Dois meses depois...
O sol estava castigante de maneira que Marianna sentia-se mal ao caminhar, encostou a mão em uma árvore e removeu o suor do rosto. Augusto estava mais na frente, parou ao perceber que não estava sendo seguido. Virou-se e então viu Marianna ofegante e muito pálida.
Você está sentindo alguma coisa?_Ele passa suas mãos no rosto da garota._Nossa, você está muito gelada.
_Só estou esgotada._Admite sentando no chão._Ultimamente não ando muito bem, acho que preciso de um longo descanso. Faz dois meses que estamos procurando o Mayk e o máximo que temos são pistas que não nos levam a nada.
Augusto senta ao lado de Marianna e lhe entrega uma garrafa com água. Encarou o céu que estava bastante azul, suspirou alto e então voltou seu olhar para a jovem ao seu lado.
_Precisamos voltar, Anna. Não podemos mais estar gastando tanto tempo atrás de alguém que provavelmente não quer ser achado.
_Você só está se esquecendo que eu não posso mais voltar, fui expulsa, Augusto. A boca de Marianna saliva ao ver uma jabuticabeira ao longe._Eu estou desejando jabuticabas tanto quanto quero encontra o Mayk.
Sem mais delongas, Augusto foi até o pé e tirou algumas jabuticabas para Marianna. Ultimamente estava sendo assim, ela sempre tinha vontade de comer algo em específico do nada. Augusto estranhava, mas não iria dizer o que suspeitava.
Obrigada, Augusto. Ela agradece dando um sorriso verdadeiro._Esses meses juntos tem servido para provar o que eu já sabia, nossa amizade é uma das coisas mais valiosas que tenho.
_Eu tenho que voltar para o vilarejo._Declarou pesaroso._Sei que você não pode entrar, mas existe uma cabana fora do vilarejo que você pode ficar abrigada. Sou um membro da alcatéia, tenho deveres a cumprir. E seu pai foi claro, ele não me permitiria ficar fora por muito tempo. Talvez por querer saber coisas sobre você em curto tempo.
Marianna encarou o chão tentando controlar as batidas do seu coração, ela ainda sentia uma imensa tristeza ao ouvir algo relacionado ao seu pai. Sabia que um dia quem sabe o perdoaria, mas a ferida ainda está muito aberta em seu peito. Lembrou-se também de Guilherme, seu amado Guilherme. Nesses dois meses se encontraram apenas duas vezes, por poucos minutos. Infelizmente a guerra ainda continua, só que um pouco mais controlada. Já não se tem tantos vampiros a disposição para lutar contra os lobisomens e com a ajuda da bruxa está sendo um pouco mais fácil derrota-los. _Temos que voltar hoje mesmo. Vamos apenas tomar um banho na cachoeira para refrescar esse calor.
Marianna assentiu toda lambuzada, Augusto teve vontade de abraça-la, mas controlou seus impulsos. Sabia que ela era algo inalcançável, seu coração pertencia a um outro homem.
XXX
Era de manhã bem cedo, Guilherme voltava da luta contra os vampiros. A situação estava bem mais controlada de uma forma que revezavam quem iria e quem ficaria. Pedro tomava café juntamente com sua mãe quando Guilherme entrou pelas portas possesso de raiva.
Bom dia, Gui._Madalena corre até o filho._Vá tomar banho e venha comer. Está precisando.
_Não estou com fome._Declarou caindo de joelhos no meio da sala. Esse ato impressiona sua mãe e seu irmão. Eu preciso da Marianna, eu não posso mais viver sem ela. Eu já não aguento essa distância, sinto-me debilitado com isso.
Madalena agachou ficando ao lado do filho, acariciou seus cabelos ignorando o cheiro forte de sangue que emanava do seu corpo. Guilherme fecha os olhos com força desejando profundamente que tudo isso não passasse de um sonho infeliz.
_Acredite que ela entrará por essas portas e isso acontecerá. É só ter fé, meu filho._Madalena o ajuda a levantar._Vá tomar seu banho.
Guilherme assente passando por Pedro e então vai direto para o seu quarto. Encarou a cama vazia e perfeitamente arrumada, seus olhos vagaram de forma pesada sobre o quarto. Foi até o guarda-roupa e então pegou a linda camisola que tinha dado a sua esposa no dia do seu aniversário. Fechou os olhos e deixou-se ser guiado pelos pensamentos que iriam surgindo daquela noite. Ao se dar conta do tempo que estava perdendo torturando-se, pegou sua roupa e foi tomar um banho. Minutos depois estava descendo para tentar comer alguma coisa, seu coração de alguma forma estava muito apertado. Madalena deixou a mesa farta afim de agradar seu filho, ela sabia que os meses sem Marianna o deixou sem apetite e totalmente desmotivado. Por vezes se viu tendo que colocar Brittany pra fora pela ousadia da mesma em procurá-lo. Ela sabia o quanto a mesma era ardilosa, ainda mais estando tão perto de Guilherme sendo nova integrante da alcatéia.
Come, Guilherme._Madalena insisti._Quer que eu peça pra Edith preparar algo?
_Não, não se incomode. O que tem aqui já está bom.
Madalena ficou observando Guilherme comer totalmente absorto em seus pensamentos. Desejou que Marianna encontrasse o garoto o mais rápido que podia. Ouviu alguém bater na porta, Bernatede correu pra abrir. Era Leroy avisando que uma ex-empregada do casarão precisava urgentemente falar com Guilherme, Madalena tremeu ao ouvir que era Milan. Deu ordens para que ela entrasse e então deixou Guilherme sozinho sem que ele percebesse qualquer nervosismo da sua parte. A garota entra no casarão estranhando por estar sendo recebida pela sua antiga patroa, logo sorriu.
O que veio fazer aqui, Milan? Não fomos claras com você?_Madalena não queria ser rude, mas precisava ser para que a conversa não se prolongasse muito.
_Bom dia, Sra. Madalena._Disse educada._Eu queria mesmo era falar com o Guilherme, ele é o mais interessado nisso tudo.
Do que você está falando?
_Do fato de que eu estou grávida dele._Milan coloca a mão direita em seu ventre._Vamos ter um filho e eu não vou assumi-lo sozinha.
Madalena começa a tossir como se acabasse de engolir algo muito grande, levou suas duas mãos ao pescoço na tentativa de buscar ar. _Você está bem, mãe?_Guilherme entra na sala correndo e estanca ao ver Milan. O que você está fazendo aqui?
Socorre sua mãe primeiro que sobre o nosso bebê falamos depois.
Milan caminha até o sofá, senta-se cruzando as pernas e encara a expressão atônita que se formou no rosto de Guilherme.