Como esperado, no segundo seguinte, sua expressão ficou fria.
— Então eu também não vou deixar que ele goste de você.
Ela me encarou, pronunciando cada palavra com clareza.
— Vocês não querem subir na vida? Pois eu vou ficar assistindo para ver como vocês vão tentar subir.
Dito isso, ela deu meia-volta e saiu.
Antes de ir embora, lançou um último olhar para o Lucas, com um tom indiferente.
— Vou te dar uma última chance. Venha me procurar depois das aulas hoje.
— Caso contrário, paguem para ver.
Depois que ela saiu, o silêncio ao redor tornou-se assustador.
O Lucas apertava o formulário com tanta força que os nós dos seus dedos estavam brancos.
Eu sabia que ele devia estar em um dilema terrível.
De um lado eu, do outro o futuro dele.
E o que a Alice fazia de melhor era encurralar as pessoas até que tivessem que escolher apenas uma opção.
Mas eu não deixaria que ela vencesse.
Estendi a mão e segurei suavemente a manga do Lucas.
— Não vá.
O Lucas olhou para mim, com um turbilhão de emoções nos olhos.
Eu disse com seriedade: — Não importa com o que ela te ameace, não vá.
— Eu vou dar um jeito nisso.
8
Durante a última aula da tarde, eu não consegui prestar atenção em uma palavra sequer.
As palavras da Alice pesavam no meu peito como uma pedra, dificultando até a respiração.
Eu sabia perfeitamente que ela não estava apenas tentando nos assustar.
Com o histórico e a influência da família dela, não seria difícil sabotar um projeto desses.
Além disso, muitas oportunidades ditas "justas" são frágeis demais para resistir ao embate com o poder.
Mas, justamente por isso, eu não podia entrar em pânico.
Quando o sinal tocou, os alunos começaram a sair da sala um após o outro.
Antes que eu pudesse me levantar, o meu celular vibrou.
Era uma mensagem de um número desconhecido:
[Terraço, cinco minutos. Venha sozinha.]
Bastou um olhar para saber de quem era.
Aquele tom autoritário não parecia da Alice, era a cara do Gabriel.
Fiquei olhando para a tela, com as pontas dos dedos geladas.
Na vida passada também era assim.
Ele adorava dar ordens irrecusáveis com a maior casualidade do mundo. Como se bastasse ele falar para eu ter que ir correndo me apresentar diante dele, para ser alvo de seu escrutínio e de suas provocações.
Mas agora não é mais a vida passada.
Eu ia apagar a mensagem, mas no segundo seguinte, ele enviou outra:
[Sobre o projeto de auxílio estudantil. Se você não vier, vou considerar que desistiu.]
Minhas pupilas se contraíram.
Ele sabia.
Faz sentido; entre o corredor e o jardim, em apenas meio dia, cada movimento meu e do Lucas pode ter sido observado por eles. Pessoas como eles têm informantes e olhos por toda parte.
Apertei o celular devagar.
Não era um convite simples, era uma manipulação clara.
O Lucas, terminando de arrumar a mochila, viu que eu não me mexia e perguntou baixo: — O que foi?
Instintivamente, coloquei o celular virado para baixo na mesa.
— Nada.
Ele me olhou, percebendo que algo estava errado: — Eles foram atrás de você de novo?
Eu quis negar.
Mas as palavras travaram na garganta.
Se eu não dissesse nada e fosse encontrar o Gabriel sozinha, qual seria a diferença para a vida passada? Eu estaria novamente carregando tudo sozinha, achando que poderia resolver tudo e acabaria me entregando de bandeja para o jogo dele.
Eu não podia repetir aquele erro.
Então, entreguei o celular para o Lucas.
Depois de ler a mensagem, o rosto do Lucas escureceu na hora.
— Você não vai.
Eu disse baixinho: — Mas ele mencionou o projeto de auxílio.
— Não importa, você não vai — o Lucas apertou o celular. — Eu vou falar com ele.
— Você ir é ainda pior — eu o impedi imediatamente. — Eles estão atrás de você desde o começo, se você for lá só vai complicar as coisas.
O Lucas cerrou os dentes, visivelmente furioso.
Baixei a voz: — Lucas, primeiro se acalma. Temos que pensar em como reagir, e não sermos levados por eles.
Ele olhou para mim, com a respiração pesada.
— E o que você pretende fazer?
Fiquei em silêncio por alguns segundos, pesando as opções na minha mente.
Ir ou não ir?
