— Quero ouvir de novo. — Seus olhos roxos formaram pequenas luas crescentes; com a franja dividida ao meio em casa, ele parecia ainda mais jovem e gentil do que o normal. — Diga mais uma vez.
0107 107 Início da Primavera
Ela soltou uma risada leve, sua voz soando um pouco rouca, e repetiu: — Eu te amo, Sr. Tallon.
— Ama só a mim. — Ele a olhou profundamente.
— Só você. — Ela não o rejeitou.
— Numa hora dessas, você não vai me dar um beijo, bebê? — Ele roçou na franja dela e fez um biquinho, sinalizando para ela.
Ela pareceu um pouco resignada, mas levantou a cabeça e deu um beijo nele. — Pronto.
— Pronto~ — De repente, ele a pegou no colo com estilo.
— O que vai fazer? — Ela o abraçou apertado imediatamente.
— Tomar banho~ — disse o Duque com franqueza, continuando: — Vamos sair para jantar daqui a pouco~
— Sair para comer? — Os olhos de Hilda brilharam. Desde que chegara ali, exceto pelas refeições ocidentais luxuosas na mansão do Duque todos os dias, ela não comera quase nada diferente.
— Sim, vou avisar o Wilder para não trazerem o jantar aqui para cima. Vamos comer juntos na mesa de jantar, bebê~ — O Duque a colocou no banho de rosas, beijou alegremente a testa dela e correu para a porta enrolado em sua toalha de estampa de leopardo.
— ..... — Ela ficou sem palavras, começando a brincar com as pétalas de rosa na água, pegando uma e apertando-a entre os dedos.
Olhar para aquelas pétalas a fez lembrar do vestido de estampa floral. Ela comprimiu os lábios; precisava voltar para dizer a Chris que não pretendia mais se casar com ele.
Porque seu coração estava dividido, a balança em seu peito desmoronara; às vezes, ela chegava a esquecer Chris completamente.
Ela também precisava encontrar um momento para explicar sua origem a Tallon, caso contrário, seria injusto com ele manter essa situação nebulosa.
Mas agora Hilda não sabia como voltar de seu mundo para este lugar. No entanto, baseando-se nos romances de magia que lera, contanto que encontrasse o método certo, geralmente era possível ir e vir.
Ela precisava encontrar alguém que entendesse do assunto para perguntar sobre a "magia" deste mundo.
Falando nisso, ela sempre quisera ver o Sr. Olie. Segundo Wilder, ele era muito culto e provavelmente sabia algo sobre magia. Infelizmente, durante todo o inverno, sempre que ela ia à biblioteca procurá-lo, não o encontrava e não sabia para onde ele tinha ido.
Hilda olhou para a janela; a neve antes espessa já havia desaparecido. Contando os dias desde sua chegada, haviam se passado exatos quatro meses.
O tempo deste mundo deveria estar sincronizado com o dela, pois as datas e a troca das estações eram exatamente iguais; apenas aqui não era tão desenvolvido e lembrava mais a Idade Média.
Isso deixou Hilda ainda mais preocupada com sua loja de hamsters; ela não conseguia imaginar como eles sobreviveriam a esses quatro meses.
Amanhã precisaria ir à biblioteca novamente, esperando encontrar o Sr. Olie desta vez.
——— Dia seguinte ———
Embora hoje fosse domingo, o Duque, milagrosamente, acordou cedo. Ouviu-se dizer que surgiu um problema comercial urgente e ele precisou ir resolver.
Normalmente, o Duque preferia dormir até o meio-dia e passar o dia inteiro enfurnado em casa, ocasionalmente saindo para fazer compras com Hilda ou andar a cavalo para ver a paisagem, a pedido dela.
Pela convivência, Hilda achava Tallon extremamente caseiro; exceto pelo trabalho, tocar violino ou andar a cavalo, ele não tinha muitas atividades de lazer.
Hilda levantou-se hoje e, ao sair da casa de campo, sentiu o perfume das camélias ao lado. Levantou a cabeça e viu, entre as folhas verdes densas, flores de camélia vermelhas e brancas desabrochando sob o sol morno, parecendo saudar o início da primavera.
— Bom dia, pequena senhorita. — Wilder segurava uma grande tesoura de jardinagem, ajudando os jardineiros a podar os arbustos verdejantes. Ele vestia um macacão azul folgado, parecendo muito mais fofo do que em seu habitual traje de gala preto.
0108 108 O senhor não está com frio?
— Bom dia, Wilder~ — Hilda já se acostumara com o tratamento de "pequena senhorita". Ela caminhou em direção a ele enquanto o cumprimentava. — Precisa de ajuda?
