Fiquei atônita.
— Você... acredita?
— Eu não sei se isso foi realmente um sonho ou não. — Ele me encarou, com uma emoção profunda contida no olhar. — Mas acredito que você não está inventando isso.
— E mais — ele fez uma pausa, com a voz um tanto rouca —, se realmente existisse essa possibilidade, eu preferiria me levar ao limite agora mesmo do que seguir esse caminho.
Meus olhos se encheram de lágrimas instantaneamente.
— Não diga bobagens.
Lucas levantou a mão, limpando suavemente as lágrimas que eu nem percebi que tinham caído.
Seu movimento era desajeitado, a ponta dos dedos tinha algumas calosidades leves, tocando o canto dos meus olhos com delicadeza.
— Me desculpe.
— Pelo quê?
— Por deixar você sentindo medo sozinha por tanto tempo.
Olhei para ele fixamente, sentindo o peito ser preenchido por algo suave e denso.
Percebi que o mais difícil não era revelar a verdade.
Mas sim, depois de revelar uma parte, finalmente haver alguém disposto a te acolher.
Sem questionamentos, sem evasivas, mas dizendo seriamente: eu acredito.
Funguei e forcei um pequeno sorriso.
— Agora que você já sabe, não pode mais cometer bobagens.
— Sim. — Ele respondeu baixo. — E você também.
Naquela noite, pela primeira vez, deixamos muitas coisas claras.
Embora eu ainda não tivesse dito a palavra "renascimento" diretamente e ele não tivesse insistido em detalhes, algumas das coisas mais importantes já não precisavam ser escondidas.
Por exemplo, ambos sabíamos do que o outro tinha medo.
E ambos sabíamos que precisávamos avançar ainda mais rápido.
No dia seguinte, começou a prova escrita do projeto de intercâmbio.
O local do exame era em outra escola de elite da cidade.
Cheguei cedo e, antes de cruzar o portão, olhei para trás.
Lucas estava parado não muito longe dali e acenou levemente com a cabeça para mim.
— Não fique nervosa.
Sorri: — Você está mais nervoso do que eu.
Ele não negou, apenas disse: — Vou te esperar aqui na porta quando terminar.
Assenti e entrei no local da prova.
No momento em que as folhas foram entregues, fiquei completamente serena.
Leitura, escrita, análise abrangente; a quantidade de questões não era pequena, mas tudo estava dentro do que eu havia preparado. O arrependimento de não ter conseguido partir de verdade na vida passada parecia ter se transformado em força na ponta da caneta.
Terminei toda a prova com foco absoluto.
Ao sair ao meio-dia, o sol estava um pouco ofuscante.
Lucas realmente ainda estava na porta me esperando, segurando uma sacola com pães e leite.
— Como foi?
— Foi bem. — Peguei o leite e sorri. — Devo passar para a próxima etapa.
Ele suspirou de alívio visivelmente: — Que bom.
À tarde, foi a entrevista oral.
Quando chegou a minha vez, parada à porta da sala, foi inevitável sentir um pouco de nervosismo.
Mas, ao abrir a porta e ver os professores sentados lá dentro, meu coração, estranhamente, foi se acalmando.
Eles me perguntaram por que eu queria participar daquele projeto.
Perguntaram o que eu mais desejava ver.
Perguntaram como eu lidaria com um ambiente estranho e com a pressão.
No início, tentei usar as expressões que havia ensaiado, mas, à medida que falava, comecei a expressar meus pensamentos reais.
Disse que queria ver o mundo lá fora, não para provar ser melhor que ninguém, mas apenas para saber o quão longe alguém como eu poderia chegar apenas com esforço.
Disse que, se o ambiente fosse estranho e a pressão fosse grande, eu também sentiria medo.
Mas o medo não era motivo para parar.
Porque alguém precisa dar o primeiro passo para saber se há um caminho à frente.
Ao chegar na última pergunta, uma das professoras levantou o olhar e me encarou com uma expressão muito gentil.
Ela perguntou: — E se esse caminho for muito difícil, tão difícil que muitas pessoas ao seu redor achem que você não deveria segui-lo?
Fiz uma pausa.
Imagens da Alice, da Sra. Duarte, dos boatos, daquela foto e daquele quarto que parecia uma gaiola de ouro na vida passada passaram pela minha mente quase instantaneamente.
Então, levantei a cabeça e respondi de forma suave, mas firme:
— Então, com mais razão ainda, eu seguiria.
— Porque quanto mais eles querem que eu permaneça no mesmo lugar, mais isso prova que este é o caminho certo.
17
Após o término da entrevista, senti como se metade das minhas energias tivesse sido drenada.
