localização atual: Novela Mágica Fantasia A Noiva do Dragão Tirano: Marcada pelo Fogo Capítulo 9: Veneno na Taça

《A Noiva do Dragão Tirano: Marcada pelo Fogo》Capítulo 9: Veneno na Taça

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O salão de banquetes do Pico Draconiano parecia uma extensão das próprias lendas de terror que Lyra ouvia na infância, mas revestida com uma opulência brutal. Longas mesas de ébano maciço cruzavam o espaço, iluminadas por tochas presas a suportes de ferro forjado que projetavam sombras dançantes e inquietas pelas paredes de rocha nua. O calor ali dentro era temperado por correntes de ar frio que vinham das frestas mais altas da montanha, criando uma atmosfera instável. Dragões da alta nobreza ocupavam os assentos, conversando em sussurros afiados enquanto consumiam carnes raras e vinhos espessos que pareciam sangue sob a luz do fogo.

Na cabeceira da mesa principal, Kaelen governava o ambiente com sua mera presença. Ele vestia uma túnica escura com detalhes em fios de ouro fosco que cobria a Marca da Alma em seu peito, mas a calmaria em sua postura era totalmente nova. Seus olhos dourados, agora perfeitamente humanos em suas órbitas, não exibiam mais aquele brilho assassino e desesperado da noite anterior. A crise havia passado. Ele estava sob total controle de si mesmo, graças ao toque dela.

Ao lado dele, no entanto, Lyra sentia-se o centro de uma arena de predadores. Ela usava um vestido longo de seda azul-meia-noite, um contraste gritante com os tons de vermelho, bronze e preto que dominavam a corte. Ela conseguia sentir o peso dos olhares sobre si, especialmente o da General Lyana, que estava sentada a poucas cadeiras de distância, observando-a com a mesma intensidade de um falcão mirando uma presa.

— Você quase não tocou na comida, humana — a voz de Kaelen quebrou o transe de Lyra. O tom dele era baixo, direcionado apenas a ela, mas carregava aquela gravidade rouca que fazia a espinha dela vibrar. — Minha corte pode ser hostil, mas a carne não está envenenada. Eu pessoalmente executei o cozinheiro que tentou algo parecido há um século.

Lyra desviou o olhar azul-safira para o Rei dos Dragões, um sorriso de canto surgindo em seus lábios pálidos.

— O problema não é a carne, Kaelen. É a etiqueta — ela respondeu no mesmo tom baixo, ajeitando a postura com uma elegância que surpreendeu o monarca. — Em Solaria, quando as pessoas querem te matar, elas costumam gritar e erguer espadas. Aqui, elas apenas sorriem e bebem vinho enquanto esperam você cometer um erro. É um pouco exaustivo.

Um lampejo de divertimento cruzou os olhos de ouro de Kaelen, algo tão raro que fez o nobre mais próximo engasgar sutilmente com a bebida.

— Você sobreviveu à minha fúria ontem à noite. Acho que uma mesa de nobres entediados não deveria ser um desafio.

Antes que Lyra pudesse replicar, um jovem servo da corte aproximou-se da mesa com passos vacilantes. Ele carregava uma bandeja de prata com uma jarra de cristal cheia de um líquido escuro e denso, exalando um aroma adocicado de frutas silvestres e especiarias da Terra do Fogo. Com as mãos trêmulas, o servo pegou a taça de prata ricamente trabalhada que estava diante de Lyra e a preencheu até a borda.

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— Um cortejo da colheita do sul, milady — o servo gaguejou, mantendo os olhos baixos. — Um presente de boas-vindas de parte dos lordes das províncias inferiores.

Lyra olhou para o líquido purpúreo. Sendo uma curandeira e herborista experiente, seu nariz captou imediatamente algo errado. Por trás do perfume forte das bagas maduras, havia uma nota sutil, quase imperceptível de amêndoas amargas e seiva de agulha-de-fogo — uma planta altamente corrosiva que crescia nas fendas mais profundas das montanhas. Não era apenas veneno para matar; era um ácido feito para derreter as entranhas de um humano em questão de segundos.

Ela estendeu a mão pálida, os dedos flutuando a milímetros da taça de prata, hesitando.

Kaelen percebeu a hesitação dela no mesmo instante. Seus olhos de ouro estreitaram-se, as pupilas verticais ameaçando retornar. Ele não olhou para a taça, mas para o servo, que começou a suar frio sob o escrutínio do Rei.

— Quem enviou essa jarra específica? — Kaelen perguntou, sua voz cortando o barulho do salão como uma lâmina de gelo. O burburinho dos nobres cessou imediatamente.

— F-Foi... os lordes do sul, Majestade... — o servo caiu de joelhos, a bandeja de prata batendo contra o chão com um estrondo metálico.

Lyra não esperou a resposta. Ela aproximou-se um pouco mais da taça, sem tocá-la diretamente, mas permitindo que a proximidade de seu corpo ativasse a energia que agora corria mais forte em suas veias. No instante em que sua mão ficou sobre o metal, a Marca da Alma em seu peito pulsou com um calor protetor repentino.

O que aconteceu a seguir chocou a corte.

A taça de prata começou a chiar. O metal nobre, conhecido por sua resistência, começou a deformar-se como se estivesse sendo exposto a uma fornalha invisível. O líquido purpúreo dentro dela ferveu violentamente, liberando uma fumaça cinzenta e ácida que corroeu a superfície da mesa de ébano. Em menos de cinco segundos, as laterais da taça derreteram por completo, derramando o veneno em poças fumegantes que abriram buracos na madeira maciça.

Lyra recuou a mão rapidamente, os olhos arregalados diante da agressividade da substância.

Kaelen levantou-se da cadeira em um movimento tão abrupto que a pesada cadeira de ébano foi jogada para trás, quebrando-se contra a parede. O salão inteiro prendeu o fôlego. As runas no pescoço do Rei acenderam-se em um dourado perigoso e um rosnado puramente dracônico reverberou por todo o palácio. Ele percebeu o atentado. Alguém havia tentado assassinar sua prisioneira — sua cura — bem debaixo do seu nariz, em seu próprio banquete.

— Traição! — o grito de Kaelen ecoou como o estrondo de um vulcão entrando em erupção, e as tochas nas paredes explodiram em labaredas duas vezes maiores, mergulhando a corte em um pânico absoluto.

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