A voz da diretora ainda ecoava:
"Jiajia... não sei se ela se casou agora. Tenho certeza de que ela será uma excelente mãe. O objetivo dela desde pequena era ser uma boa mãe, para que aquilo que aconteceu com ela nunca acontecesse com seus filhos."
Ela deveria ter se tornado mãe. Foi ele quem roubou seu sonho.
Capítulo 22: Encontrando Suely
"Sr. Lin, temos notícias da Srta. Suely."
Ao receber a informação, o coração de Lucas falhou uma batida. Ele seguiu imediatamente para o local enviado pelo assistente.
Era um hospital comunitário modesto, com décadas de história, mal conservado, com paredes cobertas de musgo verde e rachaduras profundas.
Ao ver a multidão dispersa, os jalecos amarelados e os uniformes de pacientes puídos, um pressentimento terrível o dominou. Culpa, dor e tristeza vieram à tona.
"Você tem certeza de que é este o lugar?"
Ele não podia acreditar que um lugar daqueles pudesse tratar alguém.
O assistente respondeu: "É um hospital comunitário antigo. É um hospital legítimo, apenas com instalações rudimentares."
"Onde ela está?"
"Olá, senhor. A Srta. Suely está no quarto 203, no segundo andar. O senhor é algum parente?" perguntou a enfermeira.
Lucas hesitou. Parente?
"Sim, por favor, me leve até ela." Independentemente de tudo o que aconteceu, eles se conheciam há mais de dez anos; chamá-la de parente não era exagero. Além disso, seu amor profundo por ele...
Lucas esboçou um sorriso amargo. Ao encontrá-la, ele a levaria para o melhor hospital para se tratar e compensar suas faltas.
O cuidador disse apreensivo: "Siga-me, fica lá em cima. Mas o estado da paciente não é bom, esteja preparado."
"Leve-me logo." Lucas afrouxou a gravata, impaciente.
A enfermeira o levou de elevador até o segundo andar. Pelo corredor silencioso, chegaram ao último quarto. "Ela está aqui, mas seu estado emocional é instável. Por favor, não a irrite."
O quarto era decrépito e tinha um cheiro estranho, desagradável. Lucas, que nunca vira tal cenário, pensou na mulher outrora delicada vivendo ali. Seria o destino pregando peças ou ele que fora cruel demais?
Ele abriu a porta e chamou, esperançoso: "Suely, eu vim te levar..."
"O bebê é bonzinho, o bebê não chora... daqui a pouco a mamãe te leva para procurar o papai..." Suely, com os cabelos desgrenhados, abraçava uma boneca de pano com um olhar terno.
Tendo acabado de perder o bebê, ela estava extremamente fraca. Sua pele estava pálida, quase translúcida, mostrando os vasos sanguíneos; as olheiras profundas e os olhos sem brilho revelavam seu péssimo estado.
"Suely..." chamou Lucas suavemente. A enfermeira suspirou: "Ela enlouqueceu..."
A frase caiu como um raio. Lucas virou-se tremendo, com os olhos vermelhos: "O... o que você disse?"
"Ela enlouqueceu. Não sabemos o que aconteceu, mas seu corpo está muito fraco e ela sofreu um grande golpe psicológico. Talvez precise ser transferida para um hospital psiquiátrico!" disse a enfermeira.
"Que hospital psiquiátrico? Como ela pode ter enlouquecido?!"
"Ah!" Assustada pelo grito de Lucas, Suely apertou a boneca de pano, olhando para ele com terror: "Não... não leve meu bebê..."
"Suely, sou eu, Lucas..."
Ele deu dois passos à frente, mas viu o corpo dela tremer como uma folha.
Suely encolheu-se na cama abraçada à boneca, encarando-o. O coração de Lucas doía. Ele lembrou da enfermeira: grande golpe psicológico.
Ele estava com os olhos ardendo, a garganta fechada. Que outra dor ela poderia ter sofrido? Aquela boneca que ela abraçava... ela achava que era o bebê que ele forçara a tirar?
Lucas respirou fundo, contendo as lágrimas, e disse com suavidade: "Suely, eu vou te levar para casa..." Sua voz falhava. Ela apenas apertava a boneca, trêmula. Naqueles olhos vermelhos havia medo, impotência e vigilância.
Lucas estendeu a mão no ar, mas não ousou se aproximar, pois o medo de Suely transformara-se em loucura.
"Saia! Vá embora! Não machuque meu bebê! Vá embora!" gritou Suely, cada palavra como uma foice atingindo o coração de Lucas.
Capítulo 23: Ela enlouqueceu
Lucas ficou parado, estupefato. Aquela mulher desleixada e louca à sua frente seria mesmo a mesma Suely, gentil e bela que ele conhecera?
"Bebê?"
Lucas despertou. Ela enlouquecera por causa do bebê perdido? Uma amargura invadiu seu peito. Só então ele percebeu o quanto aquela mulher, que tratava uma boneca como seu maior tesouro, amava seu próprio filho.
Ele não ousava se mover, com medo de estimular mais Suely. A fragilidade dela o deixava sem saber o que fazer.
Suely era realmente uma mulher interesseira?
Ele desejava que tudo fosse verdade para se sentir menos culpado, mas ao vê-la assim, seu coração vacilava.
