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《Entre o Silêncio e a Redenção》Capítulo 22

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Um lampejo de dúvida passou por meus olhos.

O pai de Felipe baixou o olhar, narrando um passado desconhecido: — Meu casamento com a mãe de Felipe foi arranjado pelos pais. Na época, eu era jovem e impulsivo, incapaz de viver com uma mulher que não amava. Raramente ia para casa e, quando bêbado, perdia a paciência com ela.

— Ela era gentil. Não importa como eu a tratasse, parecia nunca ficar zangada. Lentamente, descobri que não a odiava, comecei a gostar dela, até que tivemos Felipe e um segundo filho.

Ao ouvir isso, fiquei estática.

Um segundo filho?

A família não tinha apenas Felipe?

Os olhos do pai de Felipe se encheram de remorso: — Naquela época, Felipe tinha dois anos e a criança em seu ventre, cinco meses. Eu estava em uma viagem de trabalho. Nunca imaginei que minha antiga amante fosse até ela dizer coisas terríveis... Quando voltei, ela estava na sala de emergência; o bebê já havia partido...

Capítulo 41

O pai de Felipe ergueu a mão para agarrar o cabelo salpicado de fios prateados.

— A partir daquele dia, ela nunca mais me dirigiu a palavra. Nem no leito de morte me permitiu vê-la, e disse a todos os parentes que não permitissem que eu chegasse perto de seu túmulo...

Ao dizer isso, sua voz embargou em soluços.

Por mais de vinte anos, ele nunca falou sobre isso em público, nem revelou qualquer tristeza, nem mesmo para Felipe, seu filho biológico.

Encarando o homem de olhos lacrimejantes, perdi a voz.

— Lívia, sei que Felipe cometeu muitos erros que te decepcionaram e magoaram, mas não se pode negar que ele te ama. Acredito que você ainda o ame também. Já que se amam, não se separem facilmente, para não viverem com o arrependimento que carrego.

Ouvi em silêncio e baixei a cabeça: — Pai, deixe-me pensar um pouco...

Após uma pausa, continuei: — Quando ele acordar, conversarei seriamente com ele.

Contemplei Felipe por um momento antes de girar a cadeira e partir.

O pai de Felipe segurou a mão dele e disse com profundidade: — Felipe, por favor, não seja como o pai...

No corredor, observei o vazio.

A balança em meu coração oscilava: de um lado, o filho que se foi e minha mãe; do outro, o sentimento por Felipe que eu não conseguia cortar.

Eram como fogo e água, constantes batalhas que deixavam minha mente em caos.

Peguei o celular, vi a foto da minha mãe e murmurei para mim mesma: — Mãe, você disse que o amor unilateral não dura. Agora que o sentimento é mútuo, será que existe uma segunda chance?

Ninguém respondeu.

Apenas um choro abafado de mulher vinha de um quarto próximo.

Hesitei e me aproximei.

Era uma paciente com a mesma doença que eu.

Mas ela estava no estágio terminal: não só não conseguia se mover, como mal conseguia falar.

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Estava na cama, com o queixo e o avental manchados de mingau.

A esposa limpava o chão enquanto chorava: — Eu cuidei de você por sete ou oito anos, já chega. Se você realmente me ama e se importa comigo, por favor, parta logo e pare de ser um fardo para mim.

Essas palavras, metade reclamação, metade desespero, atingiram meu peito.

Sílvia dissera que eles eram um casal muito unido. Quando ele adoeceu, todos aconselharam o divórcio, mas ela insistiu em ficar.

No entanto, mesmo um amor tão firme não escapou do desgaste do tempo.

Meus olhos ficaram vermelhos sem motivo, e girei a cadeira para sair.

Por mais que se ame, uma vez que o outro se torna um fardo, esse amor dificilmente resiste ao desgaste...

...

Felipe sentia sua consciência vagar em um mar, incapaz de escapar daquela sensação de ausência de peso.

Em transe, ouviu a voz de Lívia.

"Felipe, Felipe..."

O soro gotejava silenciosamente; no quarto silencioso, ouvia-se o murmúrio inconsciente de Felipe.

"Lívia..."

Ao ouvir que Felipe, em coma por cinco dias, finalmente falara, o pai de Felipe sentiu uma luz brilhar em seus olhos desanimados: — Felipe, você finalmente acordou!

"Lívia..."

Ao entender o nome que ele repetia, o rosto do pai de Felipe endureceu.

Ele disfarçou o desamparo e apertou o botão da enfermaria.

Logo, o médico e a enfermeira entraram para examiná-lo.

A dor no braço trouxe Felipe de volta à realidade.

Ele abriu os olhos lentamente, vendo apenas o teto branco.

Isto é... um quarto de hospital?

— O paciente não tem problemas graves agora. Com repouso, poderá receber alta em breve.

Ao ouvir o médico, o olhar nublado de Felipe começou a se esclarecer.

Lívia...

Ela foi ameaçada por Mirella, deve ter ficado aterrorizada!

