Para ser exata, era uma foto muito parecida com as da outra vida, o suficiente para causar náusea —
A garota na foto usava uma camisola clara, encolhida no canto da cama, pálida e com o olhar aterrorizado. O ângulo da foto era ardiloso; na beirada da cama, era possível ver o pulso de um homem e um relógio de luxo, sugerindo uma intimidade perturbadora.
Não era eu.
Pelo menos, não a eu desta vida.
Mas aquele rosto era claramente sete ou oito vezes parecido com o meu.
Encarei a foto e senti o sangue esfriar pouco a pouco; meus dedos começaram a tremer.
Muitas imagens da vida passada me atingiram como uma maré.
O quarto, a lente da câmera, as roupas que fui forçada a vestir, os registros feitos propositalmente.
Gabriel, às vezes por capricho, tirava fotos minhas de forma desleixada, dizendo que eu ficava "fotogênica" quando chorava e que guardaria para ver depois com calma.
Sempre pensei que aquelas coisas existissem apenas na vida passada.
Mas agora, aquela foto claramente forjada e manipulada era como um golpe de porrete, jogando-me diretamente de volta ao meu pior pesadelo.
As pessoas ao redor já tinham notado.
Sussurros e comentários começaram a surgir.
— O que é isso?
— Não parece ela?
— Não pode ser, ela faz esse tipo de coisa?
Meus ouvidos zumbiam e minha mente ficou em branco.
No segundo seguinte, a foto foi arrancada da minha mão.
Levantei a cabeça bruscamente e vi o Lucas ao lado da minha mesa, com uma expressão péssima.
Sem nem olhar duas vezes, ele dobrou a foto ao meio, rasgou-a em duas partes, e continuou rasgando até que não sobrasse nenhum vestígio do original.
A sala ficou tão silenciosa que se poderia ouvir o cair de uma agulha.
Lucas levantou o olhar, percorreu o ambiente e disse com a voz fria como gelo:
— Quem colocou isso aqui?
Ninguém falou.
— Vou perguntar mais uma vez: quem colocou isso aqui?
Um garoto no fundo, intimidado pelo olhar dele, balançou as mãos apressado: — Não fui eu, acabei de chegar...
Outra garota disse baixo: — Eu vi as amigas da Alice paradas aqui perto da mesa dela agora pouco.
Ao ouvir o nome "Alice", senti-me bizarramente mais calma.
Era ela.
Além dela, ninguém usaria um método tão baixo e cruel.
Ela sabia que me enfrentar diretamente agora não surtiria efeito, então começou a criar boatos, calúnias e a destruir minha reputação.
Até mesmo uma foto com conotação de humilhação sexual ela foi capaz de usar.
Enterrei as unhas na palma da mão, forçando-me a suprimir a náusea e o tremor.
Lucas já estava se virando para sair.
Eu o segurei pelo braço: — Onde você vai?
— Atrás dela.
— Não.
— Por que não? — O olhar dele transbordava uma fúria incontrolável. — Ela chegou a esse ponto e você ainda quer aguentar?
— Não é aguentar — eu disse, olhando para ele. — É que não podemos ir assim.
Se o Lucas fosse atrás da Alice agora, independentemente de encontrar provas ou não, no fim eles seriam acusados de "perda de controle emocional" ou "ódio por amor não correspondido".
E eu continuaria carregando aquela lama sem ser limpa.
Já sofri perdas assim muitas vezes na vida passada.
Não sofreria uma segunda vez.
Respirei fundo e me levantei: — Vamos falar com o professor.
Lucas hesitou por um instante.
Recolhi com cuidado os pedaços de papel restantes; minha voz era leve, mas firme.
— Ela não gosta de manipular a opinião pública?
— Então, desta vez, vamos colocar o assunto às claras.
Na coordenação, após o Professor Souza analisar os fragmentos, seu rosto ficou muito sério.
— Quem fez isso?
Não citei nomes diretamente, apenas disse: — Alguns colegas viram as amigas da Alice perto da minha mesa ao meio-dia.
As veias na têmpora do professor saltaram.
— Absurdo.
— Isso é simplesmente absurdo!
Ele obviamente percebeu a natureza maldosa da foto; não era apenas um boato, era uma humilhação pessoal explícita.
Se nada fosse feito, não seria apenas a reputação de uma aluna na escola que seria destruída, mas também sua saúde mental, que já era frágil.
O diretor de ensino também foi notificado.
A investigação não foi difícil.
Havia câmeras no corredor em frente à sala; embora não mostrassem detalhes das mesas, eram prova suficiente de quem esteve perto do meu lugar e em qual horário. Somando-se aos depoimentos dos colegas, as duas seguidoras da Alice logo entraram em pânico.
