Érico não estava acreditando que Marianna teimava em querer proteger o moleque. Todos cochichavam dando razão às palavras da garota.
Com certeza você está louca, filha. Érico brada fazendo todos calarem-se.
_Não estou louca coisa nenhuma, Sr. Érico Avillar._Marianna não quis chamá-lo de pai, estava extremamente magoada._Já sabemos que Mayk será expulso, então pulem o julgamento dele. Foquem no meu agora.
_Você não vai ser expulsa coisa nenhuma, Anna. Pare de loucura, agora!_Vinícius segura nos braços da irmã._Você não poderá ser absorvida nem pelo Guilherme, desista disso agora.
Marianna se soltou encarando cada um ali presente, todos a encaravam com admiração pela coragem. Mas sabiam que ela não seria inocentada pelo crime.
_Vamos simplificar tudo._Ela aumenta o tom de voz._Mesmo gostando e tendo simpatia por mim, quem aqui me acha culpada por acobertar o crime cometido inocentemente pelo Mayk?
Aos poucos, um a um foi levantando a mão fazendo Anna engolir seco. Eles estavam cobertos de razão em opinar o que achavam, Marianna entendia.
A maioria me acha culpada, sendo assim, não sou mais parte da alcatéia Nascente e nem da Crescente pelo ato de acobertar um crime cometido pelo Mayk, uma criança vítima do vampirismo._Lágrimas vem aos seus olhos._Eu prometo a todos que provarei o quanto estão errados em condenar uma criança e a mim por protegê-la. E agradeço pela sinceridade em expor suas opiniões. Irei apenas despedir- me dos mais próximos.
Érico deixou que suas lágrimas caíssem pesadas dos seus olhos, correu até sua filha na tentativa de abraça-la, mas foi rejeitado.
_Não, eu estou profundamente magoada com suas atitudes. Você poderia investigar e descobrir que ele virou um vampiro à força. Eu estava indo atrás de solução, você destruiu tudo. Ela enxuga suas lágrimas. Não irei me despedir adequadamente do senhor. Fique bem.
Marianna virou as costas e foi pega de surpresa ao sentir o olhar de Guilherme queimando em sua pele. Ele tinha um misto de raiva, decepção e dor.
_Por que você fez isso?_Ele cruza os braços aproximando-se dela._Você não vai embora, ouviu?
Eu voltarei, prometo. Preciso encontrar Mayk, provar que ele não merece ser expulso do lugar onde nasceu e matar Sebastian._O nome dele em sua boca saiu repleto de ódio._Irá me esperar? Marianna, tem uma guerra entre vampiros e lobisomens acontecendo aí fora. Você acha que vai matar o homem que está por trás disso sozinha? E você acha que vai encontrar o Mayk e matar Sebastian em um dia?
Marianna engoliu seco encarando o chão, Guilherme tinha razão. Mas ela não podia voltar atrás, já estava expulsa, ergueu o olhar novamente encarando os olhos marejados do seu marido.
Você não imagina a dor que estou sentindo, é dilacerante._Ele toca o rosto da sua amada com ternura._Nossa ligação nem se firmou por completo e você já quer me deixar, Anna. Meu pai tinha planos de passar o poder da alcatéia para mim, como serei apresentado sem a Selene? Não existe eu sem você, amor.
Marianna teve vontade de agarra-lo e beija-lo ali mesmo ao ouvir tais coisas vindas de Guilherme, era lindo vê-lo tão aberto aos seus sentimentos. Marianna abriu a boca pra falar algo bonito em retribuição, mas foi interrompida pela voz de Augusto.
Eu vou com você, Anna._Augusto diz encarando Marianna._Você não vai sozinha.
_E quem disse que você vai com a minha esposa?_Guilherme afasta Augusto com um mão. Eu acorrento Marianna se preciso for, mas com você ela não vai.
_E você quer arriscar deixá-la ir sozinha? Com os malditos vampiros soltos por aí?_Augusto diz com voz firme, ele só queria o bem da garota._Eu irei com ela. Tenho interesse em solucionar esse crime e trazer o Mayk de volta.
_Você tem interesse é na Marianna, mas tudo bem. Ficarei melhor sabendo que ela está com alguém._Guilherme volta sua atenção para Marianna._Eu não vou conseguir dormir a noite sem você, eu não vou saber fazer nada sabendo que você está tão longe. Promete pra mim que qualquer coisa que acontecer você virá até mim correndo?
Marianna assentiu deixando-se ser levada pela emoção, não tinha muito tempo no vilarejo. Guilherme controlava-se pra não chorar, Marianna tornou-se tudo pra ele. Ele tinha medo do que se tornaria estando tão longe dela.
_Sempre que puder, mande notícias._Ele sela os lábios da sua esposa depois de um abraço._Se não mandar, abandonarei tudo e irei atrás de você, entendeu?
_Sim, entendi._Marianna o abraça. Só quero que arrume umas roupas minhas dentro de uma bolsa, depois eu me viro. Sei que não vai ser difícil.
Marianna disse essas palavras com muito incerteza, sabia que Augusto a acompanharia, mas não sabia o quão difícil tudo isso irá ser. Guilherme pediu pra ela esperar e então transformou-se indo até o Casarão Santiago, onde as coisas da garota estavam. Vinícius aproxima-se com o olhar angustiado, pesado.
_Anna...
Ele abraça sua irmã sentindo-se impotente em seus braços, perdido. Todos sabiam que essa missão era muito suicida, Marianna nunca foi especialista em luta, transformou-se apenas uma vez em loba. Mas Marianna contava com toda energia acumulada em seu ser, jamais disperdiçaria isso na hora errada. Ela estava guardado pra o momento certo, ou melhor, pra um alguém certo.
_Eu vou usar toda a minha raiva e despeja-la nesses vampiros, quando isso acabar irei atrás de você._Ele beija a testa de Marianna tremendo o lábio inferior._Eu amo você, Anna. Matarei o Augusto se algo acontecer com você.
_Cuide-se, Vini._Ela alisa o rosto do irmão. Sei que voltarei cheia de notícias boas e feliz por conseguir o que almejo.
Vinícius assentiu e então Marianna girou o olhar em todas as pessoas que assistiam a sua despedida. Pela primeira vez Marianna arriscou tudo por algo maior, sempre reprimiu o desejo de vingar-se do assassino da sua mãe. Mas não era por isso que ela estava dando adeus ao seu local de origem, era por uma inocente criança que carrega o peso da morte da sua mãe. Sentiu orgulho de si própria ao ver que não era só o desejo de vingança que estava movendo-a, mas sim o desejo de justiça.