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《Entre o Silêncio e a Redenção》Capítulo 16

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O medo e a impotência ocupavam todos os meus pensamentos.

Em vinte e seis anos, nunca estive tão humilhada.

Diante da pessoa que um dia mais amei, perder o controle da bexiga devido à paralisia...

Houve um momento em que desejei ter morrido naquele acidente.

Felipe apertou os lábios, pegou calças limpas no armário e me levou ao banheiro.

No instante seguinte, senti uma fisgada no pescoço.

Ele soltou um gemido, mas não me soltou.

Ignorando minha resistência feroz, ele trocou minhas calças com firmeza: — Está tudo bem, eu estou aqui...

Segurando minhas mãos trêmulas, ele envolveu meu corpo banhado em lágrimas em um abraço apertado.

Nesse momento, não consegui mais conter os soluços.

Golpeei os ombros de Felipe: — O que eu fiz de errado? Por que fizeram isso comigo...

Ao ouvir meus questionamentos impotentes, o coração de Felipe se partiu.

As lágrimas encheram seus olhos, mas tudo o que pôde fazer foi consolar: — Você não fez nada de errado, tudo foi culpa minha.

A pessoa em seus braços chorou por muito tempo, até cair no sono de exaustão; só então ele a colocou cuidadosamente de volta na cama.

Quando Samuel foi visitar Lívia, ela já dormia.

Felipe, que não aparecia há dias, estava com a camisa amassada, limpando o chão como um faxineiro.

Notando os rastros de lágrimas no rosto de Lívia e os olhos avermelhados de Felipe, ele franziu a testa: — O que aconteceu?

Felipe não respondeu, apenas saiu carregando a bacia com as roupas sujas.

A atitude estranha deixou Samuel confuso.

Mas, após pensar um pouco, sua expressão mudou.

Será que Lívia descobriu que estava paralisada?

Diante da pia.

Felipe lavava as calças de pijama; lentamente, as lágrimas que ele segurava caíram na bacia.

Em sua memória, a última vez que chorou daquela forma foi na morte de sua mãe.

Ele ergueu a cabeça e olhou para o homem abatido no espelho.

Ódio!

Um ódio imenso!

Ódio de sua frieza passada, ódio de sua impotência atual, ódio de não poder suportar toda aquela dor por Lívia.

Ela não havia feito nada de errado, ela era a mais inocente de todos...

Seus dedos longos entrelaçaram-se em seu cabelo, puxando-o com força.

Felipe mordeu os dentes, engolindo todos os soluços.

Ao entardecer, nuvens densas se acumularam, e trovões soaram como ondas do horizonte.

Em um estado de transe, senti-me envolta pela escuridão.

Tentei fugir, mas minhas pernas estavam como raízes, imóveis.

— Lívia, se você colocar o pé para fora desta casa para casar com o Felipe, cortaremos laços de mãe e filha para sempre!

— Não pense que pode usar o título de senhora Felipe para carregar o filho de outra pessoa!

— Ela tem esclerose lateral amiotrófica... mas agora, por causa do acidente, além de perder a capacidade de ter filhos, ela ficou paralisada...

Vozes familiares vinham de todos os lados, retirando o ar ao meu redor.

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Quando pensei que morreria naquela asfixia mortal, abri os olhos de repente, ofegante, encarando o teto branco.

Felipe, que velava o sono ao lado da cama, iluminou-se: — Você acordou. Está sentindo algo? Está com fome? Vou comprar algo para você.

Ele se levantou para sair, mas foi subitamente segurado pelo pulso por uma mão fria.

— Felipe, você me enganou.

Capítulo 28

Assim que Felipe se virou, soltei a mão dele.

Contemplei a chuva fina do lado de fora da janela e continuei, com a voz rouca: — Você prometeu que não apareceria mais.

Felipe fechou os punhos, sem conseguir articular palavras.

No silêncio opressor, meu olhar parecia uma vela apagada pelo vento.

— Perdi a capacidade de ter filhos e nunca mais vou conseguir andar. Vocês já sabiam disso há muito tempo, não é?

Ao ouvir isso, o coração de Felipe deu um solavanco violento.

Ele sabia que Lívia ficaria paralisada, mas só descobrira naquela tarde que ela também não poderia mais conceber.

Os golpes sucessivos tornaram meu corpo, já frágil, ainda mais definhado.

— O médico disse que era apenas uma possibilidade — respondeu Felipe em voz baixa.

Ao ouvir aquela resposta reconfortante, dei um sorriso amargo: — Eu chegaria a esse ponto mais cedo ou mais tarde, só não imaginei que seria tão rápido... e que você veria a condição mais deplorável da minha vida.

— Lívia...

— Saia. Quero ficar sozinha um pouco.

Ao ver meu rosto pálido, Felipe hesitou por um momento, mas acabou deixando o quarto.

No instante em que a porta se fechou, não consegui conter o choro.

Enxuguei o rosto repetidas vezes, sem nunca ter imaginado ser uma pessoa tão propensa a derramar lágrimas.