Antes do fim das aulas, o caso chegou ao conselho disciplinar.
Alice foi chamada.
Mas, para minha surpresa, o Gabriel também apareceu.
Eu estava parada à porta da sala, vendo-o encostado na parede de forma desleixada; sua expressão não mostrava nenhuma emoção, como se estivesse ali apenas para ver a confusão por curiosidade.
Mas quando o olhar dele encontrou o meu, meu corpo todo tencionou.
Ele notou minha palidez; o brilho em seus olhos mudou levemente e depois ele desviou o olhar para dentro da sala.
Alice estava com os olhos vermelhos, negando: — Não fui eu, não sei de nada.
As duas amigas dela já estavam quase chorando, mas mantinham o silêncio.
Parada à porta, senti-me subitamente exausta.
Esse tipo de drama era sempre igual.
Elas feriam as pessoas sem escrúpulos e, quando o assunto ficava sério, começavam a fingir inocência e injustiça.
O Professor Souza estava muito irritado.
— Vocês têm noção da gravidade disso?
— A escola não é lugar para as brincadeiras de vocês!
Alice mordia os lábios, as lágrimas caíam com facilidade, chorando de forma lamentável.
— Professor, eu realmente não fiz...
Enquanto ela falava, Gabriel, que estava em silêncio do lado de fora, subitamente falou sem pressa:
— Por que está chorando?
Todos olharam para ele.
Ele se empertigou, entrou na sala e fixou o olhar nos pedaços da foto sobre a mesa por dois segundos.
Então, disse calmamente:
— Se já fez, por que ainda finge inocência?
15
O silêncio na sala foi imediato.
Não apenas Alice ficou paralisada, mas até eu hesitei por um momento.
Ninguém esperava que o Gabriel falasse naquele momento e, menos ainda, que sua primeira frase fosse desmascarar a Alice diretamente.
Alice tinha lágrimas presas nos cílios e olhava para ele sem acreditar.
— O que você quer dizer com isso?
A expressão do Gabriel era indiferente, como se estivesse realmente entediado com aquela cena dela.
— Exatamente o que eu disse.
— Não foi você quem mandou colocarem a foto?
O rosto da Alice mudou de cor, e ela negou por instinto: — Eu não fiz isso!
— Ah — Gabriel arqueou levemente as sobrancelhas. — Então foram as suas amigas que agiram por conta própria?
Essa frase foi mais cruel do que dizer diretamente que ela tinha feito.
Era o mesmo que bloquear qualquer rota de fuga.
As duas garotas entraram em pânico na hora; uma delas começou a soluçar: — Não fui eu... eu só, só ajudei —
Assim que as palavras saíram, ela percebeu o erro e seu rosto ficou pálido.
Ninguém ali era bobo.
O diretor de ensino ficou com o rosto fechado: — Então realmente foram vocês?
A garota perdeu totalmente o controle, chorando e dizendo que a Alice estava com raiva e mandou que dessem "uma lição na Linne"; elas pegaram qualquer foto parecida na internet e colocaram na mesa de propósito, não imaginando que a confusão seria tão grande.
O último vestígio de cor sumiu do rosto da Alice.
— Você está mentindo!
— Foi você mesma que —
— Chega! — O diretor bateu com força na mesa. — Calem a boca!
Parada à porta, assistindo àquela farsa, senti apenas náusea.
Não porque a verdade foi revelada.
Mas porque, ao fazerem aquilo, elas realmente nunca pensaram nas consequências.
Acharam divertido, uma forma de extravasar a raiva, de me pisar, de me fazer sentir vergonha.
Quanto ao desespero que uma garota sentiria ao ver uma foto daquelas, se ficaria traumatizada, ou se perderia a oportunidade pela qual lutava — elas simplesmente não se importavam.
Minhas mãos estavam geladas, mas meu coração estava estranhamente calmo.
Porque finalmente não era apenas eu tentando me explicar sozinha.
As provas e o erro delas foram suficientes para expor a situação.
O diretor disciplinar foi chamado, e o caso seguiu para uma punição severa.
Pensei que bastaria seguir os protocolos agora, mas, nesse momento, Alice pareceu enlouquecer e virou-se bruscamente para mim.
— Está satisfeita?
Seus olhos estavam vermelhos; a voz tremia, mas não de tristeza, parecia mais uma perda de controle por ter sido acuada.
— Linne, você deve estar se achando, não é?
— Ver-me passar vergonha, ver o Lucas se voltando contra mim várias vezes por sua causa, e agora até os professores do seu lado... você deve estar muito feliz, não é?
Olhei para ela fixamente, sem dizer nada.
Não por falta de palavras.
É que, neste momento, percebi que certas pessoas não merecem qualquer explicação extra.
Mas Alice não se conformava.