Guilherme saiu correndo atrás da sua amada, aquela que ele esperou desesperadamente ansiando pelo seu beijo mais uma vez. Ele prometeu a si mesmo não sentir-se culpado por não levar o dendê pra Milan, ela saberia esperar. Transformado, saiu desviando das árvores louco para vê-la. No tempo que ficaram longe, Guilherme só pôde vê-la duas vezes. E essas vezes foram rápidas, muito rápidas. O coração de Guilherme estava quase saltando do peito, era tamanha a euforia que sentia. Por vezes uivou alto como se quisesse avisar a sua esposa que estava chegando. Ao chegar na divisa, Guilherme foi diretamente para uma casinha um pouco escondida entre as árvores. Sentiu o cheiro enlouquecedor de Marianna, não hesitou em abrir a porta rapidamente.
_Marianna!
Chamou-a na intenção de vê-la vir até ele como das outras vezes, mas reparou que ela não se mexeu. Aproximou-se contemplando sua esposa tremendo muito e bastante suada.
_Meu amor..._Sussurrou pegando no rosto de Marianna e constatando que ela ardia em febre.
Guilherme enrolou Marianna no lençol que forrava a cama e então a colocou em seus braços. Teve medo de transporta-la na forma de lobo, teria que andar. Ele temeu deixar para socorrê-la ao amanhecer, ela estava tremendo muito.
_Guilherme..._Marianna sussurra em puro delírio. Não me deixe...
Guilherme sentiu seu coração partir em mil pedaços ao ouvir o delírio de Marianna. Ela estava sonhando que Guilherme o deixava, coisa que ele jamais iria fazer por vontade própria. Abriu a porta e saiu caminhando com a sua mulher nos braços. Tentou ir o mais rápido que podia, mas sabia que tinha que carregá-la com cuidado. Marianna tinha a pele tão clara que assemelhava-se a uma boneca de porcelana.
Minutos depois, Guilherme ofegava carregando Marianna. Andando, o vilarejo ficava muito distante. Era exaustivo andar tanto, ainda mais carregando alguém. Sua visão ficou um pouco embaçada, acabou encostando em uma árvore. Não estava se alimentando bem, seu corpo começava a demonstrar fraqueza.
_Guilherme! Guilherme! A voz de Augusto fez Guilherme suspirar aliviado.
_Venha logo, me ajude a carrega-la._Ordenou exausto._Eu estou exausto e carrega-la na forma sobrenatural pode ser perigoso.
_Deixe-me ajudá-lo, Guilherme._Sugeriu pegando Marianna dos braços de Guilherme._Você realmente está exausto.
Estou indo logo atrás, vai logo.
Augusto assentiu e então se pôs a andar. Guilherme transforma-se e vai caminhando atrás de Augusto afim de protegê-los de qualquer ataque. Ele sabia que levá-la para o vilarejo era errado, afinal ela foi expulsa. Mas uma outra regra de qualquer vilarejo era nunca negar ajuda a alguém que precise, esse era o caso de Marianna.
Em poucos segundos, Guilherme e Augusto chegaram ao vilarejo Nascente. Vinícius abriu o grande portão tirando Marianna dos braços de Augusto, depois indicou um lugar onde tinha roupas para Guilherme se vestir. Vinícius carregou a irmã até o sofá deitando-a delicadamente, o corpo de Marianna queimava.
Chame um médico, Dolores. Corra!_Vinícius ordena nervoso._Alguém pode dizer o que está acontecendo com a Marianna?
Ela vem passando mal faz uns dias, mas se recusou a ir ao médico._Augusto responde._Suspeito de algo, mas é melhor esperarmos o médico chegar.
Deixe-me ficar perto dela._Guilherme aproxima-se de Marianna._Cadê o Érico?
_O Sr. Érico está chegando. Precisará sair da batalha sem chamar muita atenção. Augusto intervém outra vez._Agora só nos resta esperar.
Os minutos se passaram como se fossem horas, todos na sala estavam impacientes. A porta é aberta com um estrondo, Érico entra correndo até onde vê sua filha. O médico do vilarejo, doutor Hélio, entra logo depois de Érico.
_Veja a minha filha logo, Hélio._Érico dizia extremamente nervoso.
O doutor aproximou-se seriamente de Marianna, pediu que levassem ela para um quarto imediatamente. Depois que Guilherme deitou-a na cama do seu quarto anterior, ela começava a tremer mais forte. Hélio averiguou a condição física da garota com cuidado, ela parecia muito exausta. Depois olhou sua boca, glóbulos oculares, ouvidos, partes do corpo em geral, limitando-se apenas ao que estava exposto. _A Sra. Marianna está parecendo exausta, seu corpo possui algumas marcas de luta._Hélio começa a sua avaliação.
_Augusto, o que você fez com ela?_Vinícius avança em cima de Augusto querendo esmurra-lo, mas é impedido por Érico._Eu vou matar esse desgraçado que não cuidou direito da minha irmã! _Apenas treinamos para melhorar as habilidades de luta dela._Augusto engole seco._Ela insistiu muito.
Depois cuidamos do Augusto, continue, doutor._Guilherme diz ignorando a situação.
Hélio remexe em suas coisas pegando alguns vidros com substâncias. Chacoalha o conteúdo de alguns potes e depois mistura algumas substâncias dentro de um pote moendo suas estruturas. _Ela vem demonstrando algum sintoma? Ela não pode ter caído doente por nada._Hélio continua empenhando em preparar sua mistura.
Vem estado muito enjoada, sonolenta e desejando certas comidas._Augusto explica._Suspeito de algo, doutor Hélio, mas só o senhor poderá confirmar.
_Hum, entendo. Ele passa o pote com as substâncias moídas para Dolores. Coloque isso para ferver, agora.
Guilherme ficou encarando Augusto tentando entender o que ele estava sugerindo. Chacoalhou sua cabeça ao perceber que estava pensando demais. Dolores sai do quarto para ferver o que lhe foi dado, Érico controlava Vinícius que ainda não engoliu essa história de Augusto ensinar Marianna a treinar como uma condenada. Hélio continuou observando Marianna minuciosamente, ele já tinha detectado vários problemas na garota. Mas precisaria do chá para detectar o único que lhe preocupa, o que Augusto sugeriu.
Minutos depois, Dolores entra no quarto segurando uma xícara com o líquido fervente, a tal mistura. Entrega para Hélio e se afasta enxugando as lágrimas que derramava. Já era quase madrugada, um vento frio entrava pela janela fazendo as cortinas balançarem. Hélio pede ajuda a Guilherme para espalhar aquele conteúdo da xícara no corpo da garota.
Coloque dois dedos dentro da xícara e passe-os em cantos expostos. O doutor explica fazendo o que diz._Isso irá eliminar a dúvida que Augusto colocou em minha cabeça.
Os dois começaram a espalhar o líquido amarronzado no corpo de Marianna. Depois de acabarem todo o líquido, Guilherme se afasta.
_Só mais alguns minutos..._Hélio fica encarando as marcas deixada pela mistura na garota.
Aos poucos, a mistura tornou-se avermelhada fazendo os olhos de Hélio arregalarem-se. Um tremor passa pelo corpo de Guilherme fazendo o mesmo abraçar-se.
_Se o líquido ficasse avermelhado no corpo dela, significaria que..._Ele suspira e olha pra Guilherme._Ela está grávida, Guilherme. Sua esposa está gerando um bebê.