localização atual: Novela Mágica Fantasia A Noiva do Dragão Tirano: Marcada pelo Fogo Capítulo 15: O Equilíbrio da Lâmina

《A Noiva do Dragão Tirano: Marcada pelo Fogo》Capítulo 15: O Equilíbrio da Lâmina

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A liberdade concedida por Kaelen trouxe um sabor agridoce para os dias de Lyra no Pico Draconiano.

Ela podia circular pelos pátios externos e pelas alas menos restritas do palácio sem ser escoltada por guardas, o que era um avanço imenso, mas a tensão no ar nunca se dissipava totalmente.

A corte, composta por nobres dragões que mal escondiam seu desdém pela "humana que enfeitiçou o Rei", mantinha uma distância cautelosa, mas seus olhos, sempre vigilantes, pareciam seguir Lyra por onde quer que ela fosse.

Naquela tarde, Lyra decidiu explorar os terraços superiores, uma área que, segundo ela ouvira sussurros, oferecia a melhor vista de todo o reino da Terra do Fogo.

O caminho até lá era uma subida íngreme através de escadarias esculpidas diretamente na rocha vulcânica.

O vento lá em cima era gelado, cortante, carregando o cheiro constante de cinzas e a eletricidade estática das tempestades térmicas que frequentemente varriam o cume.

Ao chegar ao terraço principal, ela avistou uma figura familiar parada à beira do abismo. Era a General Lyana.

Desta vez, ela não portava sua armadura completa; vestia apenas uma túnica leve, com os cabelos presos em uma trança firme.

Lyana não se virou quando Lyra se aproximou, mas a postura da General, tensa como uma corda de arco, indicava que ela sabia exatamente quem estava ali.

— É uma visão impressionante, não é? — Lyana perguntou, a voz sem o habitual tom de ameaça, soando mais reflexiva. Ela apontou para o horizonte, onde a vasta extensão de vulcões se estendia sob um céu que oscilava entre tons de púrpura e cinza. — As pessoas lá embaixo acham que o poder dos dragões reside na força bruta, no fogo que consome tudo. Mas, quando você está aqui em cima, percebe que o poder reside na própria montanha. Na resistência silenciosa da rocha que é moldada pelo fogo, mas nunca se quebra.

Lyra parou a alguns metros de distância, mantendo a guarda alta. A última vez que estiveram próximas, Lyana a ameaçara.

— Você está falando do seu povo, ou de você mesma, General? — Lyra perguntou, mantendo a voz firme.

Lyana finalmente se virou. O olhar da General era um estudo de sentimentos conflitantes. Não havia o desprezo aberto de antes, mas sim algo que se aproximava de um reconhecimento relutante.

— Talvez ambos — Lyana respondeu, aproximando-se alguns passos. — Eu servi ao Rei Kaelen por décadas. Vi o declínio dele, vi o peso daquela maldição drenar cada centímetro de sua humanidade. E confesso, quando você chegou, eu fui a primeira a acreditar que você era apenas uma distração perigosa. Uma humana que pagaria o preço por acreditar que poderia curar um abismo.

— E agora? — Lyra questionou.

— Agora, vejo que você não é apenas uma distração. Você é a primeira coisa em trezentos anos que o manteve ancorado sem a necessidade de destruição — Lyana deu um sorriso de canto, um gesto raro que não atingiu seus olhos. — Isso faz de você um alvo. Não apenas para aqueles que querem atingir Kaelen, mas para aqueles que temem que o Rei volte a ser o governante que era antes da maldição.

O aviso estava claro nas palavras da General. Havia uma facção, talvez até dentro do círculo interno da corte, que se beneficiava da loucura e da instabilidade de Kaelen.

— Por que está me dizendo isso? — Lyra indagou, o coração acelerado.

— Porque eu sou leal ao Pico Draconiano acima de tudo — Lyana afirmou, cruzando os braços. — E, neste momento, a sua sobrevivência é o único fio que mantém a paz neste castelo. Se você cair, Kaelen voltará a ser a fera que nos governa pelo medo, e eu terei que lidar com as consequências. Portanto, observe onde pisa. O tratado não protege você aqui dentro.

Lyana deu um passo em direção à saída do terraço, mas parou ao lado de Lyra, inclinando-se ligeiramente para sussurrar em seu ouvido:

— O tônico que você prepara... é eficaz. Mas o sangue dracônico tem memória. Ele sempre buscará uma maneira de retomar o controle. Não confie no silêncio, humana. O fogo que não queima agora está apenas se acumulando para a próxima erupção.

Dito isso, a General afastou-se, deixando Lyra sozinha com o vento cortante e a vista da Terra do Fogo. As palavras de Lyana não eram apenas um aviso; eram uma confirmação. A trégua entre Lyra e Kaelen era um frágil equilíbrio sobre uma lâmina, e o tempo — assim como a paciência dos inimigos ocultos — estava correndo. Lyra olhou para baixo, para a fortaleza de pedra negra, e sentiu pela primeira vez o peso real do seu sacrifício. Ela não era apenas uma curandeira ali; ela era o próprio centro da tempestade que estava prestes a definir o futuro daquele reino.

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