《Rejeitando o Destino: Minha Nova Vida Fora da Mansão》Capítulo 1

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O décimo segundo ano desde que fui adotada pela família Albuquerque.

A filha biológica finalmente voltou.

Ao saberem que ela havia passado todos esses anos sofrendo e vivendo na miséria, meus pais adotivos começaram a nutrir um profundo ressentimento contra mim.

Eles planejaram me expulsar da mansão, mas foram impedidos a tempo por meu irmão.

Quatro anos depois.

Henrique escolheu se casar comigo.

O que eu jamais imaginaria era que ele fizera isso apenas para me torturar.

"Isadora sofreu por tantos anos. Letícia, você deve passar o resto da sua vida pagando por isso."

No terceiro ano de casamento, tivemos uma briga violenta.

Num ataque de fúria, Henrique me abandonou no acostamento da rodovia, o que me levou à morte em um trágico engarrafamento seguido por um acidente de carro em cadeia.

Quando abri os olhos novamente, percebi que estava de volta ao orfanato.

E ali, diante de mim, vi mais uma vez aquele casal jovem e elegante.

Fiquei paralisada, em choque.

Até que uma garotinha ao meu lado tampou o nariz com desdém e gritou a plenos pulmões:

"Diretora, a Letícia urinou nas calças! Que nojo!"

1

Sim.

Eu tinha urinado nas calças.

Conforme o líquido quente escorria pelas minhas pernas e se espalhava pelo chão.

As crianças ao redor começaram a se aglomerar para zombar de mim, cobrindo a boca e rindo sem parar.

O clamor rapidamente chamou a atenção da diretora e daquele jovem casal impecavelmente vestido.

A monitora do abrigo correu em minha direção, com as sobrancelhas severamente franzidas.

"Letícia, o que significa isso?"

Mantive a cabeça baixa, em silêncio.

Sem alternativa, ela me puxou apressadamente em direção ao dormitório para trocar de roupa.

Depois de colocar roupas limpas, murmurei com a voz fraca:

"Tia Lúcia, minha barriga está doendo um pouco. Posso não descer?"

A monitora franziu ainda mais o cenho.

"Aquele homem lá embaixo é o herdeiro do Grupo Albuquerque. Ele veio hoje para escolher uma de vocês para ser sua filha. Todos devem estar presentes. Seja obediente e desça comigo."

De volta ao saguão principal.

Todas as crianças já estavam devidamente perfiladas.

O casal Albuquerque, acompanhado de perto pela diretora, avaliava atentamente os órfãos de diferentes estaturas.

Caminhando ao lado do casal, um garotinho vestindo uma camisa preta e com um olhar altivo e rebelde chamou minha atenção: era Henrique.

"Querida, o que aconteceu com a sua mão?"

A Senhora Albuquerque, que fora minha mãe na vida passada, parou exatamente na minha frente, repetindo o mesmo gesto de outrora.

Afastei a manga da blusa, enquanto o sangue escorria pelo meu nariz.

Eu havia batido o nariz de propósito contra o corrimão de madeira enquanto descia as escadas.

"Por que você está sangrando?" ela perguntou com genuína preocupação.

Balancei a cabeça negativamente.

"Não sei, mas isso sempre acontece comigo."

A mesma garotinha de antes intrometeu-se na conversa com entusiasmo: "Dona, foi ela quem acabou de fazer xixi nas próprias calças."

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Ao ouvir aquilo, a Senhora Albuquerque me olhou com uma ponta de lamentação e pena.

Henrique permanecia ao lado dela.

Seu olhar frio e indiferente passou por mim por um breve segundo antes de se desviar.

Com apenas oito anos de idade, ele já possuía feições marcantes e refinadas.

Todo o seu ser exalava uma aura de nobreza e distanciamento.

Parecia que ele pertencia a um mundo completamente diferente daquele em que nós, crianças cobertas de poeira, vivíamos.

No final das contas.

A família Albuquerque escolheu outra menina que tinha mais ou menos a minha idade.

Seu nome era Stella.

Era evidente o quanto ela estava radiante e saltitante de alegria, embora também demonstrasse um vislumbre de nervosismo.

Seus olhos estavam fixos naquela família que parecia ter caído do céu.

Uma mãe linda e elegante, um pai extraordinário e um irmão mais velho charmoso e imponente.

Os olhos daquela garotinha transbordavam com as mais belas ilusões sobre o futuro.

Exatamente como eu na minha vida passada.

2

Na vida anterior, a menina adotada pela família Albuquerque fui eu.

Naquela época, fazia exatamente um ano que a verdadeira filha biológica, Isadora, havia desaparecido.

A Senhora Albuquerque adoeceu de tanta tristeza, passando os dias mergulhada em lágrimas.

A família contratou um místico, que afirmou que Isadora ainda estava viva neste mundo.

O homem aconselhou a Senhora Albuquerque a não se entregar à melancolia profunda, caso contrário, o sofrimento consumiria sua saúde e destruiria suas forças vitais.

