Depois de um tempo, ele deu uma risada baixa.
— Você realmente gosta de se dar importância.
Ele se inclinou, baixando o tom de voz.
— Fique tranquila, você ainda não é importante o suficiente para eu te atacar especificamente.
— Eu só acho — ele fez uma pausa, e o seu olhar percorreu lentamente o meu rosto pálido — que alguém como você, que parece calma por fora mas tem ossos duros, deve ser bem interessante de ver quando é levada ao limite.
Senti um frio repentino no peito.
Esse era o verdadeiro Gabriel.
Cruel, frio, tratando o sofrimento alheio como entretenimento.
Dei um passo para trás e segurei o celular com força.
— Terminou?
Ele viu o meu movimento e o seu sorriso aumentou.
— O quê, está com medo do que eu possa fazer?
— Dentro da escola, eu não sou tão louco assim.
— Mas — ele prolongou a última sílaba, com um olhar enigmático — no futuro, quem sabe.
O sangue no meu corpo quase congelou instantaneamente.
No segundo seguinte, virei-me e saí.
Quando a minha mão tocou a maçaneta, ouvi a voz preguiçosa dele vindo de trás.
— Ah, um lembrete.
— Não pense tanto em fugir.
— Tem gente que, uma vez marcada, não consegue escapar.
Meus passos hesitaram por apenas meio segundo e desci as escadas sem olhar para trás.
O corredor estava vazio, e o eco dos meus passos ressoava entre os andares.
Eu caminhava rápido, quase como se estivesse fugindo de verdade.
Só quando vi o Lucas esperando lá embaixo é que o meu coração, que estava na garganta, finalmente sossegou.
O Lucas veio rápido ao meu encontro: — O que ele te disse?
Abri a boca, mas a minha voz estava muito rouca.
Depois de um instante, eu disse baixo:
— Ele disse que precisamos ser ainda mais rápidos.
O Lucas franziu a testa: — O que isso significa?
Levantei a cabeça, olhando para o restinho de pôr do sol no horizonte; aquela sensação de insegurança ficava cada vez mais nítida.
A Alice estava nos pressionando abertamente.
Mas o Gabriel era como uma cobra escondida na sombra, que já começou a se enrolar em nós lentamente.
Se continuássemos pensando em seguir o cronograma normal, planejando as coisas aos poucos, seríamos passivos demais.
Eu disse suavemente:
— Lucas, não podemos esperar apenas pelo vestibular.
— Temos que preparar a nossa rota de fuga antes do tempo.
9
Depois daquele dia, parecia haver um acordo silencioso entre mim e o Lucas.
Paramos de contar com a sorte, paramos de achar que bastava cerrar os dentes e aguentar essa fase para que pudéssemos voltar à nossa vida normal tranquilamente.
Porque nós dois já tínhamos entendido —
A Alice e o Gabriel simplesmente não nos dariam a chance de "voltar ao normal".
Depois que o estudo noturno terminou, eu e o Lucas não fomos direto para o nosso quarto alugado como de costume; fomos a uma pequena lanchonete de macarrão perto da escola que já estava quase fechando.
Havia apenas duas mesas ocupadas; o dono estava fechando o caixa enquanto assistia a uma novela, e a panela soltava grandes nuvens de vapor enquanto fervia o último caldo do dia.
Sentamos na mesa do canto.
Coloquei uma folha de papel sobre a mesa e baixei a voz: — No momento, temos basicamente três caminhos que podemos seguir.
O Lucas olhava para mim com atenção.
— Primeiro, o projeto de auxílio estudantil.
— Esse é o caminho mais oficial e seguro, mas como a Alice já está de olho, ela não vai facilitar as coisas.
— Segundo, competições acadêmicas e seleções antecipadas.
— Se as notas forem excepcionais e conseguirmos uma recomendação de um nível acima do projeto de auxílio, ela não vai conseguir interferir tão facilmente.
— Terceiro —
Fiz uma pausa e olhei para ele: — Mudar daqui o quanto antes, cortando completamente qualquer possibilidade de eles saberem onde moramos.
O Lucas franziu a testa: — Mudar exige dinheiro.
— Eu sei — assenti. — Por isso a terceira opção só funciona se as duas primeiras derem certo.
No fim das contas, todos os problemas convergiam para a mesma questão —
Dinheiro, oportunidade e tempo.
E essas eram justamente as três coisas que mais nos faltavam.
O Lucas ficou em silêncio por um tempo e perguntou: — Essa competição que você mencionou, dá tempo?
— Preparar-se sozinho é difícil, mas daqui a um mês haverá a avaliação diagnóstica estadual — eu disse baixo. — Antes... eu ouvi um professor comentar que quem tiver um desempenho extraordinário nessa avaliação recebe atenção especial.
