localização atual: Novela Mágica Moderno Renascida: Não Serei Seu Brinquedo Capítulo 4

《Renascida: Não Serei Seu Brinquedo》Capítulo 4

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O ar ficou em silêncio por um segundo.

O sorriso no rosto de Gabriel desapareceu gradualmente.

Ele me encarou, e a emoção em seus olhos foi afundando lentamente.

— Pessoas como eu?

Eu sabia que tinha tocado em seu ponto fraco.

Alguém como ele, acostumado a estar no topo, não suportaria ser definido por alguém com um desprezo tão direto.

Mas não me arrependi.

Na vida passada, o meu medo, a minha submissão e o meu silêncio só resultaram em um controle cada vez maior sobre mim.

Nesta vida, prefiro deixá-lo descontente a ser novamente alguém que ele possa manipular.

Endireitei as costas: — Por favor, dê licença. Preciso voltar para a sala.

Gabriel me olhou por um longo tempo e, de repente, soltou uma risada baixa.

— Certo.

Ele realmente se afastou para me deixar passar.

Apenas quando passamos um pelo outro, ele se inclinou perto do meu ouvido e sua voz foi leve como uma brisa:

— Eu vou me lembrar disso.

— Espero que, no futuro, você ainda consiga me odiar desse jeito.

Não parei de caminhar, segui direto.

Só quando dobrei o corredor é que percebi que as palmas das minhas mãos estavam encharcadas de suor.

Mesmo assim, não tinha intenção de recuar.

Porque estava ficando cada vez mais claro para mim —

Se eu quisesse fugir, não poderia passar a vida toda apenas tentando me esconder.

Quando certas pessoas fixam o olhar em você, a simples retração só as deixa mais excitadas.

7

Depois que as aulas terminaram ao meio-dia, o Lucas veio me procurar.

Fomos para o pequeno jardim atrás do prédio de salas de aula; lá tinha pouca gente, a sombra das árvores era densa e era um bom lugar para conversar.

Entreguei a ele o formulário que o Professor Souza me deu.

O Lucas leu com muita atenção e, quanto mais lia, mais o seu cenho se franzia.

— A competição por essa vaga deve ser enorme, não é?

— Sim — assenti. — Mas não é impossível.

Ele ficou em silêncio por um momento e perguntou em voz baixa: — Por que você resolveu perguntar sobre isso de repente?

Olhei para ele, pensei um pouco e decidi contar uma parte da verdade.

— Porque eu acho que a Alice não vai desistir fácil.

— E — fiz uma pausa — eu sinto que o Gabriel também está agindo de um jeito estranho.

O Lucas levantou o olhar: — Ele foi falar com você?

Não neguei.

A expressão do Lucas ficou sombria na mesma hora: — O que ele te disse?

— Nada demais, só estava me testando — dei um sorriso forçado para aliviar o clima. — Mas isso só me deu mais certeza de que não podemos continuar sendo passivos.

A mão do Lucas apertou o formulário com força.

Depois de um longo tempo, ele finalmente falou: — Me desculpa.

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Fiquei atônita: — Por que está pedindo desculpas?

— Se não fosse por minha causa, eles não teriam fixado o olhar em você.

Ao dizer isso, havia uma culpa e uma repressão muito profundas em seus olhos, como uma noite pesada.

Senti uma pontada no peito e lembrei-me imediatamente da vida passada.

O Lucas da vida passada era sempre assim.

Chamava para si toda a responsabilidade por cada erro, como se ser pobre, ser impotente e não conseguir me proteger fossem os seus maiores pecados originais.

Mas, claramente, quem estava errado nunca foi ele.

Não resisti e dei um passo à frente, olhando-o com seriedade.

— Lucas, escuta bem.

— Não foi por sua causa que eu me tornei um alvo. Foi porque eles, por natureza, não são boas pessoas.

— Quando alguém comete uma maldade, a culpa não é da vítima, muito menos sua ou minha.

O Lucas ficou me olhando, perplexo, como se não esperasse que eu dissesse aquilo.

Respirei fundo e suavizei o tom, mas mantendo a firmeza.

— Você não deve nada a ninguém e não precisa se sacrificar para garantir o meu futuro.

— O meu futuro eu mesma vou conquistar.

— E o seu futuro deve ser escolhido por você.

O vento passou pelas copas das árvores, trazendo um farfalhar suave.

Algo brilhou levemente no olhar do Lucas.

Ele disse baixinho: — Mas se eu pudesse garantir que...

— Não pode garantir nada desse jeito — eu o interrompi. — Lucas, nem mesmo por mim, você deve fazer isso.

Eu olhava para ele com as pontas dos dedos tremendo.

— Me promete que, não importa o que a Alice diga ou quais condições ela te ofereça, você não vai aceitar.

— Mesmo que eu acabe em uma situação muito ruim, mesmo que eu não consiga mais estudar ou não tenha o que comer, você não pode se entregar por mim.

A respiração do Lucas travou.

Provavelmente foi a primeira vez que ele me viu enfatizar algo de forma tão visceral, quase perdendo o controle; seu olhar misturava choque e confusão.

— Por quê?

Por quê?

Porque eu vi o fim daquela estrada.

Porque eu sei que, uma vez que ele ceda, um erro levará a outro.

Porque o suposto "ser amado" ou "ser sustentado" não é um presente do destino para os pobres, mas sim um abismo coberto de açúcar.

Mas eu não podia dizer tudo isso agora.

Apenas olhei para ele com os olhos marejados e a voz rouca.

— Porque eu não suportaria.

— Lucas, eu não quero te ver infeliz, não quero que você se humilhe por minha causa, e muito menos quero que, cada vez que eu te veja no futuro, eu sinta que fui eu quem te empurrou para aquele buraco.

— Então, por favor, eu te imploro.

O Lucas olhou para mim, e o seu pomo de Adão se moveu lentamente.

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Depois de um tempo, ele respondeu baixinho: — Está bem.

Aquela resposta foi leve, mas pareceu finalmente acalmar o meu coração que estava suspenso há duas vidas.

Senti um calor nos olhos e quase chorei de novo.

Felizmente, desta vez, cheguei a tempo.

A tempo de impedir que o pior acontecesse.

Enquanto conversávamos, ouvimos passos vindos do outro lado do jardim.

A Alice vinha caminhando com seus sapatos de couro, acompanhada por duas garotas, e parou na nossa frente.

O olhar dela passou pelo formulário na mão do Lucas, pousou no meu rosto e ela sorriu.

— Não admira que você ande me evitando tanto ultimamente, estava ocupada planejando isso.

Meu coração afundou.

Ela viu.

O Lucas se levantou, colocando-se na minha frente: — O que você quer?

— O que eu quero? — Alice desdenhou. — Só vim te avisar para não perder tempo.

Ela levantou a mão e tocou levemente no formulário.

— Alunos com a condição familiar de vocês realmente são o perfil ideal para essas bolsas. Uma pena que essas coisas não dependem só de notas.

Ela arqueou os lábios em um sorriso bonito e maldoso ao mesmo tempo.

— Imagina só o que acontece se eu der uma palavrinha com os organizadores?

Senti os meus dedos congelarem subitamente.

A expressão do Lucas ficou péssima: — Alice!

— Por que está me gritando? — Ela inclinou a cabeça. — Eu te dei uma oportunidade, você é quem não quis.

Dito isso, ela virou-se para mim.

— E você.

— Ontem não estava cheia de orgulho? Como é que hoje já começou a procurar uma rota de fuga?

Encarei o olhar dela e, por incrível que pareça, o meu coração foi se acalmando aos poucos.

Se antes eu ainda tinha uma ponta de esperança de que pudéssemos evitá-los sem um confronto direto, agora a Alice tinha deixado as coisas bem claras.

Ela não ia nos deixar em paz.

Ela estava disposta até a usar os recursos da família para bloquear as nossas oportunidades legítimas.

Sendo assim, não adiantava mais eu recuar.

Levantei-me devagar e olhei para ela: — Se você realmente gosta tanto do Lucas, por que não tenta fazer com que ele goste de você por vontade própria?

Alice soltou uma risada, como se tivesse ouvido a melhor piada do mundo.

— Vontade própria?

— O orgulho de vocês, pobres, é sempre usado nas coisas mais ridículas.

Ela cruzou os braços, com um olhar de total desprezo.

— Se eu quero uma pessoa, por que eu precisaria que ela estivesse de acordo?

— Eu tenho dinheiro, tenho contatos e tenho mil maneiras de fazer ele ficar do meu lado. Se ele está feliz ou não, isso importa?

Olhei para ela e senti uma profunda tristeza.

Não é que ela não entendesse o amor; ela simplesmente nunca aprendeu a respeitar os outros.

No mundo dela, gostar é sinônimo de exigir, e posse é sinônimo de vitória.

E o Lucas era apenas um objeto que ela desejava conquistar.

Eu disse baixinho: — Mas e se ele nunca gostar de você?

O sorriso da Alice congelou instantaneamente.

O que ela mais odiava, provavelmente, era ouvir aquilo.

Porque o fato de o Lucas não gostar dela era um golpe direto em seu ego orgulhoso.

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