Mas aquele cansaço era completamente diferente do anterior.
Não era o sufocamento de estar encurralada, mas sim o cansaço de quem, após dar o máximo de si, finalmente ousa olhar para o que vem adiante.
Ao sair do local do teste, o pôr do sol já estava inclinado.
Lucas ainda me esperava no portão.
Ao me ver, sua primeira frase não foi "como foi a prova?", mas sim: — Coma algo primeiro.
Não contive o riso.
— Por que você sempre tem medo que eu morra de fome?
— Porque você morreria mesmo. — Ele me entregou o sanduíche que acabara de comprar, com um tom casual. — Quando está nervosa, você não cuida nem de si mesma.
Aceitei e dei uma mordida, sentindo meu estômago, que estivera vazio o dia todo, finalmente se estabilizar.
Sentamos em um banco fora da escola e nenhum de nós teve pressa em falar.
O vento soprava, levantando folhas secas do chão; no campo ao longe, alunos corriam e o som do apito ecoava repetidamente.
Depois de um bom tempo, Lucas perguntou: — E desta vez?
Pensei um pouco e disse: — Sinto que foi ainda melhor que a prova escrita.
Um sorriso de alívio finalmente surgiu em seu olhar.
— Então está praticamente garantido.
— Você acredita tanto assim em mim?
— Sim. — Ele fez uma pausa. — Além disso, o seu jeito antes de entrar para o teste hoje parecia o de alguém que estava indo lutar pela própria vida.
Fiquei um pouco sem jeito com o que ele disse, baixei a cabeça para comer o sanduíche e fiquei quieta.
Mas meu coração se agitou levemente.
Era verdade.
Eu realmente fui lutar pela minha vida.
Não no sentido literal, mas para empurrar de volta, pouco a pouco, as coisas que um dia me tiraram o fôlego.
No caminho de volta, meu celular vibrou subitamente.
Era uma mensagem de um número desconhecido.
【Foi bem na prova, não foi?】
Ao ver aquela linha de texto, meu coração afundou instantaneamente.
Não precisava adivinhar para saber que era o Gabriel.
Ele sabia até que eu tinha prova hoje.
Isso significava que ele ainda acompanhava meus passos com clareza.
Aquela sensação de estar sendo vigiada voltou, como fios finos e gelados envolvendo-me silenciosamente.
Lucas percebeu que minha expressão mudou: — Quem é?
Entreguei o celular a ele.
Após ler, ele franziu o cenho bruscamente: — Bloqueia.
Assenti e imediatamente coloquei o número na lista negra.
Mas, apenas dois segundos depois de bloquear, outro número novo enviou:
【Bloquear não adianta.】
【Só quero te lembrar para não ficar alegre demais ultimamente.】
A ponta dos meus dedos esfriou gradualmente.
Lucas, com o rosto rígido, pegou meu celular e bloqueou o novo número também.
— Ele é doente?
Eu disse baixo: — É.
E não era pouco.
Na vida passada, no início eu não entendia por que alguém que claramente tinha tudo sentia um interesse tão forte em torturar e controlar os outros.
Mais tarde compreendi que algumas pessoas, por serem sempre colocadas em pedestais desde pequenas, acabam vendo o "não ter" e a "perda de controle" como estímulos. Quanto mais você não o obedece, mais ele quer te trazer de volta e te prender em suas próprias regras.
Gabriel era esse tipo de pessoa.
O atual talvez ainda não fosse tão louco quanto o da fase final da vida passada.
Mas aquele perigo já começava a dar sinais.
Respirei fundo e guardei o celular: — Vamos ignorá-lo por enquanto.
— Quanto mais ele quer me afetar, menos eu posso me deixar afetar.
Lucas olhou para mim e disse baixo: — De agora em diante, eu atendo o seu celular.
Fiquei surpresa com o que ele disse e, em seguida, não contive um risinho: — Como você vai atender?
— Mostre-me os números desconhecidos primeiro.
— E se for um professor do projeto ligando?
— ...
Ele travou.
Pela primeira vez, vi em seu rosto aquela expressão de quem não sabia bem o que fazer comigo, e meu humor melhorou um pouco.
— Está bem — eu disse suavemente. — Eu tomarei cuidado.
Mas eu não esperava que o tal "lembrete" do Gabriel chegasse tão rápido.
Na tarde do dia seguinte, recebi uma ligação da equipe do projeto de intercâmbio dizendo que meus documentos foram aprovados e que eu já estava entre os candidatos finais. Bastava esperar três dias para sair o ranking geral e fechar a lista.
Isso era para ser uma boa notícia.
Contudo, antes do estudo individual da noite, um post anônimo surgiu subitamente no fórum da escola.