Marianna estava sentindo muita dor e Milan permanecia desacordada. Não tinha forças pra carregar Milan e também não podia pedir ajuda deixando-a sozinha. O choro de Marianna não cessava, ela estava com medo, assustada. A dor em sua barriga ainda estava forte, sua mente tentava achar uma solução rápida. Encostou Milan em uma árvore e olhou ao redor tentando achar alguém. Não via ninguém, estavam no meio do nada.
Olhando pra dentro de si, Marianna teve uma ideia. Averiguou quanto de força ainda tinha, viu que tinha suficiente para fazer o que lhe passou na cabeça. Engoliu seco, umideceu os lábios e fechou os olhos. Ao abrir a boca, Marianna soltou um uivo alto e sofrido. Não podia se transformar devido a sua gestação, mas arriscou uivar mesmo na forma humana. Ela não sabia se isso era possível, resolveu apostar pra ver e deu certo. Depois de alguns segundos, Marianna sente uma forte dor na cabeça e acaba desmaiando. Tinha gasto suas últimas forças, o desmaio foi um sinal de que algo não estava bem. Guilherme estava no escritório conversando com seu pai e seu irmão quando ouviu o uivo de Marianna. Na hora seus olhos brilharam em tom vermelho e o nome da sua esposa saiu da sua boca. _Marianna._Sussurrou levantando bruscamente._Algo aconteceu com Marianna.
Pedro e Dimitri saíram correndo atrás de Guilherme, que já tinha se transformado e corria seguindo o som do uivo que ouviu. No meio do caminho, Guilherme passou por Gabriel, seu amigo, e rosnou para o mesmo como se ordenasse que ele o seguisse. Gabriel começou a seguir Guilherme, só que na forma humana.
Guilherme cheirava o ar, o cheiro de Marianna tinha enfraquecido. Presumiu que fosse por que perto havia uma cachoeira. Caminhou por mais alguns minutos e ao longe viu duas mulheres caídas ao chão. Nesse momento, Dimitri, Pedro e Gabriel aproximam-se e seguem Guilherme.
Marianna! Milan! Berrou ao ver as duas desacordadas.
Um aperto forte inundou o peito de Guilherme, seus olhos encheram-se de água. Milan estava encostada na árvore, totalmente imóvel. Marianna estava jogada no chão e possuía sangue na cabeça e entre as pernas.
_Eu pego a Milan._Pedro colocou Milan nos braços e saiu andando na frente._Vamos, precisamos levá-las para o casarão.
_Pai, chama a Yuli. Ela saberá cuidar delas melhor do que o médico._Guilherme pediu com Marianna nos braços.
Chamarei os dois então._Dimitri sai correndo.
Gabriel, olhe ao redor do bosque e da cachoeira. Encontre alguma coisa que prove se algum outro ser sobrenatural esteve por aqui. Me encontre no casarão depois. Gabriel assentiu e então se transformou indo cumprir o que lhe foi ordenado. Guilherme caminha atrás de Pedro, totalmente angustiado e com uma forte dor no peito.
_Minha Deusa da lua, não permita que nada aconteça com meus filhos, nem com elas._Sussurrou olhando para Marianna e depois para Milan, que ía nos braços do seu irmão.
Rapidamente chegaram ao casarão, foi um alvoroço só. Pensavam ser um ataque de vampiros, uma emboscada, qualquer coisa. Madalena quase desmaia ao ver as duas desacordadas. Resolveram colocar as duas no quarto de Guilherme, lado a lado na cama do casal. Pedro e Guilherme pareciam que iria abrir um buraco no chão de tão nervosos que estavam.
_Calma, meus filhos. Elas irão ficar bem._Madalena tentava acalmá-los.
_A Marianna está sangrando, mãe. A Marianna não parece bem._Guilherme berra totalmente descontrolado. Se isso foi obra do Sebastian, ele vai me pagar, com muitos juros.
Nesse momento Yuli, doutor Rubens e Dimitri entram no quarto. Por enquanto que o médico pedia para Bernadete trazer água e panos limpos, Yuli acendia quatro velas nos quatros cantos do ambiente. Dimitri, Pedro e Madalena preferiram aguardar do lado de fora do quarto. Rubens com ajuda de Bernadete começou a limpar os ferimentos de Marianna.
_Ela está tendo uma provável hemorragia íntima. Preciso da sua ajuda, Yuli._Rubens chama pela bruxa._Retire o sangue com o pano úmido e analise se é um corte ou se o sangue vem de dentro.
Milan começou a se mexer e então abriu os olhos encarando Guilherme. O mesmo, sem pensar muito, abraçou Milan agradecendo a Deusa da lua por ela ter acordado. Yuli analisava Marianna e Rubens verificava se Milan estava bem.
_Peça pra Edith preparar um chá com essas folhas, vai tirar toda dor que seu corpo esteja sentindo._Rubens entrega um saquinho cheio de folhas para Milan e depois se vira pra Guilherme._Pode tirá-la daqui, o caso da sua esposa parece ser mais sério.
Guilherme assentiu, abriu a porta e colocou Milan nos braços entregando-a para Pedro. O mesmo levou-a para o quarto da jovem, Milan estava bem. Guilherme voltou, fechou a porta e ficou do lado de Marianna. As lágrimas em seus olhos denunciavam sua vontade de chorar.
É interno, Rubens._Yuli afirma. É algo com o bebê.
_Preciso que use sua magia pra saber como está o bebê, Yuli. O que farei no momento são os curativos externos, nada posso saber se não sei o que está acontecendo internamente.
Yuli assente e então pega uma faca que estava dentro da sua bota. Chegou perto de Guilherme e pediu a mão dele. Cortou-a e com o sangue ela começou a melar o ventre de Marianna. Depois colocou suas mãos bem abertas em cima da barriga dela e fechou os olhos falando algumas palavras em idioma desconhecido.
O corpo de Marianna começou a dar leves tremidas e então Yuli abriu os olhos puxando o ar bruscamente. Rubens amparou Yuli que quase caiu desnorteada.
Vi isso quando vi o bebê da Milan lá na minha casa e vi agora de novo, só que com o bebê da Marianna. Mortes, vejo mortes._Os olhos de Yuli estavam inundados de água._A Deusa da lua permitirá mortes, Guilherme. Mortes...
E como está a criança? Não morreu né? Pela Deusa da lua, não me diz que..._Guilherme já chorava entregando seu abalo emocional.
_O bebê está vivo._Yuli se senta na beira da cama._Só não faço ideia das mortes que a Deusa está querendo avisar. Confesso que estou com medo por que eu sou a causadora de uma delas.
Guilherme engoliu seco e se aproximou de Marianna. Rubens fez a garota ingerir uns medicamentos alegando que tudo iria ficar bem. Yuli permaneceu quieta, com os olhos vidrados na parede, absorta em seus pensamentos.