localização atual: Novela Mágica Fantasia A Noiva do Dragão Tirano: Marcada pelo Fogo Capítulo 12: A Anatomia de um Monstro

《A Noiva do Dragão Tirano: Marcada pelo Fogo》Capítulo 12: A Anatomia de um Monstro

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A manhã no Pico Draconiano não chegava com o nascer do sol, mas com o brilho crescente das correntes de lava que cortavam a montanha, filtrando-se pelas frestas das paredes de pedra e pintando o quarto real com matizes de vermelho alaranjado. Lyra acordou lentamente, a consciência retornando aos poucos.

A primeira coisa que ela sentiu foi um peso familiar e reconfortante: o braço de Kaelen ainda estava firme ao redor de sua cintura, prendendo-a contra o corpo dele, como se ele tivesse medo de que ela desaparecesse se ele relaxasse o aperto.

Ela ficou imóvel por um longo momento, observando a calma no rosto de Kaelen enquanto ele dormia.

Sem a rigidez da vigília e a arrogância habitual de Rei, ele parecia quase humano. Mas era apenas uma ilusão.

O movimento de sua respiração revelava as cicatrizes que cobriam suas costas e braços, marcas profundas que pareciam sulcos de garras, um lembrete físico de que o monstro estava apenas contido, não ausente.

Com cuidado extremo, Lyra deslizou para fora do abraço dele, sentindo uma pontada de frio assim que o calor do corpo dele se afastou.

Kaelen resmungou algo ininteligível em um tom baixo e gutural, mas não acordou.

Ela caminhou em direção ao banheiro anexo, uma câmara ampla esculpida em rocha vulcânica onde uma piscina natural de água termal borbulhava suavemente.

O vapor enchia o ambiente, criando uma névoa densa e acolhedora que prometia lavar o cansaço acumulado das últimas noites.

Lyra despiu-se e entrou na água, soltando um suspiro de alívio quando o calor envolveu seus músculos.

A água era mineral, com um leve cheiro de enxofre que, estranhamente, ela já começava a achar reconfortante.

Ela fechou os olhos, permitindo que o silêncio do lugar tomasse conta, mas sua mente não parava. A marca em seu peito ainda formigava, uma conexão invisível que a ligava ao homem no quarto ao lado.

— Você tem o hábito de observar, Lyra?

A voz de Kaelen soou tão próxima que Lyra deu um solavanco, a água espirrando ao redor.

Ele estava encostado na entrada da câmara de pedra, os braços cruzados sobre o peito nu.

Ele não usava nada além de calças leves de linho, e o vapor da água termal se agarrava à sua pele bronzeada, realçando cada músculo trabalhado.

O olhar dele não era o de um predador, mas havia uma intensidade naquelas íris douradas que a fez sentir-se completamente exposta, mesmo dentro da água.

Ele caminhou até a beira da piscina de pedra, e cada passo dele era marcado por uma graça predatória que a deixava sem fôlego.

— Eu não estava... — ela começou, mas sua voz falhou.

Kaelen entrou na água sem desviar o olhar dela. A piscina era grande, mas ele se aproximou com uma determinação que tornou o espaço entre eles irrelevante. Lyra recuou até suas costas tocarem a parede de pedra lisa.

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— Não minta para mim — ele disse, com a voz baixa e rouca. — Eu senti você acordar. Senti você me observar.

Ele parou a centímetros dela. A água quente borbulhava entre os dois, mas a eletricidade que emanava dele era muito mais quente. Lyra não conseguia desviar o olhar das costas dele, que agora estavam mais próximas. O vapor revelava a extensão total da maldição: linhas tortuosas que pareciam caminhos de lava endurecida sob a pele, cicatrizes que contavam a história de uma guerra interna travada por séculos.

— As marcas... — ela murmurou, a mão subindo involuntariamente. Antes que ela pudesse tocar, ele segurou seu pulso com uma delicadeza surpreendente.

— Elas não são bonitas — Kaelen sibilou, mas seus dedos apertaram o pulso dela com uma possessividade que não admitia contradições. — São o mapa de tudo o que eu perdi. São a anatomia de um monstro que quase consumiu tudo o que eu era.

— Elas são a prova de que você sobreviveu — Lyra respondeu, encontrando coragem para olhar no fundo daqueles olhos de ouro que pareciam tentar ler sua alma.

Kaelen soltou o pulso dela e, em um movimento rápido, segurou sua nuca, aproximando o rosto de Lyra até que suas respirações se misturassem. O calor entre eles era um incêndio contido.

— Você diz isso como se fosse algo nobre — ele sussurrou contra seus lábios. — Mas você não faz ideia do que eu tive que me tornar para continuar respirando. Se você vir a verdade, Lyra, se você enxergar o que existe por baixo da minha pele quando o sangue dracônico assume o comando... você não vai querer ficar.

— Então me mostre — ela desafiou, sua voz trêmula mas firme. — Mostre-me do que você tem tanto medo.

Kaelen riu, um som sem humor que reverberou nas paredes de pedra. Ele aproximou-se perigosamente, a mão deslizando da nuca dela para o ombro, o toque enviando calafrios que o vapor da água não conseguia aquecer.

— Tenha cuidado com o que deseja, pequena curandeira — ele avisou, os olhos dilatando-se conforme o desejo começou a superar o autocontrole. — Você está brincando com o fogo, e eu não sou um homem que sabe quando parar de queimar.

O ar na câmara de pedra tornou-se rarefeito. Kaelen inclinou-se, deixando que suas mãos traçassem contornos provocantes no ombro dela, o contraste da pele pálida com a mão cheia de cicatrizes sendo uma imagem que queimava na mente de Lyra.

Ele estava testando-a, e pela primeira vez, Lyra percebeu que ela não tinha intenção alguma de fugir. Ali, naquele santuário de calor, a anatomia do monstro não era algo a ser temido; era um mistério que ela queria desvendar, mesmo que isso significasse que ambos seriam reduzidos a cinzas no final.

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