Se eu não fosse, o Gabriel talvez não tivesse o poder de interferir no projeto imediatamente, mas se ele enviou aquilo, é porque no mínimo tem como se meter.
Se eu fosse, estaria entrando voluntariamente no campo dele.
Mas se eu continuasse fugindo, ele só me acharia mais interessante e focaria ainda mais a atenção em mim.
Eu conhecia aquele tipo de pessoa bem demais.
Quanto mais você resiste violentamente, mais ele acha divertido.
Quanto mais você tem medo, mais ele te pressiona.
Pensando nisso, recuperei a calma.
— Eu vou — eu disse.
O Lucas levantou a cabeça bruscamente: — Não.
— Escuta o que eu tenho a dizer — olhei para ele. — Eu ir não significa que vou deixar ele fazer o que quiser comigo. Eu só quero saber o que ele realmente quer.
— E, desta vez, não vou sozinha.
O olhar do Lucas mudou ligeiramente.
Continuei: — Você me acompanha até o andar de baixo, mas não sobe. Cinco minutos. Se eu não descer ou se eu te mandar uma mensagem, você vai direto falar com o professor.
Era o plano mais seguro que eu conseguia imaginar agora.
O terraço ainda é dentro da escola; por mais prepotente que ele fosse, não se atreveria a fazer nada grave em um lugar desses.
O Lucas ainda não concordava: — É perigoso demais.
— Não vai ser — dei um sorrisinho para ele. — Pelo menos é melhor do que não fazer nada.
Ao ver que ele continuava tenso, acrescentei baixinho: — Confia em mim desta vez.
O Lucas ficou em silêncio por um longo tempo e, finalmente, cedeu.
— No máximo cinco minutos.
— Combinado.
Saímos da sala um após o outro.
O campus ao entardecer estava tingido de laranja pelo pôr do sol, e o vento trazia o calor suave da vegetação do início do verão. Mas, conforme eu subia os degraus para o terraço, o meu coração estava gelado.
Abri a porta e o Gabriel realmente estava lá.
Ele estava encostado na grade de proteção, segurando uma lata de refrigerante gelada; ao ouvir o barulho, levantou o olhar.
— Você veio.
Não avancei mais, parei na porta e o encarei: — Diga o que tem para dizer, rápido.
Ele olhou para baixo e sorriu: — Você tem muita hostilidade contra mim.
— Pessoas normais não costumam ter boas atitudes com quem as assedia.
Gabriel não se irritou, apenas deixou a lata de lado.
— Certo, então vou ser direto.
Ele deu dois passos na minha direção, fixando o olhar no meu rosto como se estivesse procurando alguma fraqueza.
— A Alice está bem brava, sente que você está atrapalhando os planos dela.
— E daí? — perguntei.
— E daí que agora ela decidiu levar as coisas a sério — ele disse com tom desleixado. — Se ela realmente quiser barrar esse projeto de auxílio, vocês terão problemas sérios.
Meu coração afundou, mas não deixei transparecer: — Você veio dar o recado dela?
— Pode-se dizer que sim — ele fez uma pausa e continuou: — Mas eu também posso te ajudar.
Olhei para ele sem dizer nada.
Gabriel arqueou os lábios: — É simples. Fique longe do Lucas, pare de andar com ele o tempo todo e não se meta mais entre a Alice e ele. Eu garanto que ninguém vai tocar na inscrição de vocês.
O vento da noite soprava, movendo levemente os fios de cabelo em sua testa; sua expressão mantinha aquele ar de prepotência e convicção.
Como se o que ele estivesse propondo não fosse uma troca, mas uma benevolência.
Eu quase senti vontade de rir.
Então, desde tão cedo ele já estava tentando me separar do Lucas.
Na vida passada foi assim, e nesta vida, continua sendo.
Ele não se importa com o que eu quero, ele só se importa se alguém está atrapalhando o jogo deles.
Levantei o olhar e disse pausadamente: — E se eu não aceitar?
O sorriso nos olhos do Gabriel diminuiu.
— Então você pode pagar para ver.
— Só que, quando chegar a hora, eu não garanto quem vai sair perdendo.
Ficamos nos encarando em silêncio por alguns segundos, até que perguntei de repente: — Por que você está fazendo isso?
Ele pareceu não entender: — O quê?
— Você claramente não se importa tanto assim com o que acontece entre a Alice e o Lucas — eu o encarei. — Então, por que está me atacando? É para ajudá-la ou só porque acha que eu sou um alvo fácil?
O ar ficou subitamente silencioso.
Gabriel me olhava com seus olhos escuros e profundos.