Engoli a palavra "vida passada" e usei uma explicação vaga.
O Lucas não insistiu em saber como eu sabia, apenas seguiu o raciocínio: — Você quer que eu tente essa vaga?
— Não é só você — olhei para ele. — Somos nós dois.
Ele ficou surpreso.
— Lucas, eu não preciso que você fique sozinho na frente — minha voz era suave, mas sem sombra de brincadeira. — Desta vez, vamos juntos.
Por pouco não falei "nesta vida" de novo.
Felizmente, o Lucas apenas me olhou em silêncio, processando a determinação nas minhas palavras.
Depois de um instante, ele respondeu baixo: — Está bem.
O dono trouxe as tigelas de macarrão; com o vapor quente no rosto, percebi que o meu estômago estava dolorosamente vazio.
O Lucas pegou o ovo frito da tigela dele e colocou na minha.
— Come.
Instintivamente tentei devolver, mas ele segurou os meus pauzinhos.
— Não discuta comigo por causa disso.
O tom dele não era pesado, mas o gesto era firme.
Olhei para aquele ovo cozido e, de repente, tive vontade de chorar.
Durante muitos anos na vida passada, vi muitas refeições refinadas e caras, com apresentações impecáveis e sabores sofisticados. Quando o Gabriel estava de bom humor, ele até me dava comida na boca com indiferença, perguntando qual prato eu preferia, como se realmente estivesse me mimando.
Mas aquelas coisas sempre chegavam frias à minha boca.
Só agora, nesta lanchonete simples com cheiro de gordura, o ovo que o Lucas me deu me fazia sentir que eu estava viva.
Baixei a cabeça para comer e disse abafado: — Você também precisa comer bem.
O Lucas murmurou um "hum".
No meio da refeição, ele perguntou de repente: — Você ainda está escondendo algo de mim, não está?
Minha mão parou por um segundo.
— Por que está perguntando isso?
— Porque você sabe de coisas demais — o Lucas me olhava fixamente. — Não só sobre o projeto de auxílio, mas sobre o que a Alice vai fazer e como o Gabriel pressiona as pessoas. Parece que... você já conhece os métodos deles há muito tempo.
Meus cílios tremeram.
Eu sabia que essa pergunta chegaria.
O Lucas não é bobo; pelo contrário, ele é muito perspicaz. Ele só estava esperando que eu falasse por vontade própria.
Apertei os pauzinhos, com a mente em confusão.
Eu poderia contar?
Se eu dissesse que renasci, que na vida passada você caiu no abismo da Alice por minha causa e eu fui prisioneira do Gabriel por muitos anos, ele acreditaria?
Mesmo que acreditasse, será que essa verdade quase absurda não seria um fardo ainda mais pesado para ele carregar?
Fiquei em silêncio por um longo tempo e finalmente disse baixo: — Eu não posso te contar tudo agora.
— Mas, Lucas, eu nunca vou te prejudicar.
— Tudo o que eu faço é para tentar nos manter longe deles.
Ao ouvir isso, ele não insistiu mais.
Apenas disse baixo: — Eu sei.
— Então me conte quando você sentir que pode.
Meu coração se acalmou um pouco, mas senti uma pontada de tristeza.
O Lucas era sempre assim.
Embora ele fosse a pessoa com mais direito de cobrar respostas, ele sempre deixava a escolha nas minhas mãos.
Ao sairmos da lanchonete, já era tarde da noite.
No caminho de volta para o bloco, fizemos um desvio proposital.
O Lucas disse que era melhor verificar se alguém estava nos seguindo.
Antigamente não teríamos essa precaução, mas agora, ao lembrar do Gabriel no terraço dizendo "Tem gente que, uma vez marcada, não consegue escapar", eu não conseguia me permitir relaxar nem por um segundo.
Ao dobrarmos a terceira rua, o Lucas parou de repente.
— Não olhe para trás — a voz dele era baixíssima. — Tem alguém atrás de nós.
Minha respiração travou e as pontas dos meus dedos gelaram na hora.
— Quantos?
— Um — ele disse. — Está nos seguindo desde a lanchonete.
Meu coração afundou.
Não podia ser coincidência.
Gente da Alice? Ou gente do Gabriel?
Forcei-me a manter a calma e perguntei baixo: — O que fazemos?
O Lucas olhou para frente e, de repente, segurou o meu pulso: — Vem comigo.
Ele me guiou por um beco ainda mais estreito, atravessou uma fileira de prédios antigos e saímos por um portãozinho do outro lado. A noite estava densa, e o som de passos parecia nos perseguir de forma incerta até atravessarmos o beco de um mercado e entrarmos no meio do movimento de umas barracas de comida noturna; só então conseguimos despistá-lo.