localização atual: Novela Mágica Moderno Renascida: Não Serei Seu Brinquedo Capítulo 11

《Renascida: Não Serei Seu Brinquedo》Capítulo 11

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O corredor ficou em silêncio por um instante.

O rosto da Sra. Duarte mudou levemente e logo ela soltou uma risada fria: — Coagir e subornar? Menina, não use palavras tão pesadas.

— Estou ajudando vocês a reconhecerem a realidade.

— A realidade é — interrompi suavemente — que nem todo mundo está disposto a se curvar só porque você tem dinheiro.

Ela me encarou, e o gelo no seu olhar aumentou visivelmente.

— Você realmente tem uma língua afiada.

— Não é de admirar que tenha deixado minha filha naquele estado.

Não respondi a isso, apenas continuei: — Se a Alice realmente não consegue comer ou voltar para casa por causa do Lucas, quem ela deveria visitar não somos nós, mas um médico.

— Gostar de alguém não é aprisionar a pessoa, nem usar dinheiro para humilhá-la.

— O que a sua família ensinou a ela parece ser apenas "se eu quero, eu tenho que ter".

Assim que as palavras saíram, até o som da respiração no corredor pareceu parar.

Lucas olhou para mim de lado, com o cenho muito franzido, como se temesse que eu estivesse indo longe demais.

Mas eu não queria mais recuar.

Na vida passada eu recuei por tempo demais, até o ponto de quase não conseguir mais me respeitar.

E agora, eu só queria dizer aquelas palavras de forma honesta.

Não era para ganhar uma discussão.

Era apenas para que eles soubessem —

A suposta superioridade deles, o suposto controle sobre tudo, não podia fazer com que todos se calassem de medo.

O rosto da Sra. Duarte fechou-se completamente.

Os dois homens atrás dela, provavelmente motoristas ou seguranças, entreolharam-se sem coragem de intervir.

Após um longo tempo, ela disse entre dentes: — Vocês realmente não sabem o que é bom para vocês.

Eu sorri levemente.

— Talvez seja porque não precisamos da sua aprovação.

— E muito menos do seu dinheiro.

Alguém no corredor soltou uma exclamação de surpresa.

Claramente, o número de vizinhos observando estava aumentando.

A Sra. Duarte provavelmente percebeu que continuar com aquilo só seria mais vergonhoso; após várias mudanças de expressão, ela finalmente se abaixou e pegou o cartão bancário do chão.

Ela se empertigou, olhou primeiro para o rosto do Lucas e depois, lentamente, moveu o olhar para mim.

Aquele olhar era frio o suficiente para congelar.

— Está bem.

— Vocês têm princípios, eu vou me lembrar disso.

— Só não sei se, quando o futuro de vocês sumir e os caminhos se fecharem, vocês ainda conseguirão ser tão teimosos.

Dito isso, ela virou-se e saiu.

O som dos saltos altos nos degraus era agudo, como se estivesse arranhando os nervos de alguém.

Depois que ela e seus acompanhantes partiram totalmente, os vizinhos curiosos também foram se dispersando.

Uma senhora, ao passar, não resistiu em nos olhar duas vezes; parecia querer dizer algo, mas apenas suspirou.

As luzes foram se apagando uma a uma.

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O corredor estreito recuperou o silêncio.

Percebi, com atraso, que a palma da minha mão estava suada e meus dedos tremiam levemente.

Assim que aquela força que me impulsionava se dissipou, senti-me exausta.

Lucas disse baixo: — Vamos entrar para conversar.

De volta ao quarto, assim que fechei a porta, minhas pernas fraquejaram e quase não consegui parar em pé.

Lucas estendeu a mão para me apoiar.

— Por que você quis ser forte desse jeito?

O tom dele não era pesado, trazia até uma ponta de uma rara resignação.

Apoiei-me na porta para me recuperar e olhei para ele: — E eu deveria assistir a ela humilhando você daquele jeito?

Lucas silenciou.

Um momento depois, disse baixo: — Eu não me importo com o que ela diz.

— Mas eu me importo.

Respondi quase instantaneamente.

— Lucas, eu sei que você aguenta. Mas eu não quero que você engula tudo sozinho.

— Com que direito elas pisam na dignidade alheia e ainda acham que é um favor?

— Com que direito?

No fim, minha voz deu uma leve fraquejada.

Lucas olhou para mim, e algo profundo pareceu se agitar em seus olhos.

A mão que segurava meu braço apertou-se levemente.

— Linne.

— Sim?

— No futuro, em momentos assim, não se coloque à frente tão rápido.

Fiquei atônita.

— Por quê?

— Porque se elas realmente enlouquecerem, você será o primeiro alvo.

Ao dizer isso, sua expressão era séria, claramente não era brincadeira.

Fiquei sem palavras.

Lucas baixou o olhar, com a voz rouca: — Eu ser xingado não é nada, mas não quero que você sofra junto.

