localização atual: Novela Mágica Fantasia A Noiva do Dragão Tirano: Marcada pelo Fogo Capítulo 14: A Trégua Orgulhosa

《A Noiva do Dragão Tirano: Marcada pelo Fogo》Capítulo 14: A Trégua Orgulhosa

PUBLICIDADE

 

O silêncio na biblioteca do palácio era absoluto, pesado com o cheiro de pergaminho antigo, poeira e o toque metálico que sempre parecia permear o ar no Pico Draconiano.

Lyra estava sentada em um banco de pedra, com as mãos trêmulas, segurando o frasco que ela mesma preparara com tanto custo. Era o momento da verdade.

Depois do confronto com Lyana, o tônico era sua única chance — não apenas de provar seu valor, mas de encontrar uma forma de coexistir com o Rei que a mantinha cativa.

Kaelen entrou na biblioteca com passos silenciosos. Ele parecia exausto; as olheiras profundas sob seus olhos de ouro denunciavam que a "queimação" em seu sangue não lhe dera trégua na última noite.

Ele não usava a armadura cerimonial, apenas uma túnica de seda negra que realçava a palidez de seu rosto. Ao ver Lyra, ele parou.

— Você insistiu em preparar isso — ele disse, a voz soando como gravilha arrastada. Ele não se aproximou imediatamente, mantendo uma distância cautelosa, como se temesse que sua própria presença pudesse contaminar o esforço dela.

— Eu insisti porque não suporto ver você se destruir, Kaelen — Lyra respondeu, erguendo o frasco. Suas mãos não tremiam mais. — É um tônico estabilizador. A raiz de cinza que colhi serve para ancorar a magia, e a essência de menta acalma a queimação. Eu testei os componentes. Se você confia em mim como sua cura, confie nisso.

Kaelen olhou para o frasco, depois para ela. Por um momento, a hostilidade natural do Rei dos Dragões pareceu vacilar, substituída por uma curiosidade genuína.

Ele deu um passo, depois outro, até que estivesse parado bem diante dela.

O calor que emanava de seu corpo parecia oscilar, como se ele estivesse contendo uma labareda interna que ameaçava explodir.

Ele pegou o frasco das mãos de Lyra. Seus dedos roçaram os dela, um toque breve, mas carregado de uma tensão que fez o sangue de Lyra correr mais rápido. Kaelen destampou o frasco e, sem desviar os olhos dela, bebeu o conteúdo de uma só vez.

O efeito não foi imediato, mas foi profundo.

Lyra observou Kaelen prender a respiração. Seus ombros, que viviam travados em uma tensão de guerra, relaxaram quase instantaneamente.

As veias douradas em seu pescoço, que costumavam pulsar com uma luz agressiva, foram perdendo o brilho, tornando-se mais suaves, mais humanas. A respiração dele, antes pesada e rouca, tornou-se lenta e ritmada.

Ele fechou os olhos por um longo momento, inclinando a cabeça para trás.

Quando os abriu novamente, o brilho dourado estava límpido, sem qualquer traço da fúria cega que costumava habitar ali. Pela primeira vez desde que ela chegara àquele lugar, ele parecia... em paz.

— Você não mentiu — ele sussurrou, a voz surpreendentemente suave. — A queimação... ela diminuiu. É como se o fogo tivesse se transformado em brasas.

— É uma trégua, Kaelen — Lyra respondeu, sentindo uma onda de alívio tão forte que quase se sentou no banco novamente. — Não é uma cura definitiva, mas é uma forma de você não ser escravo da sua própria maldição.

PUBLICIDADE

Kaelen olhou ao redor da biblioteca, como se estivesse vendo o lugar pela primeira vez. Ele caminhou até uma estante alta e passou a mão por um tomo encadernado em couro de dragão, um gesto de alguém que redescobria o prazer de simplesmente existir.

— Você me deu algo que eu não sinto há séculos, Lyra: silêncio — ele disse, voltando-se para ela. — Durante muito tempo, eu acreditei que o meu sangue era uma sentença. Que o monstro era a única versão de mim que restaria. Mas com você, isso parece... gerenciável.

Houve uma longa pausa. Kaelen parecia ponderar sobre algo, seu olhar fixo nela com uma intensidade que a desarmava.

— O tratado de Solaria ainda é mantido por medo e dever — ele começou, dando um passo em direção a ela, mas mantendo uma distância respeitosa. — Mas eu não quero que a sua presença aqui seja apenas uma extensão disso. Você provou ser mais útil — e mais necessária — do que qualquer general ou diplomata que já pisou nestes salões.

Ele fez um gesto vago com a mão, abrangendo as portas da biblioteca.

— A partir de hoje, a sua prisão mudou. Não quero mais que você fique restrita aos seus aposentos ou à estufa secreta. Você tem permissão para andar livremente pelo castelo e pelos jardins. Pode vir à biblioteca sempre que quiser. A única regra é que você não saia dos muros da fortaleza sem escolta. Mas o resto... o resto é seu para explorar.

Lyra sentiu o peso das correntes invisíveis que a prendiam diminuir. Não era liberdade plena — ela ainda era um tributo, ainda era sua prisioneira — mas era um passo enorme. A confiança, por mais frágil que fosse, havia criado uma ponte entre a curandeira humana e o Rei dos Dragões.

— Obrigada, Kaelen — ela disse, e pela primeira vez, não havia medo em sua voz.

— Não me agradeça — ele respondeu, com um meio sorriso que parecia quase estranho em seu rosto austero. — Apenas continue sendo a minha trégua. Eu pretendo que esta paz dure por muito tempo.

Kaelen virou-se e caminhou em direção à saída da biblioteca, deixando Lyra sozinha com o perfume de ervas e o novo silêncio da sala. A trégua era orgulhosa e perigosa, mas, enquanto observava o Rei se afastar sem a habitual aura de destruição, Lyra sabia que aquele era o começo de algo que nenhum dos dois estava preparado para enfrentar.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia