, só ela sentia isso.