localização atual: Novela Mágica Moderno Entre o Silêncio e a Redenção Capítulo 10

《Entre o Silêncio e a Redenção》Capítulo 10

PUBLICIDADE

Mirella demonstrou um traço de pânico nos olhos, tentando disfarçar rapidamente com uma postura inocente: — Aconteceu um problema com a minha mãe, eu não tive tempo de falar com você, por isso... por isso...

A desculpa esfarrapada travou em sua boca, e Felipe manteve-se em silêncio absoluto, adotando uma postura relaxada que parecia apreciar o sofrimento do réu antes da execução.

Vendo Mirella balbuciar por muito tempo sem conseguir formular uma frase, ele fez um sinal com os olhos para Daniel ao lado.

Daniel assentiu e jogou a carta de amor diante dela.

Ao ver os caracteres familiares gravados no papel, o olhar de Mirella sofreu um choque.

Felipe apagou o cigarro, levantou-se e aproximou-se passo a passo: — Quando você levou a minha mochila para casa naquele ano, trocou secretamente a carta de amor de Lívia que estava lá dentro?

Mirella tentou conter a respiração descompassada: — Não...

Os olhos de Felipe estreitaram-se levemente, e a linha dos lábios manteve-se rígida.

Como se encontrasse uma brecha para se defender, Mirella levantou-se cambaleante, com os olhos cheios de lágrimas: — Eu sei que você e a Lívia foram colegas de escola, mas nós também não fomos amigos na nossa juventude? Será que apenas porque algo aconteceu com a Lívia, você vai descontar os mal-entendidos de vocês em mim?

Dito isso, ela suavizou o tom de voz, segurando de leve a manga do paletó de Felipe: — Felipe, eu sei que você não me ama, mas eu jamais faria nada que trouxesse tristeza para você. Eu desejo a sua felicidade mais do que qualquer pessoa, incluindo a Lívia; eu também a considerava sinceramente como uma amiga.

A atmosfera permaneceu silenciosa.

Mirella observava tensa o homem calado à sua frente, tentando controlar a expressão facial ao mesmo tempo em que buscava argumentos convincentes na mente.

De repente, o celular no chão começou a tocar, atraindo a atenção de todos na sala.

A tela exibia apenas o nome "Carlos".

A mão de Mirella tremeu, deixando transparecer o pânico.

Sob o sinal visual de Felipe, Daniel recolheu o aparelho do chão.

— Devolva-me!

Mirella avançou por instinto para tentar recuperar o celular, mas foi contida pelos seguranças às suas costas.

Assim que Daniel apertou o botão de atender e ativou o viva-voz, a voz de um homem ecoou alto pela sala de estar: — O serviço de inventar as fofocas difamatórias contra a Lívia eu já terminei faz tempo. Quando é que você vai liberar o pagamento?!

Capítulo 16

A cobrança misturada com queixas fez as pernas de Mirella fraquejarem.

Ela abriu a boca, querendo mandar a pessoa desligar, mas foi contida novamente pelo segurança, que cobriu sua boca, restando-lhe apenas debater-se com os olhos arregalados.

— Alô? Alô? Mirella, estou te avisando: se você não me trouxer os quinhentos mil combinados em três dias, eu não só vou espalhar por aí que foi você quem inventou os boatos contra a Lívia, como também vou jogar no ventilador os desvios que você fez na contabilidade da empresa do Felipe!

PUBLICIDADE

O homem despejou as ameaças e desligou na mesma hora.

Seguiu-se um silêncio absoluto, quebrado apenas pela respiração trêmula de Mirella.

Diante do olhar afiado de Felipe, ela balançava a cabeça em desespero, tentando se desvincular daquelas palavras.

Felipe ergueu a mão de leve, e o segurança a soltou.

— Felipe, eu não o conheço, não faço a menor ideia do que ele está falando! Acredite em mim...

Mirella segurava a barra do paletó dele, com as lágrimas rolando como chuva.

Felipe olhava para ela, com a voz carregando uma frieza que parecia perfurar a carne e os ossos: — Aquela foto foi você quem mandou tirar escondido?

O rosto de Mirella ficou lívido, e as palavras de negação subitamente travaram em sua garganta.

— Toque, toque, toque!

A porta entreaberta foi batida, e um homem vestindo uniforme de entregador observava a situação na sala com nervosismo: — Por... por favor, o senhor Felipe está?

Talvez porque a situação parecesse bizarra demais, ele gaguejava um pouco: — Is... isso aqui é o brinde do anel de diamante que o senhor encomendou para a senhorita Mirella...

Ao ouvir aquilo, Felipe uniu as sobrancelhas com força.

Quando foi que ele havia encomendado um anel de diamante para Mirella?

Percebendo que um olhar sombrio e gélido havia recaído sobre si, o entregador tratou de colocar a caixa de presente no chão imediatamente: — Da outra vez, aquela senhorita pediu para eu entregar na sede da empresa, mas já que o senhor está em casa, vou deixar aqui mesmo.