— Não se preocupe, pequena senhorita, não seria muito conveniente para a senhora com esse vestido. — Wilder sorriu para ela, limpando o suor da testa com a mão e comentando preocupado: — Este ano as ervas daninhas e arbustos cresceram muito densos. Estamos trabalhando quase a manhã inteira e ainda não avançamos muito.
Hilda olhou para as duas grandes pilhas de mato cortado à direita. Amã estava parado ao lado das pilhas, entediado, mastigando o feno que saltava dali. O cavalo trocou um olhar silencioso com ela e virou a cabeça com arrogância.
.....
— A propósito, Wilder, o Sr. Olie está na biblioteca hoje? — perguntou Hilda.
— O Sr. Olie deve estar na biblioteca, eu não tenho certeza, mas a senhora pode ir conferir. — Wilder continuou seu trabalho, notando o cavalo de Tallon. — Amã! Não coma esse mato!
— ..Tudo bem. — Hilda respondeu e não os interrompeu mais, caminhando lentamente até a biblioteca no extremo leste da mansão.
Ela chegou à porta principal da biblioteca, preparando-se para empurrar com força a luxuosa porta de mogno com detalhes dourados.
— Olá, senhorita.
Hilda estremeceu de susto com aquele "senhorita" e virou-se incrédula.
Era um homem de meia-idade com a pele escura. O topo de sua cabeça era calvo e ele exibia um sorriso radiante, que parecia mais brilhante que o sol da primavera. O estranho era que ele vestia apenas uma sunga de natação molhada; seu corpo robusto contrastava com as rugas em seu rosto.
— Olá, senhor. — Hilda o avaliou de cima a baixo. Mais do que o "senhorita" que ele usara, sua atenção estava voltada para o traje dele; por que esse senhor escolheria nadar com esse tempo? Era um absurdo.
— A senhora veio pegar algum livro emprestado? Eu sou o bibliotecário daqui. — Olie caminhou com passos largos calçando chinelos, empurrando primeiro a porta da biblioteca.
— O senhor é o Sr. Olie? — perguntou Hilda.
— Sim, pequena senhorita. — Olie a conduziu primeiro a uma mesa perto da janela de vidro e puxou a cadeira para ela.
Hilda sentou-se educadamente e, em seguida, não pôde deixar de olhar discretamente para aquele senhor que vestia apenas uma sunga; o frescor da água do lago ainda emanava de seu corpo.
Ela pensara que o bibliotecário, que diziam ser tão culto, seria do tipo com cavanhaque, cartola, óculos de leitura e que andaria cambaleando.
Parece que ela precisaria mudar seus estereótipos sobre as coisas.
— Que tipo de livro a senhora está procurando? — Olie preparava-se para subir a escada da estante.
— Não vim procurar livros, senhor — disse Hilda imediatamente. — Desta vez vim apenas para lhe fazer algumas perguntas.
Olie lembrou-se subitamente de quando o Duque também viera à biblioteca especificamente para lhe fazer perguntas. Ele sorriu radiante, desceu a escada rapidamente e sentou-se de forma ereta à frente de Hilda. Estava muito disposto a ajudá-la: — Pode perguntar à vontade, pequena senhorita. Responderei a tudo o que eu souber.
— Certo, obrigada. — Hilda também achou que ele parecia bem gentil, mas ainda sentia que algo estava estranho. Achou necessário comentar: — Er, senhor...
— Sim, pode falar! — disse Olie com expectativa.
— Er... o senhor não está com frio?
0109 109 O nosso segredinho
— Não se preocupe, pequena senhorita. Todos os anos eu pratico natação no inverno para manter a forma; este frio não é nada para mim — riu Olie. Ele pegou um casaco de algodão pendurado ao lado, colocou-o sobre os ombros e disse com solicitude: — A senhora deveria tentar também, é muito saudável e traz muitos benefícios para o corpo.
— Obrigada, vou considerar — respondeu ela educadamente, querendo ir direto ao ponto. Natação no inverno era algo que ela preferia deixar apenas na imaginação.
Debaixo da mesa, ela apertou o tecido do seu vestido de veludo. Hesitou por um momento, mas a paciência e o sorriso gentil do Sr. Olie finalmente a fizeram relaxar. Ela sentiu que podia confiar nele; afinal, ele fora a primeira pessoa ali a chamá-la de "senhorita".
— Eu gostaria de perguntar sobre magia.
Assim que as palavras saíram, ela viu o sorriso dele desaparecer. Sua expressão tornou-se grave, o que a deixou extremamente tensa.
— Pequena senhorita, por que a pergunta repentina?
— É algo proibido?
Olie deu um suspiro profundo.
— Sim, é um tema tabu dentro da capital. A senhora deve estar ciente do acidente que envolveu o Sr. Duque.
— Eu sei — Hilda baixou o olhar, sentindo-se culpada. — Fiquei muito triste quando soube o que aconteceu com o Sr. Tallon. Se não for permitido, eu...