localização atual: Novela Mágica Moderno Entre o Silêncio e a Redenção Capítulo 11

《Entre o Silêncio e a Redenção》Capítulo 11

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Minha visão estava embaçada; sentia como se tivesse tido um sonho muito longo, mas já não conseguia lembrar com o que havia sonhado.

Ao tentar fazer um leve movimento, senti o corpo inteiro doer como se estivesse sendo cortado por lâminas.

— Uh...

A sensação de dor fez-me soltar um gemido baixo involuntário.

Felipe, que estava apoiado na cadeira, ouviu o som e olhou apressado na minha direção.

Ao ver que eu unia as sobrancelhas com força e movia a mão com dificuldade, parecendo querer retirar a máscara de oxigênio que me causava desconforto, seu coração se apertou. Ele levantou-se rapidamente para apertar o botão de chamada das enfermeiras e segurou a minha mão.

— Lívia? Lívia?

O chamado familiar fez-me virar o rosto, enxergando através da visão turva o olhar do homem, carregado de preocupação misturada com alegria.

Fiquei estática.

Felipe?

Como se um gatilho tivesse sido acionado em meus olhos, a indiferença e a tortura psicológica de dias e noites ao longo daqueles quatro anos, junto com as imagens da perda do meu filho e da morte da minha mãe, inundaram a minha mente de uma só vez.

O médico entrou acompanhado pelas enfermeiras para fazer os exames em mim, mas viram-me usar todas as forças que me restavam para rejeitar a mão de Felipe: — Eu... eu não quero te ver... Saia...

O vazio repentino na palma da mão fez a respiração de Felipe congelar.

— Saia! Saia!

Gritei descontrolada, com a voz trêmula carregando angústia e indignação.

Felipe estancou no lugar.

Uma sensação de perda de chão infiltrou-se a partir da sola de seus pés, e um traço raro de pânico cruzou seu olhar: — Lívia...

— Cof, cof, cof...

Antes que terminasse de falar, comecei a tossir violentamente, e o meu rosto, que já era pálido, ganhou uma leve tonalidade arroxeada.

A enfermeira não teve outra escolha a não ser empurrar o estupefato Felipe para fora: — A paciente não pode sofrer fortes emoções. Por favor, os familiares aguardem do lado de fora.

Naquele momento, Felipe parecia um fantoche, permitindo ser conduzido até o corredor. Restava-lhe apenas observar, através do vidro, a figura de uma mulher que se recusava a lhe dedicar um único olhar.

No segundo seguinte, meus lábios ressecados moveram-se levemente, a enfermeira assentiu com a cabeça e puxou a cortina, fechando a visão.

O olhar dele travou, sentindo como se todo o sangue do corpo tivesse congelado.

Lembrando-se do olhar carregado de ressentimento que acabei de direcionar a ele, seu coração deu um nó terrível, e a dor foi tanta que suas pernas perderam as forças.

Não sei quanto tempo se passou até que a porta do quarto fosse aberta, e de lá de dentro vinha o som abafado do meu choro baixo.

O médico saiu e fechou a porta: — A paciente está temporariamente fora de perigo, mas encontra-se muito agitada no momento. Durante o período de tratamento, os familiares devem tentar ao máximo acalmar as emoções da paciente e evitar qualquer tipo de estresse.

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A fisionomia de Felipe estava um pouco fechada: — Sim.

O médico hesitou por um momento, mas acabou revelando o resultado dos exames.

— Além disso, a coluna dela sofreu uma lesão irreversível, e há chances de que ela desenvolva um quadro de paralisia.

Capítulo 18

As palavras do médico ecoaram nos ouvidos de Felipe como o estrondo de um trovão: — O que o senhor disse?

Ele sabia que a esclerose provocaria a paralisia, mas isso deveria acontecer em três ou cinco anos, jamais agora!

Após respirar fundo algumas vezes, Felipe conseguiu estabilizar as emoções: — Já que o senhor disse que é apenas uma possibilidade, peço que os médicos evitem que essa possibilidade se concretize.

Ao final, ele acrescentou mais uma frase: — Pelo menos não antes que ela mesma sinta que é totalmente incapaz de se colocar de pé.

Ouvindo aquilo, o médico não pôde deixar de sentir uma pontada de surpresa.

Sem mencionar o ressentimento que o colega Samuel nutria por Felipe, pela rejeição que Lívia havia demonstrado agora há pouco, ficava claro que esse homem não era exatamente um bom marido.

Contudo, ele havia permanecido ao lado do leito nesses dois dias sem se afastar um único passo e agora pensava em cada detalhe pelo bem de Lívia; realmente não parecia um homem desprovido de sentimentos.

O tom do médico permaneceu firme: — Fique tranquilo, farei o meu melhor.

Felipe assentiu com a cabeça em sinal de agradecimento.

