localização atual: Novela Mágica Fantasia A Noiva do Dragão Tirano: Marcada pelo Fogo Capítulo 20: Sinal de Fumaça

《A Noiva do Dragão Tirano: Marcada pelo Fogo》Capítulo 20: Sinal de Fumaça

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O momento entre Kaelen e Lyra no vale oculto, sob o brilho hipnótico das flores-de-fogo, parecia suspenso no tempo.

A proximidade era elétrica, um magnetismo que ameaçava romper as barreiras que ambos haviam erguido ao longo de meses de convivência forçada e desconfiança mútua.

Kaelen, cujos olhos dourados estavam fixos nos lábios de Lyra, parecia estar em um estado de entrega que Lyra nunca antes testemunhara.

No entanto, a calmaria daquele santuário secreto foi rompida de forma violenta.

Um estrondo surdo, como um trovão vindo das entranhas da própria terra, reverberou pelas paredes rochosas da montanha, fazendo as flores-de-fogo tremerem.

Lyra deu um passo atrás, o choque dissipando o calor do momento quase instantaneamente.

Kaelen, reagindo por puro instinto, girou o corpo para encarar o céu, sua postura mudando da vulnerabilidade de um homem quase humano para a prontidão letal de um dragão que sente o perigo iminente.

O céu, antes pontilhado por estrelas, começava a mudar de cor de forma alarmante.

O violeta da noite foi substituído por um tom alaranjado e doentio, marcado por colunas de fumaça negra que subiam ao horizonte, provenientes das fronteiras distantes de Solaria.

— Kaelen... o que é aquilo? — Lyra perguntou, sua voz trêmula, enquanto observava a mudança abrupta na atmosfera.

Kaelen não respondeu de imediato. Seus olhos focaram na distância, e ele podia sentir, através da conexão dracônica, o caos que se aproximava.

— Sinais de fogo — Kaelen disse, sua voz agora era pura lâmina, destituída de qualquer traço de ternura de instantes atrás. — Solaria quebrou o tratado. Uma invasão humana na fronteira. Eles não estão enviando diplomatas; estão enviando um exército.

Quase simultaneamente, a figura de um mensageiro alado surgiu do horizonte, mergulhando em direção à montanha como uma flecha em queda livre.

O mensageiro pousou bruscamente diante deles, seus trajes de combate chamuscados e seu rosto coberto de fuligem e medo.

— Meu Rei! — o mensageiro exclamou, caindo de joelhos, mal conseguindo recuperar o fôlego. — As barreiras da fronteira leste foram rompidas. Eles usam tecnologia proibida, armas que não deveriam existir após a última Grande Guerra. Os postos de observação foram dizimados, e o sinal de fumaça foi nossa última tentativa de aviso antes que o vale fosse tomado.

Kaelen virou-se para Lyra, e por um breve segundo, ela viu a sombra de dor que cruzou seu rosto — não pela invasão, mas pelo que aquilo significava para o breve instante de humanidade que tinham acabado de compartilhar.

— A nossa trégua acabou, Lyra — Kaelen declarou, sua voz fria e distante.

Ele não esperou por uma resposta. Em um movimento fluido e aterrador, Kaelen deixou que sua forma humana se dissipasse, a aura de fogo negro consumindo-o novamente.

O dragão que surgiu em seu lugar era maior, mais furioso, e suas asas batiam com tanta força que o deslocamento de ar quase derrubou Lyra.

Com um rugido que fez as próprias montanhas tremerem, Kaelen alçou voo em direção às colunas de fumaça, deixando Lyra sozinha no vale iluminado pelas flores-de-fogo.

Ela ficou lá, observando o dragão negro se tornar apenas um ponto na escuridão, sabendo que a guerra pela qual ela tanto temera, e que Kaelen tanto tentara evitar, finalmente chegara à sua porta.

O quase-beijo, a confissão, a paz entre o homem e a curandeira — tudo agora pertencia a um passado que parecia ter ocorrido em uma vida diferente.

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