Meu peito subia e descia com força, e eu estava suando na testa.
O Lucas não dizia nada, apenas se mantinha posicionado do lado de fora para me proteger.
Depois de muito tempo, eu disse com a voz rouca: — Eles já começaram a nos seguir.
— É.
— Então temos que mudar de casa ainda mais rápido.
O Lucas olhou para mim: — Você tem alguma ideia?
Comprimi os lábios.
— Eu conheço um lugar onde o aluguel é barato, não é tão longe da escola e o fluxo de moradores é grande; entra e sai muita gente, então não é fácil ser vigiado.
Esse era um lugar que eu ouvi uma diarista comentar por acaso antes de ser presa na vida passada. Ela disse que era um bairro um pouco bagunçado, mas barato, onde muita gente que trabalhava com bicos morava, então estranhos mudando para lá não chamavam atenção.
Naquela época eu só ouvi por ouvir, nunca imaginei que nesta vida essa informação seria a minha salvação.
O Lucas não perguntou como eu conhecia um lugar assim, apenas disse: — Amanhã eu vou lá dar uma olhada.
— Não — neguei imediatamente. — Você ir sozinho é óbvio demais.
Ele franziu a testa: — Você ir é ainda pior.
Pensei um pouco e disse: — Vamos juntos no fim de semana e aproveitamos para levar o que for possível de antemão.
O Lucas assentiu.
Ao chegarmos no nosso bloco, um carro preto estava estacionado na entrada.
Meus passos pararam bruscamente.
Eu reconhecia aquele carro.
Era o modelo que o Gabriel mais usava na vida passada.
Os vidros tinham película e não dava para ver quem estava dentro, mas aquela sensação de opressão familiar até a medula apertou o meu coração instantaneamente.
O Lucas também percebeu; sua expressão ficou gélida e ele me colocou atrás de si.
Alguns segundos depois, o vidro traseiro baixou lentamente.
Era o Gabriel.
Ele estava recostado no banco, segurando um cigarro apagado; seu olhar atravessou a noite e pousou em nós, observando-nos com desleixo.
— Chegaram?
Parecia estar esperando dois conhecidos que se atrasaram.
Eu estava paralisada.
A voz do Lucas soou grave: — O que você veio fazer aqui?
Gabriel o ignorou e fixou o olhar em mim.
— Eu te disse para não pensar em fugir.
— E você não só tenta fugir, como ainda aprendeu a despistar quem te segue.
Minhas unhas se cravaram com força na palma da mão.
Então quem estava nos seguindo agora pouco era mesmo gente dele.
Ele parecia achar tudo aquilo muito divertido; não demonstrava raiva, pelo contrário, deu batidinhas leves na porta do carro e sorriu com indiferença.
— Boa vigilância.
— Infelizmente, vocês ainda são um pouco lentos.
10
Naquele momento, um calafrio percorreu a minha espinha.
Não foi por ter sido pega no flagra.
Mas sim pela expressão do Gabriel.
Ele estava calmo demais, calmo a ponto de parecer sereno, como um caçador observando uma presa que tenta escapar; ele não tinha pressa em atacar, nem medo de perdê-la.
Na vida passada, o que eu mais temia era justamente quando ele ficava assim.
Se ele estivesse com raiva, agindo como louco ou com o rosto frio, pelo menos dava para prever o próximo passo. Mas quando ele sorria assim e falava sem pressa, significava que ele simplesmente não dava a mínima para a sua resistência.
Lucas deu um passo à frente, com a voz dura e fria: — Fique longe dela.
Gabriel finalmente desviou o olhar para ele por um instante, como se só agora tivesse percebido a sua presença.
— Você a protege com unhas e dentes, não é?
— Mas será que consegue protegê-la de verdade?
O punho do Lucas se fechou bruscamente.
Meu coração deu um salto e, por instinto, segurei a manga dele.
Não podia agir por impulso.
Agora não era o momento de um confronto direto com eles.
A família do Gabriel tem dinheiro e poder, e a Alice é a "princesinha" mais famosa da região. Se tivéssemos uma briga aqui embaixo, quem sairia perdendo certamente seríamos nós.
Com a garganta apertada, perguntei: — O que você quer, afinal?
Gabriel olhou para mim, parecendo satisfeito por eu finalmente ter tomado a iniciativa de falar com ele.
— Não quero nada — ele disse com tom desleixado. — Só vim dar um aviso.
— Parem de fazer coisas que me deixem descontente.
Eu quase ri de indignação com aquela frase tão vazia dele.
Com que direito?
Com que direito eles podem interferir na vida dos outros sem qualquer escrúpulo, manipular o futuro e a dignidade de alguém e, no fim, ainda posar como se "vocês me deixaram insatisfeito"?
Encarei-o e disse pausadamente: — Se você está contente ou não, o que isso tem a ver conosco?
Lucas olhou para mim de relance, provavelmente surpreso por eu ter respondido de forma tão direta.
Gabriel também fez uma pausa.
Em seguida, ele soltou uma risada baixa.
— Você realmente tem um gênio forte.
— Lá no terraço, eu achei que você só estivesse sendo teimosa. Agora vejo que realmente não tem medo de me provocar.
Dito isso, ele abriu a porta e saiu do carro.
Na escuridão da noite, ele parecia muito alto, exalando uma pressão natural ao se levantar. No entanto, mantinha aquela postura preguiçosa, como uma fera de grande porte que parece estar cochilando, mas que pode atacar a qualquer momento.
Ele caminhou em nossa direção.
Eu, quase por instinto, recuei meio passo.
O movimento foi minúsculo, mas ele captou.
Gabriel parou, e um brilho de desagrado — ou algo parecido — passou por seus olhos.
— Tem medo de mim, mas vive me provocando.
— Você acha que o Lucas vai ficar na sua frente para sempre?
A voz do Lucas soou extremamente fria: — Tente dar mais um passo para ver.
Gabriel arqueou as sobrancelhas e, para minha surpresa, realmente parou.
Um momento depois, soltou um estalido de língua, como se tivesse perdido o interesse, e guardou as mãos nos bolsos.
— Certo, hoje não vou perder meu tempo com vocês.
— Mas tem algo que eu preciso contar.
Ele desviou o olhar do meu rosto e fixou no Lucas.
— A Alice já falou com o professor de vocês.
— Sobre o projeto de auxílio, a família dela vai continuar vigiando de perto.
— Se você não quer que a sua "amiguinha de infância" sofra junto, é bom pensar bem o quanto antes.
Meu coração afundou subitamente.
Embora eu já suspeitasse, ouvir aquilo foi como ser apertada por uma mão invisível.
O Professor Souza certamente já estava sob pressão.
O rosto do Lucas ficou péssimo em um instante.
— Covardes.
— Covardes? — Gabriel sorriu. — Não adianta guardar essa palavra para nos xingar. Se quer mesmo protegê-la, você precisa ter competência.
Ele pronunciou "competência" com suavidade, mas as palavras soaram como se estivessem esmagando ossos.
A coluna do Lucas estava tensa ao extremo.
E eu percebi, de repente, que o Gabriel não tinha vindo apenas para dar um aviso.
Ele estava provocando o Lucas.
Provocando-o para que reconhecesse a realidade de sua "falta de competência" e, consequentemente, fosse empurrado para o caminho da Alice.
Afinal, um jovem pobre, orgulhoso e que deseja proteger a garota que ama, teme acima de tudo não ter sequer o direito de resistir.
O Lucas da vida passada foi perdendo sua essência aos poucos justamente por causa desse tipo de pressão.
Ao pensar nisso, o frio no meu coração transformou-se em raiva.
Dei meio passo à frente e olhei fixamente para o Gabriel.
— Você acha que venceram com isso?
Gabriel me olhou de cima, com um ar de diversão.
Eu disse baixinho: — Pessoas sem competência de verdade são aquelas que só conseguem provar o próprio valor dependendo da família, de contatos e da opressão aos outros.
— Você e a Alice são exatamente iguais.
O ar congelou instantaneamente.
O vento soprou na entrada do prédio, levantando um pouco de poeira; estava tão silencioso que até o latido de um cão distante parecia nítido.
O sorriso no rosto do Gabriel finalmente desapareceu.
Ele me encarou com olhos escuros e frios.
— Repita o que você disse.
Eu sabia que tinha pesado a mão.
Mas não me arrependi nem um pouco.
— Eu disse — encarei o olhar dele com a voz firme — que, além de abusar do poder para intimidar os outros, que competência vocês têm?
No segundo seguinte, o Lucas me puxou para trás de si.
Pois o Gabriel já vinha avançando na nossa direção.
A tensão chegou ao limite.
Mas, nesse exato momento, ouviu-se o som pesado de uma porta se abrindo no andar de cima. Alguém colocou a cabeça para fora e gritou impaciente: — O que é essa gritaria embaixo do prédio no meio da noite?
Logo em seguida, a luz de outro apartamento se acendeu.
Prédios antigos têm isolamento acústico ruim e moradores de todo tipo; qualquer barulho desperta a vizinhança.
Gabriel parou e olhou para cima.