"Lucas..." chamou Bianca suavemente, despertando-o. Ao vê-la, o olhar culpado de Lucas transformou-se em um estranho silêncio. "O que faz aqui?"
Bianca, que havia seguido Lucas, ao ver a cena, deixou transparecer um escárnio em seus olhos, rapidamente mascarado por uma preocupação fingida.
Antes que ela dissesse algo, Lucas a encarou: "Você me seguiu?" A voz firme assustou Bianca e Suely. Bianca, com olhos marejados, soluçou: "Eu... eu notei que você andava distraído, então..."
"Então o quê?" Lucas estava furioso; ela o seguira!
"Você saiu com tanta pressa, eu estava preocupada e... acabei vindo atrás," explicou Bianca, limpando as lágrimas. Lucas suspirou, e seu olhar suavizou.
Ela descobrira que algo estava errado, contratou um detetive e descobriu que ele estava atrás de Suely! Aquela mulher... por que ela não morria? Até louca ela atrapalhava sua vida!
Escondendo o ódio, Bianca agarrou o braço de Lucas, soando piedosa: "Se... se você gosta de Suely, eu posso desistir!" Ela parecia ter tomado uma grande decisão. "Afinal, gostar de alguém não é possuí-lo, mas querer sua felicidade."
Ouvindo isso, o coração de Lucas balançou. "Sua boba, como assim? Eu gosto de você, claro que ficarei com você."
"Não tem problema, não se preocupe comigo. Ela me fez perder meu filho, mas sei que ela só te ama. Se você não gosta dela, por que perder tanto tempo procurando-a? Está tudo bem, Lucas, diga a verdade."
Lucas sentiu-se ainda mais comovido: "Não é isso, eu... só sinto pena dela."
Bianca era inocente e bondosa. Lucas sentiu-se culpado por ter duvidado dela.
Ao olhar para Suely novamente, a culpa que sentia antes diminuiu. Ela abraçava a boneca... talvez fosse o que ela merecia. Suely perdera o bebê, mas também causara a morte do filho de Bianca. Pensando nisso, ele sentiu-se um pouco melhor.
Bianca cutucou Lucas: "No que está pensando?"
"Estou pensando em levá-la para um hospital melhor."
Bianca fingiu acreditar, embora seu coração estivesse cético. Mas ver Suely naquele estado a deixava satisfeita. Com o que aquela louca competiria agora? Tendo perdido dois filhos e sendo infértil, Lucas jamais voltaria para ela.
"O que houve com ela? Ela não fala nada?" perguntou Bianca.
A expressão de Lucas mudou. A ternura desapareceu, dando lugar a uma dor sombria: "Ela... ela enlouqueceu." Um lampejo de alegria passou pelos olhos de Bianca, rapidamente disfarçado.
Capítulo 24: O casamento
Lucas levou Bianca embora e os dois dirigiram de volta para a mansão de Lucas, nos arredores da cidade.
Bianca bebia distraidamente o ninho de andorinha preparado pela governanta.
Uma ideia surgiu na mente de Bianca. Agora que a defesa psicológica de Lucas estava no nível mais fraco, e a culpa que ele sentia por Suely deixava sua mente confusa, era melhor fixar logo a data do casamento. Assim, não importava se Suely estava louca de verdade ou fingindo, isso não teria influência alguma.
"Quero discutir uma coisa com você..."
Bianca se encostou preguiçosamente em Lucas.
Lucas olhou para ela com dúvida e perguntou gentilmente: "Diga."
"Ontem fiz uma videochamada com minha mãe, e ela já contou aos amigos e parentes sobre nosso casamento, mas ainda não tínhamos uma data específica. Agora, todos os parentes em casa estão perguntando."
Bianca, com um semblante tímido, baixou a cabeça e murmurou: "Nós... não deveríamos definir logo a data do casamento?"
Lucas hesitou e, franzindo a testa, disse: "Agora? Não seria muito apressado?"
Enquanto ele ainda pensava, Bianca puxou o braço dele e começou a fazer charme: "Você ainda tem sentimentos por Suely? Eu já disse, se você realmente gosta dela, eu posso abrir mão."
"Não é nada disso com a Suely, não toque mais nesse assunto. Quanto ao casamento, talvez ainda existam algumas questões com meus pais. Deixe-me confirmar melhor e depois conversamos."
Após dizer isso, Lucas saiu como se estivesse fugindo.
Bianca olhou para as costas dele, batendo o pé de raiva.
No bar Blue Sea.
Zhao Feng entrou arqueando as sobrancelhas, localizando Lucas imediatamente na multidão.
"Lindo rapaz, vamos tomar um drinque?"
"Vá se ferrar!"
"Rapaz, por que tanta agressividade?"
A palavra "Vá" já estava na ponta da língua, mas Lucas levantou a cabeça, encontrou o olhar brincalhão de Zhao Feng e, aborrecido, virou a dose de uísque.
Zhao Feng provocou: "Você encontrou Suely, ouvi dizer que seus pais também aceitaram a entrada de Bianca na família. Grande presidente Lin, seus desejos foram realizados, então por que beber sozinho aqui com tanta raiva?"
Lucas parou o movimento da mão e disse, um pouco irritado: "Bianca quer definir a data do casamento comigo."