《Rejeitando o Destino: Minha Nova Vida Fora da Mansão》Capítulo 6

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"Você está... falando sério?"

Um sorriso brando desenhou-se nas feições dele.

"Por acaso eu tenho cara de quem está brincando?"

Céus!

O quanto esse garoto ansiava por ter mais uma irmã?

Eu estava simplesmente sem palavras.

"Contudo, você acha que a tia Vasconcelos daria o consentimento?"

"É apenas a questão de acrescentar mais um prato à mesa, por que razão ela recusaria?"

Somente o jovem herdeiro da família Vasconcelos seria capaz de proferir uma frase com tamanha leveza.

Eu tinha plena consciência da imensa fortuna da família.

Mas acolher uma criança envolvia uma complexidade que ia muito além de um prato extra à mesa.

Não fazia muito tempo que eu fora adotada, e a tia Vasconcelos já havia me matriculado em nada menos do que seis ou sete cursos extracurriculares de elite.

Tudo aquilo demandava quantias financeiras expressivas.

De qualquer forma, se Stella realmente conseguisse se mudar para a residência dos Vasconcelos, seria sem dúvida uma excelente alternativa.

De repente, Davi pareceu lembrar-se de algo e direcionou um olhar inquisitivo em minha direção.

"Há algo que eu gostaria de te perguntar."

"O que foi?"

"Por qual motivo você nunca me chama de irmão? Sempre se dirige a mim como Davi."

Senti minhas bochechas arderem de forma súbita.

Seria impossível revelar a ele que minha mente jamais conseguiria tratar um garoto de apenas oito anos como um irmão mais velho.

"Por acaso você insistiu tanto em adotar irmãs apenas pelo capricho de ser chamado de irmão?"

"Com certeza, esse é o meu objetivo."

Fiquei sem saber o que responder.

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Embora as palavras de Davi fizessem parecer algo simples, ele precisou insistir pacientemente com a tia Vasconcelos por uma semana inteira.

A tia Vasconcelos finalmente cedeu, comprometendo-se a sondar as intenções da família Albuquerque de forma discreta.

Se eles demonstrassem abertura, ela iniciaria os trâmites legais para a transferência da adoção.

Contudo, o desfecho foi totalmente desfavorável; os Albuquerque recusaram a proposta de imediato.

A Senhora Albuquerque justificou dizendo que, embora Isadora estivesse demonstrando crises de ciúmes nos últimos dias devido à nova presença na casa.

Toda a família vinha conversando abertamente com a filha biológica para contornar a situação.

Segundo ela, Isadora já havia compreendido a gravidade de seus erros e prometera empenhar-se em manter uma convivência harmoniosa com Stella de agora em diante.

A tia Vasconcelos enfrentou uma situação extremamente constrangedora e retornou para casa de mãos vazias.

Ela ainda direcionou uma advertência severa a Davi por sua insistência.

Diante do posicionamento irredutível dos Albuquerque, ficou evidente que aquela alternativa estava descartada.

Restou-me apenas orientar Stella para que, caso Isadora voltasse a agredi-la, ela corresse imediatamente até a residência dos Vasconcelos para me procurar.

Talvez Isadora realmente tivesse assimilado os conselhos de seus pais.

Pois, a partir dali, raramente voltei a testemunhar episódios de Stella sendo colocada para fora de casa.

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Sob uma análise puramente lógica, cursar o ensino fundamental pela segunda vez deveria se traduzir em uma rotina massiva e tediosa para mim.

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O que se mostrou surpreendente.

Foi o fato de eu não experimentar o menor vestígio de tédio; pelo contrário, eu desfrutava intensamente daquela calmaria e simplicidade cotidianas.

Pois eu carregava a sabedoria.

De que o tempo avança de forma implacável, como o galope de um corcel veloz.

A existência humana, na realidade, é um sopro extremamente breve.

Cada amanhecer, cada milésimo de segundo, deve ser vivenciado com profunda gratidão e leveza.

E a realidade confirmou essa percepção.

Em um piscar de olhos, eu já ingressava no ensino médio.

Em comparação com os anos anteriores, a rotina do ensino médio mostrava-se consideravelmente mais atribulada e exigente.

Ainda assim, mantendo o controle da situação, eu conduzia minhas obrigações com total fluidez.

"Nossa, eu vejo você devorando romances no celular o tempo todo, e mesmo assim o seu nome lidera o topo da lista no exame bimestral. Você é simplesmente perfeita, uma verdadeira lenda dos estudos."

Ao término das aulas, após vislumbrar a tela do meu aparelho celular, Stella balançou a cabeça em sinal de total admiração.

Bloqueei a tela do dispositivo e respondi com a expressão mais séria do mundo: "Na minha condição de alguém que regressou no tempo, se eu não conseguisse superar o desempenho acadêmico de vocês, meras crianças, seria um verdadeiro fiasco profissional."

"Você realmente mergulhou fundo nessa fantasia literária."

Caminhamos lado a lado em direção ao portão de saída da instituição.

"Ué, onde está o automóvel da sua família hoje?"

"Terei que pegar o transporte público para voltar para casa hoje."

"E o Davi permitiu que você andasse de ônibus sozinha?"

"E por qual razão ele não permitiria?"

"Ele não vive sob o temor constante de que você cruze com algum importunador em transporte público ou no metrô, a ponto de nunca te deixar retornar desacompanhada?"

"O Davi viajou para a cidade vizinha nos últimos dois dias para participar de uma olimpíada de física, e o motorista precisou retornar ao seu vilarejo natal devido ao falecimento de um familiar idoso."

Stella soltou um murmúrio de compreensão.

"Com razão."

As aulas do ensino médio estendiam-se até mais tarde por padrão.

Quando finalmente alcançamos a entrada do Condomínio Vista Alegre, a escuridão da noite já havia tomado conta de todo o cenário.

Eu e Stella vínhamos imersas em uma discussão sobre uma animação que fazia sucesso recentemente, quando fomos interrompidas pelo ronco abafado de um motor potente.

No segundo seguinte.

Uma motocicleta interceptou nossa trajetória, estacionando abruptamente bem diante de nós.

Uma jovem desembarcou do assento traseiro.

A saia de seu uniforme escolar exibia um comprimento excessivamente curto, denunciando que a barra havia sido cortada de propósito.

Suas mechas capilares exibiam uma mistura bizarra e caótica de tonalidades entre vermelho, verde, azul e roxo.

Era Isadora.

Após trocar um beijo rápido com o rapaz de estilo rebelde que pilotava a moto.

O veículo arrancou em alta velocidade, desaparecendo na escuridão.

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Isadora retirou uma peruca preta de dentro de sua mochila, utilizando-a para camuflar a cabeleira multicolorida.

Em seguida, removeu o casaco do uniforme e amarrou-o ao redor da cintura, ocultando as pernas que estavam totalmente expostas.

Ao notar a minha presença e a de Stella, Isadora lançou-nos um olhar repleto de puro desdém.

"Se você ousar dar com a língua nos dentes para a minha mãe, considerer-se-á uma pessoa morta."

Aquela ameaça foi direcionada especificamente a Stella.

Aguardamos até que a silhueta dela desaparecesse na distância.

Foi quando perguntei:

"Aquele rapaz de agora há pouco era o namorado dela?"

Stella balançou a cabeça negativamente.

"Não faço a menor ideia."

Durante o processo de seleção para o ensino médio, Isadora não obteve a pontuação necessária para ingressar na escola principal da nossa instituição.

O Senhor Albuquerque utilizou de sua influência financeira para garantir uma vaga para ela em um colégio particular de elite.

Por esse motivo, ela não compartilhava o mesmo ambiente escolar que eu e Stella.

Minha mente viajou de volta às memórias do destino de Isadora na vida passada.

Abandono dos estudos aos quatorze anos, seduzida por um marginal aos quinze, maternidade aos dezesseis e a perda de um rim aos dezessete ao trabalhar longe de casa.

Atualmente ela contava com quinze anos; embora não tivesse interrompido a vida escolar, já se encontrava envolvida romanticamente com aquele piloto rebelde.

Sob o avanço desse curso de ações...

Balancei a cabeça de forma sutil, censurando-me por dispersar pensamentos com assuntos alheios à minha realidade.

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Davi não se encontrava em casa naqueles dias.

Ao redor da mesa de jantar, estávamos apenas eu, a tia Vasconcelos e o tio Vasconcelos.

Os compromissos profissionais do tio Vasconcelos costumavam consumir todo o seu tempo, tornando a presença dele naquela refeição noturna um acontecimento raro.

Seguindo o protocolo habitual, ele questionou-me sobre o andamento dos meus estudos e as notas obtidas no último exame bimestral.

A tia Vasconcelos, por sua vez, nunca demonstrou rigidez quanto ao meu desempenho acadêmico; sua atenção concentrava-se em garantir que meus recursos financeiros fossem abundantes, efetuando uma transferência expressiva para a minha conta logo em seguida.

Após a refeição, recebi uma ligação de Stella, que avisou que viria até a minha residência em breve para resolvermos as tarefas escolares juntas.

Cinco minutos mais tarde, ela retornou a ligação informando o cancelamento do plano, justificando que Isadora havia exigido que ela realizasse a entrega de um casaco.

"Que história é essa de entregar casaco?"

"Um casaco de inverno bem grosso. Ela saiu para se divertir com alguns amigos e esqueceu a vestimenta, agora está exigindo de forma autoritária que eu vá levar o casaco até ela imediatamente."

"Compreendo, então não ficarei aguardando por você."

"Combinado, conversamos depois."

Concluí minhas tarefas escolares, dediquei algum tempo assistindo a vídeos no celular e me preparava para o banho noturno.

Quando a Dona Maria subiu as escadas e bateu à porta do meu quarto, avisando que havia uma visita me aguardando no andar inferior.

Caminhei em direção ao térreo.

E deparei-me com a fisionomia de Henrique.

Ao notar que eu descia desacompanhada, ele direcionou o olhar por trás dos meus ombros por puro instinto, antes de questionar:

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