Sem forças, ele tentou tirar o cobertor, querendo sair da cama para encontrá-la.

O pai de Felipe, assustado, o impediu: — O que você está fazendo? Ficou louco!?

Felipe nem o olhou, arrancou a agulha de sua mão: — Quero encontrar Lívia, solte-me...

A pouca força que lhe restava esgotou-se com a luta, e ele caiu de volta na cama, exausto.

Vendo isso, o pai de Felipe queria dizer algo, mas hesitou.

Quando estava prestes a contar a verdade, Qi Ming, em roupas civis, chegou.

Capítulo 42

Ao ver que Felipe acordara, Qi Ming relaxou: — Senhor Felipe, Mirella faleceu ao cair do prédio. Li Yunming foi preso dois dias atrás ao tentar sair do país. Os dez milhões roubados foram recuperados. Quando receber alta, por favor, compareça à delegacia para confirmar.

Felipe sentia o cérebro em confusão, apenas murmurou um aceno.

Qi Ming despediu-se.

Reunindo um pouco de força, Felipe saiu cambaleando.

— Felipe!

O pai de Felipe, em pânico, correu atrás.

Ao abrir a porta do quarto de Lívia, Felipe chamou com a voz rouca: — Lívia!

No entanto, o quarto estava vazio.

O cobertor estava perfeitamente dobrado, a mesa tinha apenas uma bandeja médica vazia; tudo parecia como se ninguém tivesse morado ali.

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Felipe congelou, sua mente travou.

Onde ela foi?

Vendo Felipe procurando por rastros, o pai de Felipe finalmente confessou: — Quatro dias atrás, Lívia deixou uma carta para você e se foi.

Dizendo isso, tirou a carta do bolso.

Ao ouvir, as pupilas de Felipe encolheram: — O que você disse?

O pai entregou a carta: — Achei que ela mudaria de ideia, mas ela foi embora de repente. Nem Samuel sabe para onde...

"BUM!"

Naquele instante, um trovão explodiu nos ouvidos de Felipe, deixando seu cérebro em branco.

Ele olhou para a carta na mão do pai, sem coragem de pegá-la.

Parecia que, se a pegasse, Lívia teria ido embora de verdade.

Ela não iria embora, por que ela iria? Afinal, naqueles dias... ele tinha visto a si mesmo nos olhos dela novamente!

"Não... não pode ser, não pode ser..."

Felipe murmurava, com um olhar de desamparo.

O pai de Felipe estava de coração partido. Ele não queria vê-lo sofrer, mas, talvez para Lívia, ela nunca pudesse deixar o passado para trás. Ficar com Felipe só tornaria o fardo em seu coração ainda mais pesado.

Ele suspirou, trêmulo: — Felipe, deixe-a ir.

O pedido de "deixe-a ir", carregado de desamparo, perfurou a respiração de Felipe.

Tudo sobre Lívia passava por sua mente como um filme, perdendo a cor a cada segundo.

Deixá-la ir significava talvez nunca mais vê-la, nem mesmo uma última vez.

Como poderia... como poderia!

Felipe cerrou os punhos: — Eu vou encontrá-la.

Dito isso, ignorou o protesto do pai e correu do quarto.

O sol morno de primavera iluminava a rua movimentada.

Um táxi parou perto da casa de Lívia. Antes mesmo que o carro parasse, Felipe já saltara.

"Desculpe, o número discado está desligado..."

Pela décima terceira vez, a voz robótica soou no celular, e cada palavra era como uma lâmina deixando marcas de sangue em seu coração.

"TOC TOC TOC!"

Felipe batia na porta, gritando: — Lívia! Lívia!

Mas não havia resposta.

Até que a porta ao lado se abriu e uma idosa de cabelos brancos apareceu, avisando: — Jovem, pare de bater. Aquela moça se mudou há alguns dias. Não há ninguém lá dentro.

Ao ouvir isso, Felipe sentiu como se um balde de água fria tivesse sido derramado sobre ele, e seu último apoio desabou.

Lívia se foi.

Ninguém sabia para onde.

Ela era como o vento: existiu por um tempo e depois desapareceu completamente de Haicheng.

A noite era como tinta.

A cidade parecia um arquipélago feito de luzes de neon, solitária e brilhante.

Na mansão, apenas uma luminária quente estava acesa na vasta sala.

Felipe sentou-se no sofá, seu olhar vazio fixo na foto de Lívia e na carta sobre a mesa.

"Felipe, quando você ler esta carta, eu já terei ido. Não por ódio, mas por amor. Achei que nunca te perdoaria nesta vida, pois não queria chegar do outro lado sem ter coragem de encarar minha mãe e meu filho. Mas subestimei meu desapego. Eu simplesmente não consigo te deixar para trás completamente, e não consigo enfrentar a ideia de caminhar para a morte diante dos seus olhos. Talvez só partindo eu possa te amar sem reservas, e encarar o fim da vida com serenidade. Desculpe. Por favor, não me procure mais. Lívia."

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