O quarto ficou extremamente silencioso.

Lá fora, ouvia-se o som de uma moto passando e uma criança reclamando que queria ver desenhos.

Eram sons comuns e cotidianos.

Mas meu peito parecia ter sido atingido por algo pesado, sentindo ondas de ternura e dor.

— Mas você também não é alguém que deveria ser tratado assim por elas — eu disse suavemente.

Lucas olhou para mim e, após um tempo, subitamente levantou a mão e, como naquela madrugada distante, deu tapinhas desajeitados nas minhas costas.

— Eu sei.

— Por isso temos que sair daqui logo.

A visita da Sra. Duarte esta noite tinha exposto toda a situação.

Ela não pararia por ali.

Nem a Alice.

Tínhamos planejado mudar no domingo, mas agora parecia que não deveríamos esperar nem mais um dia.

Levantei a cabeça: — Vamos arrumar tudo esta noite.

Lucas não hesitou: — Está bem.

Naquela noite, quase não dormimos.

Livros antigos, roupas, simulados, panelas, cobertores... tudo o que podia ser levado foi sendo organizado pouco a pouco. Ao juntar tudo, percebi que, afinal, na nossa pobreza de todos esses anos, não tínhamos acumulado muitos bens materiais.

Lucas foi pedir emprestado um triciclo de carga.

Às quatro da manhã, o céu ainda não tinha clareado e todo o beco estava em silêncio. Aproveitamos esse horário para levar as coisas para o novo endereço, viagem após viagem.

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Metade das luzes do poste no bairro antigo estava queimada, e o som das rodas sobre as pedras fazia um ruído rítmico.

Eu seguia atrás segurando uma caixa de livros, com o braço dormente de cansaço, mas com o coração estranhamente em paz.

Parecia uma fuga.

E parecia que estávamos finalmente partindo de verdade.

Na última viagem, o horizonte já começava a clarear.

Paramos no quarto alugado quase vazio e olhamos para aquele pequeno espaço onde vivemos por tanto tempo; ninguém disse nada.

Era muito simples, quente no verão, ventava no inverno e as paredes estavam amareladas, a cozinha era tão pequena que mal dava para se virar.

Mas, afinal, ele abrigou muitos dos nossos anos mais difíceis e mais calmos.

Eu disse suavemente: — Vamos.

Lucas assentiu e fechou a porta para mim.

Quando ouvi o clique da fechadura, tive uma sensação indescritível de estranheza.

Era como se estivesse me despedindo formalmente de uma parte do meu eu do passado.

14

O novo endereço era mais apertado e barulhento do que imaginei.

Desde cedo, ouvia-se o pregão dos vendedores de café da manhã lá embaixo; ao lado, não sabia em qual casa o rádio transmitia as notícias matinais. Pela janela, os fios elétricos se emaranhavam e pombos batiam as asas partindo do telhado oposto, deixando uma fina poeira para trás.

Mas eu, parada à janela, observando aqueles estranhos apressados lá embaixo, senti-me segura pela primeira vez.

Ali, ninguém sabia quem éramos.

Ninguém parava propositalmente para nos avaliar.

No meio da multidão, a pobreza, o cansaço e a pressa tornavam-se as coisas mais comuns do mundo.

Éramos como duas gotas de água fundindo-se em um rio; finalmente, não estávamos mais em evidência.

Após a mudança, eu e o Lucas dormimos apenas duas horas antes de corrermos para a escola.

No caminho, ele comprou leite de soja e pães recheados para mim; dei duas mordidas, mas meu estômago continuava apertado de vazio, embora o cansaço falasse mais alto.

Contudo, assim que cruzei o portão da escola, forcei-me a suprimir toda a exaustão.

Pois nesta semana começariam os testes de competência do projeto de intercâmbio.

Eu não podia falhar logo agora.

Logo após a segunda aula da manhã, fui notificada para buscar o cronograma dos testes na secretaria.

Quando a professora me entregou o papel, sua expressão era razoavelmente gentil; ela até fez questão de dizer: — Prepare-se bem, não se deixe afetar pelas fofocas lá fora.

Peguei o cronograma e senti um leve alento.

Parecia que, internamente, nem todos na escola se curvavam à pressão da família Duarte.

Pelo menos ainda havia professores dispostos a reservar oportunidades para alunos realmente capacitados.

Saindo da secretaria, olhei para o cronograma em minhas mãos: horários, locais e etapas estavam claramente descritos.

Prova escrita, entrevista oral e avaliação de conhecimentos gerais.

Cada passo dependeria apenas do meu próprio esforço para ser superado.

Essa sensação, ao contrário do que se poderia esperar, trouxe-me paz.

Mas essa paz não durou muito.

Ao meio-dia, algo aconteceu na sala.

Alguém colocou uma foto dentro da minha mesa.

Não era uma foto atual.

Era da vida passada.

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