localização atual: Novela Mágica Fantasia A Noiva do Dragão Tirano: Marcada pelo Fogo Capítulo 2: Olhos de Ouro e Fogo

《A Noiva do Dragão Tirano: Marcada pelo Fogo》Capítulo 2: Olhos de Ouro e Fogo

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O ar que entrou na carruagem não era apenas quente; era sufocante, impregnado com o cheiro opressor de enxofre e cinzas antigas. A chuva que caía torrencialmente segundos atrás evaporava antes mesmo de tocar o chão ao redor do veículo, criando uma cortina de névoa fervente.

Lyra tossiu, cobrindo o nariz com a manga da capa cinzenta. Quando a fumaça começou a baixar, ela finalmente conseguiu enxergar a clareira onde a carruagem havia parado. O cenário era devastador. As árvores altas da fronteira de Solaria estavam partidas ao meio, algumas com os troncos ainda acesos em brasa, estalando sob o impacto do calor repentino. Os guardas humanos que antes a escoltavam haviam sumido, deixando para trás apenas escudos jogados na lama e marcas de botas em fuga desesperada.

No centro da clareira, erguia-se a criatura.

Lyra paralisou, o fôlego travado na garganta. As histórias que ouvira na infância não faziam justiça à realidade. O dragão era uma montanha de escamas negras e lustrosas, tão escuras que pareciam engolir a pouca luz que restava no dia. Suas asas imensas, membranosas como as de um morcego, estavam parcialmente abertas, criando sombras gigantescas sobre a terra arrasada. Garras afiadas como adagas de guerra cavavam a lama, e cada respiração que saía de suas narinas vinha acompanhada de pequenas lufadas de fumaça cinzenta.

O guarda de Solaria, que continuava de joelhos ao lado de Lyra, soltou um soluço agudo e urinou nas próprias calças de puro pavor.

O dragão moveu a cabeça colossal. O movimento foi lento, quase entediado, mas carregava uma majestade terrível. Aqueles olhos gigantescos e reptilianos varreram o local até que, de repente, as asas começaram a se fechar contra o corpo.

O que aconteceu em seguida fez os olhos de Lyra se arregalarem.

As escamas negras começaram a se retrair, derretendo-se para dentro da pele em um brilho fosco. A silhueta imensa começou a encolher, as asas se transformando em um manto de escuridão que parecia se moldar ao redor de uma nova forma. Em questão de segundos, a besta imensa deu lugar a um homem.

Ele caminhou para fora da névoa de vapor, e cada passo dele parecia fazer a terra tremer sutilmente.

Kaelen era alto, muito mais alto do que qualquer soldado que Lyra já conhecera em Solaria. Ele vestia uma camisa de seda preta entreaberta no peito, revelando uma pele bronzeada e a musculatura rígida de um guerreiro. Calças escuras de alfaiataria e botas de couro militar completavam sua figura. O cabelo dele, negro como as asas que acabara de recolher, estava desalinhado pela tempestade, com alguns fios caindo de forma rebelde sobre a testa.

Mas o que realmente paralisou Lyra foi o rosto dele. Era de uma beleza cruel e aristocrática, com um maxilar quadrado tão afiado que parecia esculpido em pedra. Ele não tinha rugas, não tinha imperfeições. Parecia uma divindade sombria que esquecera o significado da palavra misericórdia.

Kaelen parou a poucos metros da carruagem destruída. Ele ignorou completamente o guarda que chorava no chão e fixou seu olhar na abertura onde a porta costumava estar.

Quando os olhares se cruzaram, Lyra sentiu um choque elétrico percorrer sua espinha.

Os olhos dele não eram humanos. Eram duas fendas verticais pretas, cercadas por uma íris de um dourado-fogo absoluto. Olhos de ouro puro. Naquele exato momento, o peito de Kaelen — por baixo da camisa entreaberta — brilhou sutilmente com uma runa incandescente. Lyra sentiu uma queimação repentina e inexplicável no próprio peito, bem onde guardava seu frasco de ervas.

O Rei dos Dragões Negros franziu o cenho, o maxilar travando com força. Ele deu um passo à frente, os olhos dourados brilhando com uma intensidade avassaladora, focados inteiramente em Lyra, como se o resto do mundo tivesse deixado de existir.

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