Nesse exato momento Milan aparece na sala com um vestidinho florido marcando sua barriguinha de quase quatro meses. Vinícius virou-se para a garota e encarou sua pequena barriga. Ouviu Marianna bufar e então virou seu olhar para ela.
_Se você quiser a nossa casa está livre pra você ficar lá._Ele alisa o rosto da irmã._Você não é obrigada a se submeter a isso, Anna.
Não se preocupe, no primeiro sinal de desentendimento eu apareço lá._Marianna omite o desentendimento da noite anterior._Agora vai e avisa ao nosso pai que irei visita-lo logo.
_Está certo._Vinícius beija a testa de Marianna e caminha até perto de Guilherme._Você sabe que hoje é um dia importante. Apareça lá na divisa, talvez essa guerra acabe hoje. Seu pai já deve estar lá junto
ao meu.
Guilherme assente e então passa por Milan saindo do casarão. A mesma revirou os olhos com tamanha falta de educação vinda de Vinícius. Milan passou direto indo pra cozinha, estava faminta. Guilherme caminhou até perto da sua mulher, agarrando-a pela cintura e beijando seu pescoço.
_Bom dia, meu bem._Sussurrou perto do seu ouvido._Você está se sentindo bem?
_Sim, bem melhor depois de saber que agora posso andar livremente entre os vilarejos._Virou-se beijando levemente os lábios do marido. Estou preocupada com uma coisa.
_Diga o que é, se eu puder ajudar, ajudarei._Beijou a ponta do nariz dela.
_Eu procurei muito tanto o Mayk como o John. Eu só encontrava pistas que me faziam girar em círculo._Sua face adquiriu uma expressão tristonha._Augusto pedia muito para esquecermos os dois, mas eu não posso. Eu simplesmente não posso esquecer o Mayk.
Guilherme abraçou Marianna sentindo todo seu descontentamento em não encontrar o garoto. Estava nítido sua tristeza em falar sobre isso.
_Agora não podemos fazer muita coisa. Você sabe que a guerra está acontecendo, dependendo do resultado de hoje eu posso colocar pessoas para ir atrás do garoto. Não fique preocupada. Vamos comer alguma coisa.
Guilherme saiu puxando Marianna pela mão até o ambiente onde fazem as refeições. Milan estava sozinha comendo uma enorme coxa de frango com alguns temperos por cima. Marianna ao ver aquilo sentiu seu estômago revirar-se, mas não vomitou. Sentaram-se à mesa e então Bernadete começou servi-los. Marianna optou por comer bastante frutas, Guilherme ficou com massas. _Você ultimamente só come essas coisas, Milan? É desejo?_Marianna perguntou curiosa.
_Por que? Você quer controlar o que eu como agora?_Ríspida, respondeu encarando a garota._Se não fosse desejo eu não estava comendo. Não se preocupe se meus hábitos alimentares são descuidados, preocupe-se com sua gravidez.
Marianna ficou de olhos arregalados não compreendendo a resposta dura que respondeu. Fechou os olhos por alguns segundos pedindo paciência por que isso é uma das coisas principais que a gravidez The tirou.
Você não precisa ser grossa, Milan._Guilherme intervém. Ela só se preocupou com o que você come.
Nesse momento Pedro e Madalena aparecem sentando-se à mesa. Pedro de cara sentiu o clima estranho, Madalena fingiu que não sentiu.
_Bom dia._Madalena pede café._Eu espero ter uma refeição agradável essa manhã.
Milan voltou a comer sua coxa de frango, Marianna beliscou suas frustas e Guilherme bufou alto. Pedro não quis encarar Milan, não entendia por que a atitude dela na noite anterior lhe feriu tanto. A refeição correu silenciosamente, até que em algum momento Milan se via falando sem querer.
O que a senhora acha que vai ser? Menina ou menino?_Perguntou a Madalena.
_Eu gostaria que fosse menino. É sempre bom que o primeiro herdeiro seja menino._Comentou contente. E você, Guilherme? O que acha?
Guilherme engoliu seco vendo de relance Marianna apertar a toalha da mesa. Milan tinha puxado esse assunto pra machucar, ele sabia.
_O importante que venha com saúde._Comentou contido._Que os dois venham com muita saúde.
Eu espero que seja um menino, Milan. A voz de Marianna atraiu todos os olhares para a mesma._ Eu sempre quis uma menina. Bom, eu vou me retirar. Com licença.
Marianna saiu da mesa caminhando até a sala onde sentou no sofá. Logo Pedro aparece sentando ao seu lado.
A sua resposta foi boa, mas sei que não estás muito bem com essa situação toda._Soou amigável.
_E quem estaria, Pedro?_Assumiu envergonhada._Eu sou a esposa, eu sou casada com o Guilherme, eu sou a sua companheira do ócsio e é ela que engravida do primogênito. Sei que isso é consequência das besteiras que ele fez anteriormente, mas é difícil ser forte diante disso. E o pior é que ela está me vendo como uma inimiga.
_A Milan está esquisita, ela não era assim quando trabalhava aqui. Era doce, ingênua, prestativa... Arrisco dizer que ela lembrava muito você._Pedro consegue ganhar o olhar da cunhada._Mas parece que ela está confusa, perdida. Não sei se vai adiantar muito, mas não leve a sério o que ela anda falando. Eu sei que você consegue.
_Já eu não sei...
Nesse momento Milan passa direto saindo do casarão, não falou com ninguém. Pedro encara Marianna e a mesma ergue a sobrancelha.
Você sabe onde ela vai quase todo dia?_Perguntou curiosa.
_Não, não sei.
Guilherme aparece na sala, despede-se da sua mulher e sai juntamente com Pedro. Eles precisavam ir na divisa, estavam torcendo pra que tudo se resolvesse logo. Marianna ficou na sala passando a mão no seu ventre ainda retinho.
_Na gravidez do Guilherme eu nem conseguia dormir direito. Eu ficava o tempo todo imaginando como seria seu rostinho ou de quem puxaria os olhos._Madalena senta ao lado de Marianna._Você vai ser uma mãe excelente, Mari. Não fique com medo ou insegura, todos nós amamos muito você.
De um jeito especial aquelas palavras fizeram Marianna encher seus olhos de lágrimas. Pode parecer infantil, mas ela estava muito insegura por não estar gerando o primogênito. O pior é ter alguém disputando atenção com as pessoas que são da sua família. Sorriu para Madalena agradecendo muito o carinho e a atenção.