Capítulo 1
Por causa de uma frase de Mateus: "Se você chegar aos trinta anos sem se casar, eu me caso com você".
Eu lutei com todas as minhas forças para continuar viva.
Mas aos vinte e nove anos, minha vida chegou ao fim.
Antes mesmo de tirar o jaleco, deixei de ser médica para me tornar paciente.
……
Hospital Central de São Paulo, ala de neurologia.
A enfermeira me guiou até o quarto: "Dra. Sofia, este quarto privativo é o que tem a melhor iluminação. Se precisar de alguma coisa, a campainha fica em..."
"Eu sei", respondi calmamente, interrompendo-a. "Trabalho neste hospital há cinco anos, conheço bem daqui."
"Pode voltar ao seu trabalho."
A enfermeira hesitou um pouco e assentiu: "Tudo bem."
Quando ela estava prestes a sair, chamei-a novamente: "Você sabe onde está o Mateus?"
"Dr. Mateus?" A enfermeira tentou se lembrar. "Ele está no pronto-socorro. Quer que eu peça para ele vir aqui?"
Pronto-socorro?
Franzi a testa levemente. Mateus é cirurgião cardíaco, o que ele estaria fazendo no pronto-socorro?
Balancei a cabeça: "Não precisa, obrigada."
Assim que a enfermeira saiu, sentei-me no sofá e peguei o celular.
Na semana passada, fui diagnosticada com um tumor cerebral. Mateus prometeu que viria me ajudar com a internação, mas ele não apareceu e não atendia as ligações.
Eu pensei que ele estivesse em uma cirurgia importante...
Cerrei as mãos, levantei-me e fui de elevador até o pronto-socorro, no térreo.
O pronto-socorro é sempre o lugar mais movimentado do hospital.
Mas, assim que saí do elevador, vi Mateus parado na frente do posto de atendimento.
Ele usava óculos de aros prateados, seu jaleco estava impecável, e na gola da camisa branca por baixo, pendia um pingente de jade em formato de Buda.
Frio, elegante, contido e distante.
Ele é o cirurgião cardíaco mais jovem do hospital. Em oito anos de carreira, realizou milhares de cirurgias sem um único erro.
Muitas pessoas no hospital gostam de Mateus, e eu também.
Mas eu gostava dele bem antes dos outros.
Crescemos juntos, e já faz dez anos que estou apaixonada por ele.
Dez anos. E agora, eu não tenho mais os próximos dez.
Suprimi a amargura no fundo do peito e dei um passo em sua direção: "Mate..."
Antes que eu pudesse terminar a frase, vi Mateus levantar a mão e colocar uma mecha de cabelo de uma médica atrás da orelha dela!
Naquele instante, senti como se tivesse caído em um poço de gelo.
Nunca tinha visto Mateus ter um gesto tão íntimo com ninguém.
Eu nem ousava pensar em quem era aquela mulher, ou qual era a relação dela com Mateus.
Só consegui me virar apressadamente e fugir para o elevador antes que ele me visse.
Voltei ao quarto em estado de choque, sentei-me na beira da cama e fiquei olhando para a neve lá fora, com o olhar perdido.
Durante todos esses anos, a única pessoa ao lado de Mateus era eu.
Quando ele quis ser médico, eu o acompanhei na faculdade de medicina, lutando contra as expectativas de nossas famílias.
Quando ele era o cirurgião principal, eu abri mão das minhas chances de liderar cirurgias e me ofereci para ser sua primeira assistente.
Mas nos olhos de Mateus, eu nunca estive presente.
Meu coração começou a doer como se tivesse sido perfurado por uma lâmina.
Cobri o peito, curvei-me e tive uma crise forte de tosse.
De tanto esforço, fiquei tonta. Quando tentei pegar o copo de água, minha visão estava tão embaçada que não conseguia enxergar nada.
Foi então que uma mão esguia pegou o copo e o estendeu para mim.
O olhar de Mateus era frio, como água parada: "Começou a doer?"
Olhei para sua mão e, lembrando que aquela mão acabara de acariciar o cabelo de outra mulher, senti um aperto doloroso no peito.
"Estou bem", respondi, pegando o copo e baixando o olhar para evitar o contato visual.
Mateus não percebeu minha mudança de comportamento, pegou meu prontuário e folheou algumas páginas: "Já conversei com o chefe da neurologia. Não se preocupe, o hospital lhe dará o melhor tratamento possível."
Segurando o copo, fiquei em silêncio por um longo tempo antes de perguntar:
"Mateus, você ainda se lembra do que disse no dia do meu aniversário de vinte anos?"
Os dedos de Mateus pararam por um instante.
Nove anos atrás, no meu aniversário de vinte anos, ele tinha dito: "Se você chegar aos trinta anos sem se casar, e eu também, eu me caso com você."
O olhar de Mateus escureceu levemente: "Lembro. Por que a pergunta?"
