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《Entre o Silêncio e a Redenção》Capítulo 9

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Na véspera do casamento com Lívia, anos atrás, ele havia encontrado aquilo por acaso em uma mochila guardada na caixa de velharias. O encantamento inicial cessou abruptamente ao ler o texto repleto do nome "Samuel".

Vendo a expressão de Felipe ficar cada vez mais fechada, Daniel mal ousava respirar.

Depois de muito tempo, o outro guardou a carta de volta no envelope e a estendeu: — Leve isso para uma perícia grafotécnica e me entregue o resultado o quanto antes.

Daniel recebeu o papel estupefato.

— Adie os meus compromissos dos próximos dias. Deixarei os assuntos do trabalho temporariamente sob a responsabilidade do vice-presidente. Se houver documentos urgentes, envie-os digitalmente e eu mesmo os analisarei.

Ouvindo Felipe falar dessa forma, ele fez menção de argumentar, mas acabou recuando diante do olhar cortante do chefe.

— Entendido, diretor Felipe.

Daniel assentiu e virou-se para sair.

Mergulhado no silêncio novamente, o vazio acompanhado por uma pontada de dor envolveu o coração de Felipe.

Ele tocou a superfície da foto de Lívia e, após um bom tempo, digitou o termo "Esclerose Lateral Amiotrófica" na barra de buscas do computador.

No segundo seguinte, a tela cheia com o estado deplorável dos pacientes fez suas pupilas se contrairem abruptamente!

Capítulo 14

Os pacientes nas camas de hospital exibiam membros magros como gravetos, as bochechas pálidas profundamente encovadas e os olhos vazios, desprovidos de qualquer vestígio de vida.

"A doença incurável mais cruel do que o câncer: 80% dos pacientes falecem em cinco anos!"

As palavras afiadas cortaram o olhar de Felipe como lâminas, e a sensação de dor fez sua respiração falhar.

De repente, o rosto de cada paciente parecia se transformar nas feições de Lívia.

Em um dia qualquer no futuro, ela também estaria como esses enfermos, incapaz de se mover, testemunhando a própria caminhada em direção à morte a cada dia.

Com um som seco, o notebook foi fechado com violência.

Felipe apoiou-se no encosto da cadeira respirando sôfrego, como se ele próprio fosse o paciente necessitando de tratamento.

Olhando para o sorriso saudável e corado de Lívia na foto, uma dor que se contraía aos poucos perfurou seu peito.

Após o estrondo de alguns trovões distantes, a chuva subitamente se intensificou, e o frio da neve que derretia infiltrou-se no ar.

Muito tempo depois, Felipe guardou a foto no bolso interno do paletó, levantou-se, pegou o casaco e saiu.

No hospital.

Já passava da meia-noite, e o corredor trazia apenas o som dos passos das enfermeiras de plantão.

O medicamento no tubo de soro pingava em silêncio, e o odor forte de desinfetante preenchia cada canto da UTI.

Felipe sentou-se ao lado da cama de hospital, fixando os olhos no rosto pálido de Lívia.

Já havia esquecido quando foi a última vez que olhou para ela com tanta atenção; lembrava-se apenas de que, naquela época, ela trazia no rosto um sorriso caloroso como o sol, e seus olhos guardavam um brilho que lembrava estrelas.

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Segurando aquela mão franzina, o toque gélido fez seu pomo de Adão se contrair.

Ele achava que suas próprias mãos já eram frias o suficiente...

Felipe conteve a dor amarga no íntimo, erguendo a mão para tocar de leve a bochecha de Lívia: — Quando você acordar, nós...

A voz rouca cessou e, após um longo tempo, não continuou mais.

No silêncio, ouvia-se apenas o sinal das linhas oscilantes do monitor cardíaco.

Sob a iluminação fraca, uma lágrima escorreu pelo canto do olho de Lívia.

No dia seguinte.

— Diretor Felipe? Diretor Felipe?

O tom de voz contido de Daniel despertou Felipe de um cochilo na cadeira do corredor.

Antes que ele recuperasse totalmente a lucidez, seu corpo moveu-se por puro instinto em direção ao vidro de observação para checar o estado de Lívia.

Ela continuava deitada ali, enquanto uma enfermeira trocava o frasco de soro.

Com o olhar um pouco mais sombrio, Felipe massageou as têmporas: — O que houve?

Daniel estendeu um documento impresso com o termo "Laudo Pericial": — O resultado da perícia chegou. A caligrafia na carta não pertence à senhora.

Ao ouvir aquilo, a fisionomia de Felipe escureceu.

Retirando o laudo de dentro do envelope, a parte superior exibia imagens comparativas das escritas.

Do lado esquerdo estava a letra de Lívia nos planos de aula; do lado direito, a letra na carta de amor.

Com os caracteres ampliados, as diferenças tornavam-se evidentes. Em comparação com a carta de amor, a escrita nos planos de aula era mais fluida e firme.