Ouvindo os passos do médico se distanciarem, ele ergueu a mão para segurar a maçaneta da porta do quarto.

No entanto, a rejeição que Lívia havia demonstrado agora há pouco parecia soar em seus ouvidos.

Em um instante, a coragem para entrar dissipou-se aos poucos, restando apenas um desânimo impotente.

Através da fresta entre as cortinas, era possível ver a pessoa no leito encarar o teto com os olhos cheios de lágrimas, totalmente desprovida de qualquer vestígio de vida.

O coração contraído parecia doer a cada batimento, fazendo Felipe soltar a maçaneta devagar.

— Bipe! Bipe! Bipe!

Ouvindo o som rítmico do monitor cardíaco, meus olhos arderam.

No longo sonho, meus pais ainda estavam vivos, Felipe me amava e o meu filho estava bem e seguro.

Mas um sonho é apenas um sonho; no instante em que acordei e vi Felipe, percebi com sobressalto que, na realidade, eu já não tinha mais nada.

Absolutamente nada...

As lágrimas voltaram a rolar, molhando os meus cabelos nas têmporas.

Ao longo de toda a noite, nenhum de nós dois conseguiu dormir.

Assim que amanheceu, fui transferida para um quarto comum.

Ao ver que eu fechava meus olhos avermelhados com uma fisionomia exausta, Felipe permaneceu parado em silêncio do lado de fora da porta.

Nesse momento, Daniel aproximou-se.

Ele estendeu o documento que trazia nas mãos: — Diretor Felipe, este é o novo relatório que o gerente do departamento financeiro organizou ontem à noite.

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Felipe lançou um olhar para a figura adormecida de Lívia, fechou a porta do quarto com cuidado e só então abriu o arquivo.

Uma folha de papel com uma imensa área destacada em vermelho indicando desfalques.

Um total de dez milhões havia saído de diferentes projetos e sido transferido para uma conta privada.

Como a movimentação ocorreu após o fechamento contábil, havia sido muito difícil de detectar.

Observando o rosto de Felipe ficar cada vez mais fechado, Daniel ajeitou os óculos com cuidado: — O homem que ligou para a Mirella ontem se chama Carlos, é corretor de uma seguradora, e ainda não temos informações precisas sobre o nível de relacionamento dele com a Mirella.

— E onde está a Mirella?

— Está temporariamente detida na delegacia.

Felipe fixava os olhos nos dados da conta, com o rosto frio como gelo.

Dez milhões não representavam uma grande quantia para ele, mas Mirella havia violado seus limites éticos, especialmente ao tentar atingir Lívia de forma intencional.

Após um silêncio, ele devolveu o documento para Daniel: — Deixe que ela saia de lá.

Ao ouvir aquilo, Daniel ficou sem entender.

O crime que Mirella havia cometido era desvio de verbas públicas, uma infração grave que poderia resultar em prisão perpétua. Além disso, Felipe sempre foi do tipo que cobrava cada dívida; como podia deixá-la ir tão facilmente?

Felipe parecia saber o que passava na mente de Daniel, abrindo os lábios finos: — Aproxime-se.

Daniel deu um passo à frente, e Felipe falou algumas palavras perto de seu ouvido, fazendo o olhar do secretário demonstrar surpresa imediata.

Contudo, encarando a expressão implacável e resoluta do chefe, ele não pôde deixar de sentir um calafrio por Mirella: — Sim, senhor. Entendido.

Dito isso, Daniel virou-se e saiu.

Felipe massageou o espaço entre as sobrancelhas exaurido e virou o rosto em direção à porta do quarto.

Lívia quase não havia ingerido alimentos; quando acordasse daqui a pouco, com certeza sentiria fome.

Pensando dessa forma, ele apressou-se em descer as escadas para comprar algo para ela comer.

No quarto de hospital.

Eu, que recém havia pegado no sono, despertei assustada com uma imagem totalmente ensanguentada no sonho.

No momento em que eu me sentia perdida, a porta do quarto foi empurrada.

Pensando que se tratava de Felipe, eu já me preparava para mandá-lo sair, mas travei os movimentos ao virar o rosto: — Samuel?

Capítulo 19

Samuel, vestindo seu jaleco branco e carregando uma fita térmica com um pote de comida, entrou no quarto e sentou-se calmamente: — Quando eu estava voltando para casa ontem à noite, o doutor Carlos me disse que você tinha acordado. Então, preparei uma sopa de peixe para você. Beba enquanto está quente.

Enquanto falava, ele notou que minha testa estava coberta de suor frio e que meus olhos ainda carregavam um pânico residual.

Teve outro pesadelo, não foi...

Um traço de dor cortou o olhar de Samuel, e ele serviu uma tigela da sopa fumegante.

O aroma intenso e fresco não despertou o meu apetite. Balancei a cabeça: — Obrigada, mas não consigo comer...

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