Olhei para cima, com a voz leve: "Eu quero me casar."
"Casa comigo."
Capítulo 2
Um silêncio tomou conta do quarto.
Eu mesma não sabia por que tinha dito aquilo de repente.
Mas eu realmente queria me casar com Mateus.
E sabia que, por causa da minha doença, ele não me recusaria de imediato.
Mas, inesperadamente, no segundo seguinte, Mateus respondeu com frieza: "Eu não posso me casar com você."
Senti um choque profundo; meu coração parecia ter sido jogado em água gelada, esfriando a cada segundo.
"Por quê?"
Mateus respondeu com muita seriedade: "Sofia, aquela promessa só era válida na condição de que nenhum de nós tivesse outra pessoa."
"E agora, eu tenho alguém que eu amo."
Meu coração caiu de uma altura de dez mil metros, espatifando-se em mil pedaços.
No mesmo instante, pensei na mulher do pronto-socorro a quem ele tratou com tanta ternura.
Era ela, não era?
Eu o acompanhei por dez anos e nunca consegui conquistar o coração de Mateus.
Que encanto aquela mulher tinha?
Eu não sabia. Só sentia que, mais do que a dor da resposta, eu me sentia humilhada.
Como se estivesse exposta e só quisesse que a terra me engolisse.
Resisti à dor, sem coragem de encará-lo: "Já que é assim, esqueça o que eu disse."
"Tenho exames para fazer mais tarde, você... pode voltar ao trabalho."
Isso foi o máximo de calma que consegui demonstrar.
Mateus pareceu não notar e assentiu naturalmente: "Se sentir qualquer desconforto, lembre-se de me avisar."
Forcei um sorriso fraco: "Você não é neurologista, de que serviria te avisar? Esquece, pode ir, estou bem."
Mateus não insistiu e saiu.
No momento em que a porta do quarto se fechou, meus olhos se encheram de lágrimas.
Mas apertei minhas palmas com força, recusando-me a deixá-las cair.
O que havia para lamentar?
Ao longo desses anos, eu já sabia que Mateus não gostava de mim.
É melhor que ele tenha alguém que ame; pelo menos, quando eu morrer, ele terá companhia.
E, felizmente, Mateus não me ama, caso contrário, ele teria que sofrer pela minha morte.
Quanto mais pensava, mais desmoronava, enterrando o rosto no travesseiro...
Quando me acalmei, saí para fazer os exames.
Quando terminei, já estava escuro lá fora.
Caminhei de volta usando o avental do hospital, encontrando vários médicos pelo caminho.
Olhei para seus jalecos brancos com pura inveja.
E também com arrependimento.
Em cinco anos de medicina, para ficar perto de Mateus, abri mão de ser cirurgiã principal e aceitei ser sua assistente.
Achei que teríamos tempo, que meu sonho de liderar uma cirurgia um dia se realizaria.
Quem diria que eu contrairia um tumor cerebral, que minhas mãos começariam a tremer e que eu nunca mais poderia segurar um bisturi!
Voltei ao quarto, sentindo-me vazia.
Ao abrir a porta, vi que Mateus tinha vindo.
Não pude deixar de me surpreender, e uma alegria difícil de conter surgiu: "Por que você veio? O seu departamento não está ocupado?"
Ao ouvir minha voz, Mateus se virou e apontou para uma marmita sobre a mesa: "Trouxe comida para você. Os exames foram bem?"
"Foram", respondi, querendo naturalmente lhe contar o que aconteceu.
Mas as palavras morreram na garganta.
Nós não éramos mais os mesmos.
Engoli a amargura e me forcei a ser distante: "Obrigada por trazer a comida."
Mateus franziu a testa: "O que houve? Por que tanta formalidade comigo?"
Tentei fazer com que minha voz soasse normal: "Não é para evitar mal-entendidos com a pessoa que você ama?"
"Da próxima vez não precisa se dar ao trabalho de comprar comida para mim, posso pedir para a enfermeira."
Mateus percebeu que eu parecia mal e estava prestes a perguntar o motivo.
Quando, de repente, uma voz feminina soou na porta: "Dr. Mateus."
Mateus e eu nos viramos ao mesmo tempo.
Na porta do quarto estava uma médica.
Eu a conhecia.
Beatriz, uma recém-formada que tinha acabado de ser designada para o pronto-socorro.
E sua silhueta me parecia familiar...
Antes que eu pudesse processar, meu olhar caiu para baixo.
E, ao ver, senti como se uma espada tivesse me atravessado o coração, paralisando-me completamente:
O pingente de jade, que Mateus nunca tirava do pescoço, estava pendurado no pescoço de Beatriz!
Capítulo 3
Aquele pingente de jade tinha sido um presente do avô de Mateus.
Ele o valorizava muito, usava desde criança e nunca o tirava.
Mas agora, ele tinha dado a Beatriz...
Olhei para Mateus, sem acreditar.