Lucas olhou para ela com frieza: — Fique longe dela.
— Então venha comigo — disse Alice com naturalidade. — Se você vier comigo, eu não encosto nela.
Meu coração afundou.
Hoje ela realmente veio atrás do Lucas.
E parecia que não pretendia mais fingir paciência.
O olhar do Lucas era gélido: — Eu já disse que não.
O sorriso no rosto da Alice finalmente desapareceu.
Ela encarou o Lucas por alguns segundos e depois se virou lentamente para mim.
— Sabe de uma coisa? O que eu mais odeio não é você ficar atrás dele.
— É o fato de você não ter nada para oferecer a ele, mas sempre fazer com que ele aja com todo esse orgulho por sua causa.
Ela não falava rápido, mas cada palavra parecia banhada em malícia.
— Vocês, pobres, gostam tanto assim de usar o sentimento como desculpa?
— Vivem uma vida desastrosa, mas fingem que não precisam de ninguém.
Havia muita gente passando pelo portão da escola, e alguns já começavam a diminuir o passo para observar.
Eu sabia que ela estava fazendo aquilo de propósito.
Ela queria criar um escândalo, queria humilhar o Lucas publicamente e me fazer sentir vergonha.
Na vida passada, ela era assim.
Quando ela estava insatisfeita, não sofria sozinha; ela fazia de tudo para que os outros sofressem mais.
Segurei a alça da mochila e encarei o olhar dela.
— Você tem razão, nós somos pobres.
— Mas ser pobre não é um crime.
— Usar a dificuldade dos outros como ferramenta para humilhá-los é que é o seu problema.
Alice pareceu surpresa por eu ter coragem de responder e soltou uma risada fria.
— Você fala muito bem.
— Então me diga, além de ser um fardo para ele, o que mais você faz?
Aquelas palavras entraram como agulhas.
Porque a eu da vida passada pensou exatamente assim de si mesma inúmeras vezes.
Se não fosse por mim, talvez o Lucas não tivesse caído na armadilha da Alice.
Se não fosse para me ver, talvez o Gabriel não tivesse aumentado as humilhações contra o Lucas tantas vezes.
Se eu não fosse tão inútil, será que tudo seria diferente?
Mas, vivendo isso de novo, eu finalmente entendi —
Culpar a si mesma é o caminho mais fácil e o mais triste.
A verdadeira culpada estava bem ali na minha frente.
Eu olhei para ela com calma: — Pelo menos eu não transformo o fato de gostar de alguém em tortura.
A expressão da Alice mudou bruscamente.
Lucas segurou o meu pulso com força, como se quisesse me impedir de provocá-la ainda mais.
Mas eu não parei.
— Você diz que eu sou um fardo para ele, mas e você?
— Se o Lucas é julgado por sua causa, se o futuro dele é ameaçado e se ele é forçado a se humilhar, você acha que isso prova que você gosta dele ou prova que você o está destruindo?
O ambiente ficou em silêncio absoluto.
Muita gente observava, alguns até pegavam os celulares escondidos.
O rosto da Alice empalideceu e depois ficou vermelho de raiva.
O que ela menos suportava era ter o seu suposto "amor" exposto daquela forma.
Depois de um tempo, ela disse entre dentes:
— Quem você pensa que é para me ensinar a gostar de alguém?
Antes que eu pudesse falar, o Lucas me puxou para trás dele.
Ele encarou a Alice com uma voz baixa e cortante.
— Ela está certa.
— Alice, o que você sente não é amor.
— Você apenas se acostumou a ter tudo do seu jeito e não aceita que alguém não escolha você.
O ar congelou.
Meu coração batia forte, e eu sentia a palma da mão do Lucas tensa.
Mas, ao dizer aquilo, a expressão dele estava mais calma do que nunca.
Como se finalmente tivesse tirado um peso das costas ao dizer o que pensava.
Alice ficou paralisada.
Provavelmente nem ela esperava que o Lucas fosse destruir o orgulho dela de forma tão completa diante de tantas pessoas.
Os olhos dela ficaram marejados em um instante.
Não de tristeza, mas de uma fúria extrema.
— Certo.
Ela assentia, com a voz tremendo.
— Muito bem.
— Lucas, é bom que você não se arrependa do que disse hoje.
Dito isso, ela virou as costas e saiu.
O carro branco partiu rapidamente, e os curiosos no portão da escola foram se dispersando.
Mas eu sabia que aquilo não terminaria ali.
Pelo contrário, aquilo apenas empurrou tudo para uma direção ainda pior e mais inevitável.
Lucas olhou para baixo para me encarar, com a voz um pouco rouca.
— Ficou assustada?
Balancei a cabeça.
— Não.
Eu apenas sentia dor por ele.
