localização atual: Novela Mágica Moderno Entre o Silêncio e a Redenção Capítulo 7

《Entre o Silêncio e a Redenção》Capítulo 7

PUBLICIDADE

Todas as minhas entranhas pareciam ter sido esmagadas pela culpa, tornando até o ato de respirar imensamente difícil: — Mãe, a Liv voltou para casa...

Se o céu pudesse ouvir a voz do arrependimento de alguém, eu teria milhares de frases de remorso, desejando acima de tudo que tudo não passasse de um sonho.

E que, ao acordar, minha mãe ainda estivesse aqui, eu não tivesse a esclerose, e Felipe continuasse a ser apenas aquele jovem distante e inacessível...

Essa noite estava destinada a ser um suplício.

Segurei o casaco bem apertado e permaneci sentada sozinha até o amanhecer.

O sino das oito da manhã badalou, e finalmente me levantei para me arrumar. Em seguida, saí de casa e peguei um táxi em direção à mansão onde morava com Felipe.

Devido à neve intensa dos últimos três dias, uma camada espessa cobria a entrada da casa, sem nenhuma marca de passos.

Caminhei pisando na neve, empurrei a porta, e o vazio me atingiu em cheio.

Ao entrar no quarto, parecia que eu ainda conseguia sentir o aroma residual do cigarro de menta dele.

Os remédios estomacais que preparei para Felipe sobre a mesa de cabeceira continuavam intactos como sempre e, no guarda-roupa, as vestes de nós dois estavam rigidamente separadas em dois lados.

Senti um nó na garganta.

Claramente éramos marido e mulher, e já estivemos intimamente conectados, mas do início ao fim eu nunca consegui entrar no coração de Felipe.

Que ridículo.

Comecei a recolher meus pertences e, quando terminei de arrumar tudo, percebi que viver ali por quatro anos resultava em algo que cabia perfeitamente em uma única mala de viagem.

Olhei ao redor e não senti o menor sentimento de pertença.

Ou talvez aquele lugar nunca tivesse pertencido a mim...

Fechei a porta e saí arrastando a mala.

Olhei para trás uma última vez. A paisagem estava totalmente coberta de branco, e as marcas dos meus passos solitários feriam o olhar. Esperei um momento antes de pegar o celular e discar o número gravado no meu coração.

— Tu... tu...

Desta vez, a ligação chamou apenas uma vez e foi atendida: — O que foi?

A voz do homem continuava fria, mas eu já não me importava, indo direto ao ponto: — Vamos nos encontrar às dez da manhã em frente ao cartório.

Houve um silêncio absoluto.

Depois de um longo tempo, a voz de Felipe ressoou novamente: — Conversamos sobre isso quando você receber alta do hospital.

Ao ouvir aquilo, meu olhar exibiu um traço de deboche.

Ele ainda achava que eu estava no hospital?

Veja como esse homem deixava explícito o quanto não se importava.

— Felipe, eu não quero mais esperar. — Chamando-o pelo nome completo pela primeira vez, percebi que até a minha voz parecia estranha. — Minha mãe faleceu. O último desejo dela é que nós dois nos divorciemos.

Capítulo 11

Dito isso, desliguei a chamada imediatamente.

PUBLICIDADE

Em dez anos, foi a primeira vez que desliguei o telefone na cara de Felipe por iniciativa própria.

Poucos minutos depois, Felipe enviou uma mensagem de questionamento inédita: 【Onde você está agora?】

Lançando um olhar desatento para a tela, desliguei o celular.

O meu coração, que já havia sido completamente esvaziado, jamais conseguiria recuperar o entusiasmo e a expectativa de antes.

Continuei a caminhar arrastando a mala, integrando-me aos poucos à multidão que ia e vinha.

A neve intensa que caía há dias finalmente havia parado.

Parei em um cruzamento, erguendo os olhos para encarar o raro calor do sol.

Quatro anos atrás, quando reencontrei Felipe, também era um dia ensolarado de inverno. Infelizmente, eu não sabia naquela época que, às vezes, conseguir o que se quer traz uma dor dilacerante...

A dor amarga no peito fez meus olhos arderem, e precisei respirar fundo para conter a emoção.

Nesse momento, um grito desesperado ecoou do outro lado da rua: — Filho, volta aqui!

Ergui a cabeça.

Uma mulher exibia uma expressão de puro pânico no lado oposto, com o olhar aterrorizado fixo em um garotinho no meio da avenida tentando pegar um balão.

Acompanhado pelo som estridente de uma buzina, o menino olhou confuso para o carro que avançava em alta velocidade.

— Cuidado!

Antes que a mente pudesse processar, meu corpo correu para a frente por puro instinto e empurrou o garotinho.

— Ploft!