Dito isso, ele deu meia-volta e saiu sem olhar para trás.

Mirella já não tinha mais coragem de encarar Felipe, mas sua boca ainda insistia em dizer: — Felipe, ouça a minha explicação, as coisas não... não são como você está pensando...

Antes que terminasse de falar, seu maxilar foi agarrado com extrema força.

O último resquício de paciência de Felipe havia se esgotado por completo: — O que eu mais odeio nesta vida é gente sonsa e hipócrita. Especialmente idiotas que continuam teimosas mesmo depois de terem suas máscaras arrancadas.

A pressão avassaladora fez as pernas de Mirella cederem: — Não, eu não fiz...

No instante em que ele soltou a mão, ela desabou no chão com um baque seco.

Felipe ajeitava os punhos da camisa, olhando-a de cima com desdém: — Mirella, já que você teve a audácia de fazer essas coisas, deveria ter a coragem de arcar com as consequências.

Como se estivesse proferindo a sentença final, ele se afastou a passos largos.

O coração de Mirella despencou: — Felipe... Felipe!

Subitamente, sua visão foi bloqueada por Daniel.

Daniel, que antes costumava ser razoavelmente cortês com ela, exibia um olhar de total indiferença: — Senhorita Mirella, acho melhor deixar para dar suas explicações na delegacia.

O céu estava cinzento, e os fios de chuva embaçavam os vidros do carro.

Felipe entrou no veículo, mas demorou a dar a partida.

PUBLICIDADE

Apoiado no encosto do banco, sua mente confusa não parava de repassar a imagem de Lívia coberta de lágrimas.

A dor surda em seu peito fez a mão que segurava o volante se fechar devagar, deixando os nós dos dedos brancos.

Depois de um bom tempo, Felipe finalmente ligou o carro e dirigiu em direção ao hospital.

No hospital.

Após concluir a ronda pelos quartos, Samuel dirigiu-se à UTI. Ele ouviu da enfermeira de plantão que Felipe havia passado a noite inteira vigiando do lado de fora do quarto, mas que agora ninguém sabia onde ele estava.

No leito, Lívia continuava inconsciente.

Ele ergueu a mão e tocou os fios de cabelo na testa dela, com um cuidado que carregava um carinho impossível de ocultar.

Por algum motivo, por um instante ele sentiu que, se Lívia continuasse dormindo daquela forma, talvez fosse o melhor desfecho.

Sem o baque da paralisia, sem precisar testemunhar a própria morte com os próprios olhos e, acima de tudo, sem ter que encarar Felipe, o homem que a havia ferido tão profundamente...

Samuel estancou por um segundo e logo se sentiu contrariado com os próprios pensamentos.

O que afinal ele estava pensando? O que deveria desejar não era que ela recuperasse a saúde o quanto antes?

De repente, a voz límpida e cortante de Felipe veio de trás.

— O doutor Samuel pelo visto ainda não perdeu o hábito de se intrometer com a esposa dos outros.

Samuel recolheu a mão com naturalidade e virou-se.

Encarando diretamente o olhar sombrio e hostil de Felipe!

Capítulo 17

Após um momento de silêncio, uma enfermeira aproximou-se e parou do lado de fora do quarto.

Ela olhou para Felipe e fez um sinal para Samuel: — Doutor Samuel, o paciente do leito 28 está com o quadro um pouco instável.

Samuel respondeu: — Entendido, estou indo para lá agora.

Dizendo isso, ele passou direto por Felipe e se afastou.

Quando seu olhar pousou sobre Lívia, os olhos de Felipe finalmente suavizaram.

Sem tempo para se importar com o desentendimento com Samuel, ele sentou-se ao lado da cama e segurou de leve a mão dela, que finalmente apresentava um traço de calor.

Ao longo de todo o caminho, o pedido de desculpas que ele havia planejado rondou sua boca por muito tempo, mas agora ele não conseguia pronunciar uma única palavra.

Talvez ela não pudesse ouvir, ou talvez simplesmente jamais o perdoaria.

Ao lembrar-se daquela criança que foi anunciado ter perdido os batimentos cardíacos ainda no útero e que foi retirada às pressas, seu coração sofreu uma contração violenta.

No fim das contas, toda a culpa era dele.

Erguendo a mão de Lívia para colá-la à própria bochecha, Felipe pronunciou com a voz embargada: — Desculpe...

A noite caiu.

O prédio da internação mergulhou novamente no silêncio, com as enfermeiras de plantão transitando entre as salas para checar o estado dos pacientes.

No leito, os dedos de Lívia esboçaram um movimento.

Minha consciência, que parecia flutuar pesadamente em um oceano, foi despertando aos poucos.

Abri os olhos devagar. A iluminação amarelada e suave não era forte, mas ainda assim me fez fechar um pouco os olhos por reflexo.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia