localização atual: Novela Mágica Fantasia A Noiva do Dragão Tirano: Marcada pelo Fogo Capítulo 16: A Inveja dos Dragões

《A Noiva do Dragão Tirano: Marcada pelo Fogo》Capítulo 16: A Inveja dos Dragões

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A arena de treinamento do Pico Draconiano era um vasto anfiteatro de pedra bruta, cravado na encosta da montanha, onde o chão era composto por cinzas compactadas e o ar, permanentemente impregnado com o cheiro de enxofre e suor.

Era ali que a hierarquia do poder era decidida não por linhagem, mas pela capacidade de subjugar o outro.

Naquela manhã, o local estava estranhamente cheio. Nobres dragões — seres de presença imponente e olhares gélidos — haviam se reunido sob a pretexto de um "exercício de combate", mas Lyra sabia que o verdadeiro objetivo era outro. Desde que Kaelen lhe concedera permissão para circular livremente pelo palácio, o ressentimento da corte atingira um ponto crítico. Ela era a humana que "enfeitiçara" o Rei, a estrangeira que circulava pelos corredores sagrados, e, para muitos, era hora de ela aprender o seu lugar.

Lyra estava no centro da arena, vestida com trajes de linho leves que permitiam mobilidade.

À sua frente, estava Varkas, um nobre dragão das províncias do norte, conhecido por sua arrogância e pelo tamanho descomunal de sua forma humana.

Ele não estava ali para treinar; ele estava ali para humilhar.

— Parece que o nosso querido Rei anda perdendo o senso de prioridades — Varkas disse, sua voz ressoando pela arena, acompanhada pelas risadas abafadas dos outros nobres. — Treinar com um humano? É como pedir a um pássaro que ensine um leão a caçar. Vamos ver quanto tempo a "cura" do Rei consegue ficar em pé.

Lyra manteve a postura. Seus dedos formigavam, não de medo, mas de concentração.

Ela sabia que não podia vencer Varkas em força física, nem em velocidade de ataque. Se ela tentasse lutar como eles, seria esmagada em segundos.

— Se você quer tanto medir forças, Varkas, não precisa de uma arena — Lyra respondeu, com a voz firme. — Por que não deixamos de lado essa fachada de nobreza e vamos direto ao ponto? Você não quer treinar; você quer provar que eu sou fraca.

Varkas avançou, movendo-se com uma rapidez sobrenatural, desferindo um golpe lateral que Lyra evitou por um triz, apenas pela agilidade que ganhara nas caminhadas pelos jardins do palácio.

Ele era rápido, mas era previsível. Ele lutava com a confiança de quem nunca precisou usar o cérebro para vencer um combate.

Ele investiu novamente, desta vez com uma rasteira projetada para derrubá-la violentamente no chão de pedra.

Lyra, em vez de se afastar, deu um passo à frente, aproveitando o momento em que o peso dele estava totalmente deslocado.

Ela não o atacou; ela usou a própria inércia do movimento dele contra ele, enganchando o pé atrás do calcanhar de Varkas e aplicando uma pressão precisa em um ponto nevrálgico sob o seu ombro — uma técnica de curandeira que ela adaptara para desestabilizar a anatomia de um oponente.

O efeito foi instantâneo. Varkas perdeu o equilíbrio e caiu pesadamente sobre o chão de cinzas, com um baque que ecoou pelas arquibancadas de pedra.

Antes que ele pudesse se levantar, Lyra estava sobre ele, não com força bruta, mas com o peso de seu corpo posicionado exatamente onde ele não podia reagir. Ela não usou uma arma; ela usou sua inteligência.

— Você se move como se a sua força fosse eterna — Lyra sussurrou, encostada no ouvido dele enquanto ele lutava para respirar sob a pressão. — Mas um dragão que confia apenas nos músculos é um alvo fácil. Você está no chão, Varkas. E todos aqui viram como você caiu.

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Os nobres nas arquibancadas pararam de rir. Eles não olhavam mais para Lyra com desprezo; olhavam-na com uma mistura confusa de choque e uma nova, ainda mais perigosa, forma de inveja.

Lyra levantou-se lentamente e afastou-se, deixando o nobre caído no centro da arena. Ela não esperou o reconhecimento deles.

Ela saiu da arena com a cabeça erguida, sentindo o olhar de todos queimando suas costas.

Ela havia vencido o combate, mas sabia que, no Pico Draconiano, cada vitória era apenas um convite para um desafio maior.

A inveja dos dragões era um fogo lento, e agora, ela havia lançado a primeira centelha.

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