Além disso, chorar dia e noite causaria danos severos à sua visão.

Se eles adotassem uma menina e a tratassem com todo o amor do mundo, talvez esse ato de bondade pudesse acumular bênçãos e guiar a verdadeira herdeira de volta para casa.

A família seguiu o conselho à risca e foi imediatamente ao orfanato para adotar uma menina da mesma idade da filha desaparecida: eu.

E, a partir de então, passaram a me criar como a joia mais preciosa daquela casa.

Talvez as bênçãos realmente tenham sido alcançadas.

Contudo, elas chegaram um pouco tarde demais.

Foi somente no meu décimo segundo ano com a família, quando completei dezoito anos, que Isadora finalmente foi encontrada.

Como era de se esperar, a mansão inteira foi tomada por uma euforia imensa.

A Senhora Albuquerque desabou em lágrimas de felicidade ao abraçar a filha biológica tanto tempo perdida.

No entanto.

Ao descobrirem que Isadora havia abandonado os estudos aos quatorze anos, fora enganada e seduzida aos quinze, dera à luz aos dezesseis e tivera um rim cirurgicamente removido após cair em um golpe ao trabalhar longe de casa aos dezessete.

A Senhora Albuquerque ficou completamente horrorizada.

Logo em seguida, uma nuvem de profunda melancolia se abateu sobre os Albuquerque.

Eles jamais poderiam imaginar que a doce e delicada princesinha de treze anos atrás retornaria para eles naquele estado tão fragilizado e negligenciado.

Afinal de contas, a vida dela estava apenas começando.

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Inutilmente, os olhos de todos se voltaram para mim, a filha adotiva.

Tendo a mesma idade de Isadora.

Eu era saudável, cheia de vida, radiante e refinada.

Graças à imensa fortuna dos Albuquerque, eu sabia tocar piano, dançar balé, praticar esgrima e patinação no gelo com maestria, além de ser fluente em quatro idiomas e manter notas impecáveis na escola.

Assim que terminasse o último ano do colégio, eu partiria para estudar na renomada Universidade Brown, no Reino Unido.

Cada uma dessas conquistas funcionava como um punhal cravado no peito dos meus pais adotivos.

A filha de sangue deles havia suportado abusos e sofrimentos imensuráveis no mundo exterior, enquanto a filha adotiva desfrutava de uma vida mansa, colhendo o bom e o melhor dentro de sua própria casa.

Após refletir sobre a situação, a Senhora Albuquerque me procurou e declarou abertamente que não financiaria mais meus estudos no exterior.

Mais do que isso, ela expressou o desejo de que eu me mudasse da mansão o mais rápido possível.

Segundo ela, a minha mera presença fazia com que Isadora se sentisse profundamente infeliz desde que retornara.

Apesar da dor dilacerante de me afastar da única família que conhecia, aceitei as condições de minha mãe sem hesitar.

As tragédias de Isadora não haviam sido causadas por mim, mas diante dela, eu não conseguia evitar um sentimento de culpa avassalador.

Pois a verdade era que eu só havia entrado para aquela família por causa dela.

E fora por causa dela que desfrutei de doze anos de uma vida livre de preocupações.

Agora que a verdadeira senhorita da casa estava de volta.

Eu não tinha mais nenhuma justificativa para permanecer ali.

Entretanto, apenas três meses após a minha mudança da mansão.

Henrique, que na época estudava no Reino Unido, retornou às pressas para o país e, de forma extremamente autoritária e intransigente, me trouxe de volta.

Em seguida, ele usou toda a sua influência para convencer nossos pais a permitirem que eu ficasse na mansão.

Ao ver a insistência ferrenha do filho, o Senhor Albuquerque cedeu e permitiu minha permanência.

Eu não conseguia compreender os motivos de Henrique.

Cheguei a acreditar que ele valorizava os laços da nossa infância mútua e que não suportava ver a irmã adotiva ser descartada daquela maneira pela família.

Mesmo que eu insistisse repetidamente que a decisão de me mudar havia sido minha, e não por imposição de nossos pais, Henrique recusava-se terminantemente a me deixar partir.

No fim, por causa de sua oposição implacável, continuei na mansão.

Naquela época, eu jamais poderia prever que essa única escolha selaria o nosso relacionamento com um desfecho tão trágico.

3

Assim que a comitiva dos Albuquerque cruzou os portões do orfanato, soltei um suspiro profundo de alívio.

Nesta vida, eu não queria manter absolutamente nenhum tipo de vínculo com aquela família.

Pensando bem, permanecer no abrigo não era uma alternativa ruim.

Embora meu corpo físico tivesse apenas seis anos, minha mente operava com a maturidade de uma adulta de vinte e cinco anos.

Eu conhecia as regras básicas de sobrevivência.

O que me daria uma enorme vantagem para evitar que outras crianças me intimidassem.

Além disso, meu desempenho acadêmico na vida passada havia sido brilhante.

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