Alguém como a Alice, que já era insistente ao ser rejeitada, ficaria louca ao ser desmascarada publicamente.
E as palavras do Lucas foram um rompimento total.
Mas eu também sabia que ele não poderia fingir para sempre.
Algumas coisas precisavam ser ditas.
Apenas o preço viria mais rápido agora.
Eu disse suavemente: — Vamos mudar de casa no fim de semana.
Lucas assentiu: — Está bem.
Ao chegarmos na esquina do beco, o meu celular tocou.
Era uma ligação de um número desconhecido.
Ao atender, ouvi a voz gentil de uma professora de meia-idade.
— Olá, é a aluna Linne?
— Eu sou a professora responsável pelo projeto de intercâmbio estadual.
— Sobre o seu teste de competência, temos alguns materiais que você precisa preparar com antecedência.
Fiquei paralisada no lugar.
Ela continuava falando, mas eu só ouvia um zumbido nos ouvidos.
Aquela era uma confirmação ainda mais concreta que o e-mail.
Significava que eu realmente estava na lista de pré-seleção.
Segurei o celular e levantei a cabeça devagar.
O vento da noite soprava, a luz do poste era amarela e fraca, mas, pela primeira vez, senti que realmente havia uma luz brilhando à frente.
12
Mas a luz nunca cai sobre alguém por acaso.
Se você quer se aproximar dela, precisa correr um pouco mais rápido.
Nos dias seguintes, usei quase todo o tempo que conseguia extrair nos estudos e na preparação dos materiais.
O projeto de intercâmbio exigia não apenas notas, mas também entrevista em inglês, declaração pessoal, histórico de prêmios e avaliações dos professores. Durante o dia eu assistia às aulas, no estudo individual resolvia questões e, ao voltar para o quarto alugado, praticava a conversação repetidamente com o celular antigo até a garganta ficar seca.
Lucas também não ficou parado.
Ele não dizia nada, mas, na verdade, estava mais dedicado do que eu. Todas as manhãs, acordava meia hora mais cedo para copiar em pequenos papéis os materiais em inglês que eu precisava memorizar; após o estudo individual, praticava comigo e, quando encontrávamos uma pronúncia desconhecida, consultava o dicionário, corrigindo sílaba por sílaba.
Às vezes praticávamos até tão tarde que eu me debruçava sobre a mesa, mal conseguindo abrir os olhos.
Lucas então empurrava o leite aquecido e dizia baixo: — Aguente só mais dez minutos.
Eu levantava a cabeça e olhava para o seu perfil magro mas compenetrado sob a luz amarelada, e aquele cansaço subitamente se dissipava.
Esses dias eram muito árduos.
Mas também eram muito reais.
Não era aquele "viver" de estar presa em uma gaiola luxuosa, tendo que observar o humor dos outros até para chorar, mas sim caminhar freneticamente em direção a um objetivo.
Na tarde de sexta-feira, Alice finalmente começou o contra-ataque.
Primeiro, enviou uma mensagem irônica no grupo da turma: 【Algumas pessoas não deveriam pensar que podem mudar de vida só por causa de uma prova; não importa o quão alto um pardal voe, ele nunca se tornará uma fênix.】
Ninguém abaixo ousou responder.
Logo em seguida, boatos começaram a surgir na escola.
Diziam que, para conseguir a vaga de intercâmbio, eu tinha ido procurar professores em particular para usar contatos; diziam que o Lucas estava se envolvendo com pessoas suspeitas fora da escola ultimamente porque queria encontrar um "patrocinador" antecipadamente; houve até quem espalhasse que eu e o Lucas morávamos muito próximos e que nossa relação não era nada pura.
Era óbvio quem tinha soltado essas palavras.
Nojentas, toscas, mas o suficiente para consumir o espírito de alguém.
Durante o intervalo do almoço, fui ao bebedouro e, assim que entrei, ouvi duas garotas cochichando sobre mim.
— É ela? Costuma fingir que é tão pura.
— Quem sabe, ouvi dizer que a Alice ficou naquele estado por causa dela.
— Pois é, homens adoram esse tipo de falsa inocência...
Elas não terminaram de falar, pois me viram.
A cena ficou um tanto constrangedora.
Uma das garotas cerrou os lábios, murmurou um "desculpa" baixo e puxou a outra, saindo apressada.
Fiquei ali parada, abri a torneira e o fluxo de água gelada desceu ruidosamente, refletindo meu rosto um pouco pálido.
Na vida passada, eu temia muito esses boatos.
Porque eu sabia que, uma vez que jogam lama em uma pessoa pobre, é muito difícil limpar.
Os outros não investigariam a verdade, apenas pensariam: oh, então você é apenas isso.