O estrondo violento ecoou pela avenida, rasgando o coração de cada pedestre que assistia à cena e gritava, vendo aquele corpo magro ser arremessado com o impacto!

Enquanto girava pelo ar, senti como se todos os meus órgãos tivessem sido destruídos. Após uma dor insuportável instantânea, perdi os sentidos, e o resto de consciência que me sobrava começou a recapitular minha breve vida.

O balão flutuava para longe diante dos meus olhos e, de forma vaga, pareceu-me ver minha mãe entre as nuvens.

Aquele olhar acolhedor parecia o calor do sol, afastando o frio incrustado na minha carne e no meu sangue. Ergui minha mão ensanguentada com o resto de forças que me restava: — Mãe, a senhora veio me buscar...

— Eu também queria viver bem, mas desta vez não fui obediente... A senhora pode... não brigar comigo...

— Ploft!

O corpo franzino caiu no chão, e uma poça de sangue começou a se espalhar sob ele.

...

Às onze da manhã, em frente ao cartório.

Dentro do carro, Felipe olhava para o relógio de pulso pela sétima vez.

Lívia ainda não havia chegado, e ninguém atendia ao celular. Seu coração, já irritado por causa daquela ligação, foi tomado por uma sensação de frieza.

No instante em que ligou o veículo preparado para ir embora, o celular tocou.

Identificação da chamada: Lívia.

Felipe atendeu imediatamente, comprimindo os lábios finos, mas o tom de voz trazia uma emoção que nem ele mesmo compreendia: — Lívia, se não quer o divórcio, fale claramente. Deixe de joguinhos.

PUBLICIDADE

No entanto, a voz que respondeu do outro lado foi o tom rouco de Samuel: — A Liv sofreu um acidente de carro e está correndo risco de morte. Venha para a sala de emergência do Hospital Central.

Em um instante, uma sensação de queda livre misturada a uma dor aguda envolveu o coração de Felipe.

Acidente de carro? Risco de morte?

Ele nunca havia associado essas palavras a Lívia.

Quando recuperou a razão, Felipe já estava no hospital, de pé em frente à sala de emergência.

Ao ver Samuel parado perto da porta, seu rosto escureceu abruptamente: — Já que você continua vigiando aqui, qual a necessidade de me chamar?

Assim que terminou a frase, recebeu um soco violento diretamente no rosto.

— Felipe, eu já deveria ter te dado esse soco há quatro anos!

Toda a compostura de anos desapareceu, e Samuel parecia desejar esmagá-lo: — A Liv te amou por dez anos inteiros. Por sua causa ela perdeu o bebê, não conseguiu ver a mãe pela última vez e agora está prestes a perder a própria vida. Como você pôde pisar no amor dela dessa forma?!

No corredor silencioso, a atmosfera pareceu ficar dez vezes mais pesada de repente.

Felipe limpou o sangue no canto da boca com o rosto fechado, mantendo um olhar gélido que trazia um traço raro de deboche: — Ela me ama? Então como você explica que ela vivia correndo para o hospital atrás de você e chegou a engravidar de um filho seu?!

— No ano em que terminamos a escola, a carta de declaração que ela colocou na minha mochila por engano estava assinada com o seu nome!

Perto da escada, Mirella, que havia vindo para acompanhar a situação, travou os passos, sentindo uma culpa imensa que a impedia de se aproximar.

A carta de declaração...

Naquele ano, ela havia trocado secretamente a carta de Lívia. Ela ainda se lembrava da frieza no olhar de Felipe ao ver a assinatura... Mas ninguém havia tocado no assunto por tantos anos, por que ele estava lembrando disso agora?

— Canalha!

Samuel ficou furioso com as palavras de Felipe e avançou para desferir outro soco: — A Liv teve a pior das sortes ao cruzar o caminho de um monstro desprezível como você!

Desta vez, no entanto, Felipe esquivou-se com frieza: — Ficou irritado porque a verdade veio à tona?

A convicção nas palavras dele feriu até mesmo o coração de Samuel.

Ele mal conseguia imaginar com que sentimento Lívia suportava tamanha injustiça...

Sem avançar novamente, ele apenas olhou com os olhos avermelhados para a luz vermelha da sala de emergência, dizendo em tom lamentável: — Aquela carta de declaração, eu vi com meus próprios olhos quando ela terminou de escrever e colocou na sua mochila. Qual a necessidade de mentir para pisar nos sentimentos sinceros dela?

— O bebê também era seu. O hospital tem amostras de sangue do feto; se não acredita, pode fazer um exame de DNA. Por fim, o motivo de ela sempre vir ao hospital...

Ele fez uma pausa, virando o rosto devagar para encarar Felipe, pronunciando palavra por palavra: — É porque ela foi diagnosticada com Esclerose Lateral Amiotrófica! Ela apenas queria viver por mais alguns dias!

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia