《Rejeitando o Destino: Minha Nova Vida Fora da Mansão》Capítulo 2

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Estudar nunca foi um obstáculo para mim.

Quando chegasse ao ensino fundamental e médio, eu poderia dar aulas particulares e aceitar pequenos trabalhos informais.

Ganhando meu próprio sustento, terminar a universidade seria perfeitamente viável.

Ao projetar esse cenário, o temor pelo futuro dissipou-se.

Fiz as pazes com a ideia de viver no orfanato por um longo período.

Contudo, o que eu não esperava era que, apenas duas semanas depois, o abrigo receberia a visita de mais três pessoas inesperadas.

4

Na manhã de um sábado.

A monitora reuniu urgentemente todas as crianças na sala de convivência.

Esse tipo de convocação geralmente significava apenas uma coisa: uma nova família adotiva estava prestes a chegar.

Como previsto.

Pouco tempo depois, a diretora entrou no recinto acompanhada por um casal jovem.

As crianças alinharam-se imediatamente, mantendo a postura ereta.

Cada pequeno rosto exalava uma expectativa brilhante ao encarar o casal de aparência extremamente sofisticada e atraente na entrada.

Todos ali torciam silenciosamente para ser o próximo felizardo, assim como Stella havia sido.

Apenas eu, ao reconhecer a fisionomia daquele jovem casal, senti um vislumbre de puro espanto.

O que eles estavam fazendo ali?

Será que...

No instante seguinte, meus olhos cruzaram com um rosto familiar.

Davi.

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Minha mente vacilou por um instante.

Involuntariamente, as lembranças da minha vida passada começaram a emergir.

Pouco tempo depois de ter sido adotada pelos Albuquerque, saí para caminhar e fui vista por alguns garotos que moravam no mesmo condomínio fechado.

Ao descobrirem que eu era a nova irmã de Henrique, todos acharam a novidade fascinante.

Eles me cercaram em um instante, disputando minha atenção e perguntando se eu não gostaria de ir para a casa deles ser irmã deles também.

Davi era um daqueles meninos.

Naturalmente, não dei ouvidos às brincadeiras deles.

Aquele grupo de rapazes lamentou bastante o meu distanciamento.

Especialmente Davi, cuja frustração ficou estampada em seu rosto.

Soube mais tarde que, ao voltar para casa naquele dia, ele importunou persistentemente os pais, exigindo que eles lhe dessem uma irmã de qualquer maneira.

Vitos à exaustão pela insistência do filho, os pais dele não tiveram alternativa senão visitar o orfanato de onde eu viera, na tentativa de adotar uma menina para Davi.

No entanto, por razões desconhecidas, a adoção acabou não se concretizando na época.

Ao conectar os fatos.

Compreendi exatamente o que estava acontecendo.

Nesta linha temporal, Davi provavelmente cruzara com Stella pelo condomínio.

E, tomado pelo mesmo desejo de antes, importunara os pais até convencê-los a vir até aqui para buscar uma irmã para ele.

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Recordando-me de que a tentativa de adoção da família Vasconcelos havia falhado no passado.

Decidi caminhar silenciosamente até o canto mais afastado da parede, mantendo-me discreta.

Era realmente inacreditável.

Eu estava diante da versão infantil de Davi mais uma vez.

Na minha vida anterior, nunca fomos extremamente íntimos.

Mas por compartilharmos o mesmo condomínio de luxo e pelo fato de Davi ser colega de classe de Henrique.

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Nós mantínhamos uma convivência cordial, quase como conhecidos de longa data.

Uma das lembranças mais nítidas que guardava dele remontava ao meu último ano do colégio, justamente no período em que Isadora retornara para a mansão.

Originalmente, os Albuquerque planejavam me enviar para o Reino Unido logo após a minha formatura.

A chegada de Isadora fez com que eles cancelassem sumariamente esses planos.

Consciente da minha nova realidade, decidi me inscrever em uma universidade local na Cidade A.

Surpreendentemente, Davi, que na época já cursava o ensino superior no Reino Unido junto com Henrique, soube da minha situação e fez questão de me ligar do exterior, oferecendo-se explicitamente para arcar com todos os custos dos meus estudos na Europa.

A proposta me pareceu completamente absurda na ocasião.

Afinal, não éramos tão próximos e manter uma vida estudantil no exterior exigia uma quantia astronômica.

Eu jamais aceitaria contrair uma dívida de gratidão tão imensa com um quase estranho, de modo que recusei a oferta prontamente.

Para minha surpresa, alguns dias depois, ele pegou um voo de volta ao país apenas para tentar me convencer pessoalmente mais uma vez.

Mantive minha recusa, mas fiz questão de lhe agradecer com toda a sinceridade do meu coração.

Por essa razão, na minha memória, Davi sempre figurou como um dos poucos rapazes daquela elite aristocrática que possuía um coração genuinamente generoso e altruísta.

7

Enquanto meus pensamentos divagavam longe.

Uma voz infantil ecoou em meus ouvidos.

"Ei, qual é o seu nome?"

Levantei os olhos.

Olhei fixamente para o garotinho de sobrancelhas marcantes e olhos brilhantes diante de mim, que não era muito mais alto do que eu.

Após um longo silêncio.

"Letícia", respondi.

Davi abriu um grande sorriso, que iluminou seu rosto.

Em seguida, como se tivesse acabado de descobrir um tesouro valioso, ele se virou radiante e gritou para a Senhora Vasconcelos, que vinha logo atrás:

"Mamãe, eu quero essa irmãzinha!"

8

O desenrolar dos fatos foi completamente inesperado.

Fui adotada pela família Vasconcelos.

Quando o carro cruzou os portões daquele condomínio fechado que me era tão familiar, eu ainda estava em transe.

Que estranho!

Na vida anterior, a família Vasconcelos realmente tinha ido ao orfanato, mas a adoção acabou não se concretizando no final das contas.

Davi nunca teve irmã nenhuma.

Por que desta vez houve esse desvio no destino?

Será que porque eu mudei o curso da história, a vida das outras pessoas também acabou sofrendo alterações?

Seria isso?

"O que achou deste quarto? Tem uma varanda e dá para ver o lago."

"Se não gostar, pode ir ver o meu quarto. É um pouco maior do que este e também tem varanda. Se preferir, eu troco com você."

Davi transbordava entusiasmo.

Tanto que me senti até um pouco encabulada com tanta recepção.

O quanto esse garoto queria uma irmãzinha?

Naturalmente, eu não ousaria tomar o quarto dele e apressei-me em dizer que aquele ali já era perfeito.

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"Ah, você está com fome? Posso te levar para comer alguma coisa lá fora. Tem uma feira noturna ali perto com muitas coisas gostosas."

Balancei a cabeça negativamente.

Davi não se deu por vencido, com seus olhos negros e brilhantes girando pensativos.

"Você quer jogar videogame? Ou prefere montar um quebra-cabeça? Eu te ensino."

Eu jamais imaginaria.

Que o Davi, quando criança, fosse um tagarela sem fim.

Diante de tanta insistência afetuosa.

Eu estava prestes a ceder e aceitar o convite dele quando...

"Davi, deixe a Letícia descansar um pouco. Amanhã ela precisa ir para a escola nova e se adaptar ao novo ambiente."

A Senhora Vasconcelos aproximou-se, interrompendo-o no momento exato.

Davi despediu-se a contragosto, olhando para trás a cada passo. Ao chegar à porta, lembrou-se de algo e recomendou:

"Descanse bem, amanhã cedo eu venho te acordar."

Depois que Davi saiu.

A Senhora Vasconcelos segurou minha mão com carinho e me levou até o armário, mostrando onde ficavam as toalhas e os pijamas.

Talvez temendo que eu ainda não soubesse ler, ela me acompanhou até o banheiro para me ensinar a distinguir o sabonete líquido do xampu.

"Letícia, de agora em diante faça deste lugar a sua casa. Veja o Davi como seu irmão mais velho, e considere a mim e ao Senhor Vasconcelos como seus pais, tudo bem?"

"Claro que, se não se sentir confortável em nos chamar de pai e mãe, pode nos chamar de tio e tia, não tem problema nenhum."

Talvez pelo fato de minha idade mental ser de vinte e cinco anos.

Eu realmente não conseguia chamar aquela mulher, que não era muito mais velha do que eu internamente, de mãe.

Por um momento, fiquei sem saber o que dizer.

A Senhora Vasconcelos não se importou. Pelo contrário, ela se agachou, tocou meu rosto com carinho e sorriu.

"Não tem problema nenhum se não conseguir falar agora. Vamos tomar um banho primeiro, dormir cedo e amanhã vamos conhecer a sua nova escola, combinado?"

Naquele instante.

Ela não parecia uma mãe.

Assemelhava-se, na verdade, a uma irmã mais velha, doce e protetora, que milagrosamente acalmou a sutil insegurança que habitava o fundo do meu coração.

9

No dia seguinte.

A Senhora Vasconcelos me levou para fazer a matrícula na nova escola.

Que também fora a minha escola na vida passada.

No meu primeiro dia de aula, cruzei com Stella no corredor.

Nós duas estávamos no primeiro ano, e a sala dela ficava bem ao lado da minha.

Ao me ver, Stella ficou extremamente surpresa.

"Letícia, é você mesma! O que está fazendo aqui?"

Tive apenas que lhe contar que fora adotada pela família Vasconcelos e que agora também morava no Condomínio Vista Alegre.

Stella ficou radiante.

"Sério? Que maravilha! Então quer dizer que vamos poder brincar juntas de agora em diante?"

Ao ouvir aquilo.

Fiquei em silêncio por instinto, sem responder de imediato.

Afinal de contas, na minha situação atual, eu realmente não queria nenhum tipo de envolvimento com as pessoas ligadas à família Albuquerque.

Exatamente nesse momento, Stella pareceu avistar alguém. Ela acenou com entusiasmo e gritou animada:

"Irmão!"

Virei-me para olhar.

E então.

Avistei Henrique.

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