Ele uniu as sobrancelhas com força, analisando os episódios da época do término da escola.

A carta de amor havia sido colocada na mochila no dia da saída do colégio após os exames finais, e na porta de saída ele cruzou com Mirella, que morava no mesmo condomínio.

Como ele precisava ir ao hospital visitar a avó doente, ela se ofereceu para levar a mochila dele para casa...

Mirella?

O olhar de Felipe escureceu gradualmente.

Confirmando que o estado atual de Lívia permanecia estável, ele virou-se e caminhou a passos largos para fora do hospital.

Daniel apressou-se em segui-lo.

— Faça com que Mirella me encontre na mansão em uma hora.

Ouvindo o comando, o rosto de Daniel mudou ligeiramente de cor: — Diretor Felipe, a gerente Mirella apresentou a carta de demissão logo cedo hoje. Eu ainda não havia tido a oportunidade de informá-lo...

Felipe estancou os passos, e seu olhar subitamente frio trouxe uma pressão sufocante: — Em uma hora, quero vê-la.

Encarando aquele olhar de gelo, Daniel sentiu um calafrio na espinha: — Sim, senhor...

A neve nas vias havia sido derretida em grande parte pela chuva que caiu a noite toda, e o gelo remanescente nos galhos pingava água.

No estacionamento do aeroporto, um carro esportivo vermelho muito chamativo parou lentamente.

Usando máscara e óculos escuros, Mirella desceu do veículo, retirou a mala de viagem do porta-malas às pressas e preparou-se para caminhar em direção ao saguão de embarque.

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Mas, assim que se virou, sua visão escureceu.

Dois homens engravatados bloquearam o caminho à sua frente.

Mirella estancou, perplexa: — Quem são vocês? O que querem fazer?

— Alguém deseja vê-la. Venha conosco.

Antes que pudesse esboçar qualquer reação, teve a boca coberta e foi arrastada para dentro do Maybach estacionado ao lado.

Capítulo 15

Na mansão.

Um feixe de sol iluminava o quarto perfeitamente arrumado, e Felipe observava o vazio diante de si.

Em toda a residência, não havia o menor vestígio dos pertences de Lívia.

Restavam apenas os remédios estomacais sobre a mesa de cabeceira que ele costumava ignorar, servindo como única prova de que uma mulher que se importava com ele já havia habitado aquele lugar.

O sentimento de vazio cada vez mais denso preenchia seu íntimo, pressionando seus pensamentos em uma confusão mental.

De repente, o celular tocou.

Era Daniel.

Felipe atendeu a chamada e ouviu o secretário relatar: — Diretor Felipe, encontramos a pessoa. Estamos chegando.

Ouvindo a informação, a rara melancolia no fundo de seus olhos foi instantaneamente substituída por uma rigidez gélida: — Entendido.

Ele realmente queria ouvir a explicação sobre se Mirella havia tocado na carta de amor naquela época e o motivo de estar saindo com tanta pressa agora.

O vento do fim de inverno parecia carregar lâminas, cortando os galhos secos das árvores nas ruas.

Observando a paisagem retroceder através da janela do carro, o coração de Mirella parecia prestes a saltar pela boca.

Aquele era o caminho em direção à casa de Felipe.

O pânico aumentava, acompanhado por um arrependimento imenso por ter tentado fugir daquela forma desajeitada.

Mas, ao lembrar-se do olhar infernal do homem, seu instinto básico era tentar se esconder.

Com o rosto pálido, Mirella esboçou um sorriso forçado: — Senhores, teriam a bondade de me deixar descer do carro? Quanto dinheiro vocês querem? Eu posso pagar qualquer quantia!

Contudo, a tentativa de negociação resultou apenas na indiferença dos homens.

Pouco depois, o veículo parou em frente à entrada da mansão.

Sem pronunciar uma única palavra, os dois homens arrastaram Mirella para dentro da casa.

— Ploft!

Ela foi jogada com força no chão, e o celular escapou de seu bolso com o impacto.

Antes que pudesse sentir a dor física, o aroma de tabaco e menta que invadiu suas narinas funcionou como uma imensa mão, apertando firmemente sua garganta.

Erguendo a cabeça, o coração que já estava acelerado despencou no abismo, e sua voz tremeu: — Felipe...

O homem estava sentado no sofá de costas para a janela, impedindo que se visse sua expressão em meio à sombra opressiva.

A brasa do cigarro entre seus dedos brilhava como uma pequena flor alaranjada; ele soltou uma fumaça, e suas pupilas escuras transmitiam um brilho gélido através do vapor.

Naquele momento, mesmo sem fazer nada, ele era capaz de despertar um temor profundo nas pessoas.

— Estou muito curioso para saber que assunto urgente faria você sair com tanta pressa, a ponto de nem sequer consultar a mim, o presidente.

O tom de voz de Felipe permanecia indiferente como sempre.

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