localização atual: Novela Mágica Fantasia A Noiva do Dragão Tirano: Marcada pelo Fogo Capítulo 13: O Segredo das Ervas

《A Noiva do Dragão Tirano: Marcada pelo Fogo》Capítulo 13: O Segredo das Ervas

PUBLICIDADE

 

O ar no Pico Draconiano era, por natureza, seco, quente e carregado com o cheiro de rocha fundida e enxofre. Contudo, Lyra havia descoberto, quase por acidente, um recanto que desafiava a aridez daquela fortaleza de cinzas. Atrás de uma tapeçaria antiga, que escondia uma passagem estreita e pouco utilizada, encontrava-se uma estufa de pedra, esquecida pelos séculos, onde a umidade era mantida por um sistema engenhoso de dutos térmicos. Ali, protegidas pela escuridão e pelo calor constante, cresciam algumas espécies de plantas que Lyra não via desde os jardins de Solaria — e outras, nativas das terras vulcânicas, que possuíam propriedades medicinais que ela mal podia acreditar.

Lyra estava agachada sobre o chão de pedra, seus dedos, manchados pela terra negra e fértil, colhendo cuidadosamente as folhas prateadas de uma planta que ela chamava de "lágrima-de-fogo". Ela não estava ali por diversão. Após a crise de Kaelen e o atentado no banquete, ela sabia que o seu papel como "cura" para o Rei era a única coisa que a mantinha viva. Mas ela queria mais. Ela queria entender a química por trás da maldição dracônica, e talvez, se tivesse sorte, criar um tônico que pudesse estabilizar Kaelen sem que ela precisasse sacrificar sua própria energia vital em cada crise.

— Só mais um pouco de raiz de cinza, e talvez o composto fique estável — ela murmurou para si mesma, concentrada.

Seu conhecimento como curandeira humana era baseado em ciclos da natureza, sol, chuva e equilíbrio. No entanto, naquele mundo de dragões, onde o sangue fervia com magia ancestral, a ciência das ervas funcionava de uma maneira diferente. Ela precisava dosar a seiva da planta com cuidado, para que o tônico não se tornasse um veneno ainda mais letal do que o que tentaram colocar em sua taça.

Enquanto triturava as folhas em um almofariz de pedra, o silêncio da estufa foi rompido pelo som metálico de botas pesadas contra a pedra. Lyra congelou. Ela não precisava se virar para saber quem era; a aura de hostilidade era inconfundível.

— A "prisioneira pessoal" do Rei brincando de alquimista? — a voz da General Lyana ecoou pelo recinto, gotejando veneno.

Lyra levantou-se lentamente, limpando as mãos no avental improvisado. Lyana estava parada na entrada da estufa, sua armadura de escamas vermelhas cintilando sob a luz difusa que filtrava pelas fendas no teto. Seus olhos castanhos, cortantes como facas, observavam cada detalhe do que Lyra estava fazendo.

— Eu não estou brincando, General — Lyra respondeu, mantendo a voz calma, embora seu coração estivesse disparado. — Estou apenas tentando garantir que o seu Rei não perca a cabeça novamente. O tônico que estou preparando pode ajudar a aliviar a dor que ele sente.

Lyana soltou uma risada curta e sem humor, dando um passo à frente. O espaço na estufa era apertado, e a presença da General parecia consumir todo o ar. Ela olhou para o almofariz com o líquido viscoso e depois voltou a encarar Lyra com uma expressão de puro desprezo.

PUBLICIDADE

— A dor de Kaelen é o preço do poder que ele carrega. Dragões não buscam curas em pratos de ervas colhidas no escuro — Lyana disse, seus dedos roçando o punho da espada em sua cintura. — O que você está fazendo não é medicina, garota. É bruxaria. Você está tentando alterar o equilíbrio do sangue real, manipulando substâncias que você nem sequer compreende.

— Eu entendo muito bem de cura, General. Mais do que você imagina — Lyra retrucou, erguendo o queixo. — Se você prefere ver o seu soberano consumido pela própria fúria, isso é uma escolha sua. Mas não tente colocar a culpa em mim quando ele decidir que a sua lealdade é apenas uma fachada.

O rosto de Lyana escureceu, as pupilas retraindo-se em fendas verticais por um breve segundo, uma demonstração clara de sua natureza draconiana. Ela avançou rapidamente, prendendo Lyra contra uma das bancadas de pedra da estufa. A proximidade era intimidadora, e o calor que Lyana irradiava era quase sufocante.

— Não se engane, humana — Lyana sibilou, sua voz baixa e perigosa. — Eu vejo como você olha para ele, e vejo como ele protege você. Mas não pense que isso a torna intocável. Eu sei exatamente o que você está tramando nesta estufa. Você está tentando se tornar indispensável, usando essas raízes e folhas para enfeitiçar o Rei. Se você acha que pode usar bruxaria para subir de posição neste palácio, você está muito enganada.

Lyana agarrou o pulso de Lyra, forçando-a a largar o almofariz, que caiu no chão, espalhando o tônico precioso pela pedra. O cheiro de ervas invadiu o ar.

— A próxima vez que eu flagrá-la colhendo suas ervas proibidas, não haverá ameaças — Lyana ameaçou, soltando-a com um empurrão que a fez cambalear contra a parede. — A próxima vez, eu mesma cuidarei para que você não tenha mãos para coletar nada. O Pico não é lugar para curandeiras humanas. Lembre-se disso.

Lyana virou as costas e saiu da estufa com passos largos, deixando Lyra ali, tremendo de raiva e medo. Ela olhou para o tônico derramado no chão; meses de observação e cautela desperdiçados em questão de segundos. Ela estava sendo vigiada, e o cerco estava se fechando. Se Lyana a via como uma ameaça — ou pior, como uma bruxa —, Lyra sabia que seus dias de relativa paz no palácio haviam chegado ao fim. Ela teria que ser muito mais esperta, e muito mais rápida, se quisesse sobreviver até a próxima fase do tratado.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia