localização atual: Novela Mágica Moderno Renascida: Não Serei Seu Brinquedo Capítulo 3

《Renascida: Não Serei Seu Brinquedo》Capítulo 3

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— Não tranque a porta de um jeito que eu não consiga abrir por fora se precisar. — disse ele. — Se acontecer algo, bata na porta ou me ligue.

Senti um aperto no peito e respondi baixinho: — Está bem.

Ao voltar para o quarto, fiquei encostada na porta por muito tempo.

A escuridão do lado de fora da janela parecia uma rede sem fim me pressionando.

Eu sabia que esta noite era apenas o começo.

Gabriel já tinha me notado.

E Alice jamais desistiria completamente só por causa da minha desculpa sobre a "loteria".

Eu não podia mais ser passiva como na vida passada e esperar que eles agissem primeiro.

Nesta vida, eu tinha que dar o primeiro passo e tirar o Lucas dessa rede.

Mas o problema era —

Eu era apenas uma estudante de ensino médio e não tinha muito dinheiro de verdade que pudesse usar. A tal loteria era apenas um pretexto temporário. As mensalidades e o custo de vida eu poderia cobrir aos poucos com informações da minha memória e trabalhos de meio período, mas para nos livrarmos totalmente de Alice e Gabriel, só isso não bastava.

Fechei os olhos, tentando desesperadamente lembrar o que aconteceu neste período na vida passada.

De repente, um nome surgiu na minha mente.

Professor Souza.

Após o fim do vestibular na vida passada, Lucas tinha chamado a atenção de uma universidade pública importante do estado. O Professor Souza, nosso orientador, tinha ajudado ele a conseguir um projeto de auxílio estudantil e uma vaga de formação direcionada em outra cidade.

Se não me falha a memória, esse projeto já deve estar com a lista de nomes sendo preparada agora.

Minha respiração foi se estabilizando.

Essa era a chance.

E a nossa primeira estrada real para sair daqui.

6

Na manhã seguinte, quase não consegui dormir.

Assim que o sol nasceu, lavei o rosto, peguei a mochila e saí.

Logo ao chegar no térreo, vi Lucas parado na entrada do bloco, segurando dois pães recheados e um copo de leite de soja.

A luz da manhã caía sobre ele, tornando aquele uniforme velho um pouco mais suave.

Ao me ver, ele estendeu a mão com o café da manhã.

— Seu estômago é sensível, não fique em jejum.

Fiquei paralisada por um momento antes de pegar; o calor em minhas mãos aqueceu o meu coração.

— Quando você desceu?

— Acabei de chegar. — disse ele com indiferença.

Mas eu sabia que ele estava esperando há algum tempo. As orelhas de Lucas estavam vermelhas por causa do vento frio da manhã, e seus ombros tinham vestígios de orvalho.

Senti o meu coração amolecer e disse baixinho: — Obrigada.

Ele murmurou um "hum" e fomos juntos para a escola.

Pelo caminho, quase não conversamos.

Mas aquele silêncio não era desconfortável; pelo contrário, trazia uma estranha sensação de segurança.

Ao chegar no portão da escola, perguntei de repente: — Lucas, para onde você quer ir depois do vestibular?

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Ele olhou para mim de lado, surpreso com a pergunta repentina.

— Primeiro preciso passar na prova, depois vejo.

— E se houver uma chance de ir para outra cidade, ou até mais longe?

Lucas ficou em silêncio por dois segundos: — Desde que eu possa sair daqui, qualquer lugar serve.

Meus passos hesitaram.

Sair daqui.

Então ele sempre pensou da mesma forma.

Que bom.

O que eu mais temia não era o caminho difícil, mas sim que eu tentasse desesperadamente levá-lo para longe enquanto ele quisesse ficar no mesmo lugar, pensando em se sacrificar por um futuro supostamente mais estável.

Afortunadamente, Lucas não era esse tipo de pessoa.

Ao chegar na sala, Alice ainda não tinha chegado.

Assim que me sentei, a garota da carteira de trás se aproximou para fofocar: — Vocês irritaram a Alice ontem na saída? Ela estava com uma cara péssima.

Baixei a cabeça para abrir o livro, fingindo que não ouvi.

A garota ia insistir, mas a sala ficou silenciosa por um instante.

Levantei o olhar e vi Alice entrando.

Ela estava com uma maquiagem leve hoje, batom vibrante, e sua expressão tinha voltado àquele relaxamento prepotente habitual. Mas, assim que entrou, seu olhar pousou primeiro no Lucas e depois passou por mim.

Foi um olhar rápido, mas carregado de um desagrado óbvio.

Pouco depois de se sentar, ela jogou o celular na mesa; o som não foi alto, mas o suficiente para quem estava por perto ouvir.