Lembrar-me de Felipe, ignorando minhas agressões e trocando silenciosamente minhas roupas sujas, tornava meu coração ainda mais dolorido.

Nesse momento, Sílvia entrou com a medicação.

Ao ver a pessoa soluçando na cama, sentiu um aperto no peito e um profundo sentimento de culpa.

Se ela tivesse me ajudado a voltar para a cama primeiro, talvez eu não tivesse ouvido o diagnóstico real.

— Lívia?

Sílvia aproximou-se e chamou-me suavemente: — Está na hora da medicação.

Balancei a cabeça, sentindo que aquela positividade lá no fundo estava sendo dissolvida aos poucos.

Tudo aconteceu tão de repente, que eu não sabia como encarar.

Sílvia olhou para a porta aberta, lembrou-se de Felipe, que não parava de chorar, e não se conteve: — Se não quer pensar em si mesma, pense no seu marido.

Enquanto servia a água quente, ela suspirou: — Ouvi dizer que ele vomitou sangue de tanto beber antes de ser internado, e que fugiu antes de terminar o soro para vir te ver. Passei a tarde toda vendo-o na ala de outros pacientes com a mesma doença, falando com os familiares. Quando passei pelo corredor, ouvi pedaços da conversa; ele perguntava aos outros como cuidar de pacientes assim...

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Dito isso, Sílvia suspirou: — Não sei que desavenças vocês têm, mas vejo que seu marido é sincero com você. Se ele cometeu um erro grave, agora é o momento de ele cuidar de você.

Ao ouvir isso, fiquei estática.

Abaixei o olhar, sem dizer nada, apertando as mãos sob o lençol.

Lá embaixo, os pacientes que caminhavam retornavam aos poucos.

Felipe estava sentado no banco, com um cigarro entre os dedos que demorava a ser aceso.

De repente, um par de pernas entrou em seu campo de visão.

Ao levantar a cabeça, viu Samuel.

Samuel olhou para ele e sentou-se no banco: — Pensei que você realmente não voltaria.

Felipe respondeu friamente: — Mesmo que eu não viesse, você não teria chance de "tomar o meu lugar".

Desta vez, Samuel não se irritou, soltando apenas um sorriso sereno.

Após um breve silêncio, Felipe amassou o cigarro na mão e mudou o tom: — Se ela não me amasse, será que não teria sofrido tanto?

Pela primeira vez, ele revelava seu arrependimento e insegurança a outra pessoa, e essa pessoa era justamente Samuel, que sempre amou Lívia.

Samuel ficou surpreso por um instante antes de responder: — Talvez.

Se existisse um "se", ele só desejava que Lívia se recuperasse e vivesse uma vida que fosse verdadeiramente dela.

Pouco depois, começou a garoar.

Observando Felipe e Samuel entrarem no prédio, Mirella, escondida sob a árvore, cerrou os punhos com força.

Seus olhos, como os de um escorpião peçonhento, miravam fixamente a janela do quarto de Lívia.

— Lívia, se eu não posso ter, você também não terá!

Capítulo 29

A chuva aumentou.

Felipe voltou ao quarto com o jantar e, ao ver Lívia olhando para a janela, em transe, pisou levemente.

— Comprei a sopa de milho com costela que você gosta.

Ele colocou a marmita sobre a mesa e serviu uma tigela que ainda fumegava.

Virei-me para encará-lo, com o olhar atento.

Ele vestia um casaco preto, a camisa branca por baixo estava manchada de poeira e seu cabelo estava bagunçado.

O olhar habitualmente cortante estava suave, desprovido de agressividade; seu rosto, abatido, estava pálido, e a barba por fazer dava-lhe um ar desleixado.

Ninguém conseguiria associá-lo ao presidente da empresa de entretenimento.

Pela primeira vez em tanto tempo, eu o observava com tamanha atenção.

O olhar dele estava cravado em mim, exatamente como eu sonhara que ele me olharia no passado.

— Obrigada... — sussurrei.

Minha voz estava menos fria do que antes, embora ainda carregada de um estranhamento latente.

Mas essa única palavra bastou para acalmar o coração de Felipe.

Ele estendeu a colher e a sopa.

Assim que peguei a colher, senti uma rigidez repentina nos dedos.

Com um "clac", a colher caiu sobre o lençol.

Meu olhar travou, e um desamparo surgiu em meu rosto pálido.

Felipe trocou a colher imediatamente: — Esta não é boa, vou pegar outra.

Aquele consolo desajeitado tornou meus sentimentos complexos.

Não importava o quê, nada mudaria o fato de que minha doença estava piorando.

Quando recuperei a sensibilidade nas mãos, peguei a sopa e a colher sem dizer nada e comecei a tomar.

Só depois de terminar, disse calmamente: — Amanhã vamos ao cartório assinar o divórcio. Enquanto ainda posso me mover minimamente, é melhor resolver isso logo, quanto mais tempo passar, pior será.

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