— Algumas pessoas simplesmente não sabem aproveitar as oportunidades que recebem.

Ninguém ao redor ousou responder.

Ela continuou calmamente: — Mas não tem problema, paciência é o que eu mais tenho.

Baixei os olhos, tocando a borda da página do livro.

Alice não estava apenas brava, ela estava mandando um recado.

Para o Lucas ouvir, e para eu ouvir.

O significado era simples: ela não deixaria as coisas assim.

Após a primeira aula, fui até a sala dos professores procurar o Professor Souza.

Ele estava corrigindo provas e, ao me ver, levantou a cabeça e ajustou os óculos: — O que houve?

Contive o nervosismo, tentando manter um tom natural: — Professor, eu queria perguntar sobre os projetos de auxílio estudantil da escola, ou vagas de formação direcionada.

O Professor Souza pareceu surpreso: — Você quer saber sobre isso?

— Sim. — assenti. — A minha situação financeira e a do Lucas não são muito boas. Se houver essas oportunidades, queríamos nos preparar cedo.

O professor me observou por um instante e sua expressão suavizou.

— Existem, sim. — Ele largou a caneta. — Este ano temos alguns programas de apoio em parceria com universidades, focados em alunos com notas estáveis e dificuldades financeiras. Não são muitas vagas, mas tanto você quanto o Lucas têm chances.

Meu coração disparou; perguntei imediatamente: — Quais são os requisitos?

— O básico é o desempenho acadêmico e a recomendação da escola. Além disso, é melhor não se envolver em confusões nesta fase. — disse o professor, e seu tom tornou-se um pouco mais profundo: — O mais importante agora é focar nos estudos e evitar andar com pessoas complicadas, entende?

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Senti um aperto no peito.

Parece que o professor também tinha notado o assédio da Alice.

Respondi imediatamente: — Entendo.

O Professor Souza assentiu e tirou um formulário da gaveta, entregando-o a mim.

— Leve este para ler e peça para o Lucas vir falar comigo depois. Eu explico os detalhes para vocês.

Peguei o formulário e senti meu coração finalmente voltar ao lugar.

Desde que tivéssemos uma oportunidade oficial através da escola, a nossa chance de sair daqui seria muito maior. Pelo menos, não precisaríamos apostar o nosso destino na caridade passageira da Alice.

Assim que saí da sala dos professores, vi Gabriel no fim do corredor.

Ele não estava usando o casaco do uniforme, apenas um moletom preto; com seus ombros largos e pernas longas, estava encostado na janela, girando um pequeno objeto de metal que parecia um isqueiro. A luz do sol vinha de lado, tornando o seu olhar um pouco translúcido.

Ao me ver, ele não pareceu surpreso.

Era como se estivesse esperando por mim.

Meus passos pararam.

Ele se endireitou e veio em minha direção.

— Podemos conversar?

Apertei o formulário em minhas mãos: — Não temos nada para conversar.

— Não fique tão tensa. — Sua voz era desleixada. — Eu não vou te morder.

Ao ouvir aquela frase, senti um calafrio nas costas.

Na vida passada ele também adorava dizer isso. Parecia uma piada, mas só eu sabia quanta malícia sufocante havia por trás daquele tom brincalhão.

Tentei dar meia-volta para sair, mas ele agiu mais rápido, apoiando a mão no corrimão ao meu lado.

Ele não me tocou.

Mas bloqueou exatamente o meu caminho.

— Eu te assustei ontem à noite? — Ele olhou para mim e de repente sorriu. — Você chorando até que é mais agradável de ver do que ontem durante o dia.

Uma onda súbita de náusea subiu pelo meu estômago.

Levantei a cabeça e o encarei friamente: — O que você quer dizer, afinal?

Gabriel me observava como se estivesse analisando um objeto curioso.

— Nada demais. — disse ele calmamente. — Só acho que você é bem interessante.

— Durante o dia, finge ser calma na frente da Alice, mas à noite se esconde na porta do Lucas para derramar lágrimas.

— Me diga, qual das duas é a sua verdadeira face?

Minhas unhas cravaram na palma da mão, forçando-me a manter a calma.

Ele estava me testando.

E muito mais rápido do que eu previ.

Eu não podia entrar em pânico nem mostrar mais fraquezas.

Então, olhei para ele e retruquei: — E qual versão de mim você acha mais interessante?

Gabriel claramente não esperava que eu respondesse ao seu jogo; suas sobrancelhas se ergueram levemente.

Contendo o meu asco, continuei: — A que treme de medo na sua frente ou a que fica calada e aceita ser humilhada?

— Se for a primeira, você vai se decepcionar. — disse pausadamente. — Eu apenas detesto pessoas como você.

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