【 Ela deveria ansiar por Chris. Ele é o seu destino. 】
Isso claramente fez Hilda se acalmar. Ela recuou um pouco o corpo, não ficando mais tão próxima de Tallon.
Beijos, toques e tudo o mais... eram apenas o preço que ela tinha que pagar para sobreviver... não havia outra escolha... não havia outra escolha... Chris certamente a entenderia, ele certamente a perdoaria...
Wilder, observando de longe o Duque e a pequena senhorita em carícias, começou a bater os pés com impaciência.
Embora isso realmente estragasse o clima, o jantar já estava pronto há muito tempo. Se continuassem assim, as iguarias preparadas com tanto esmero deixariam de existir. O paladar do Duque era extremamente exigente; ele acabaria trabalhando duro sem receber nenhum agradecimento.
Wilder só pôde fingir algumas tosses, arqueando as sobrancelhas em um formato de "oito" e usando um tom de voz melancólico e sarcástico: — Oh~ pobre "Canhão de Montanha"~ deitado sobre o castiçal frio, nunca mais verá o papai~
— Hmm.. — Hilda voltou a ficar triste ao ouvir aquilo.
— Shh.. — O Duque cerrou os dentes e lançou um olhar furioso para Wilder, que fugiu num piscar de olhos.
Finalmente, após terminarem o jantar, como o Duque pensara antes, Hilda levou o "Canhão de Montanha" para enterrá-lo em um vaso no jardim de inverno. No entanto, ela não escolheu o Lisianthus que ele sugerira, mas sim um canteiro de dentes-de-leão.
Após enterrar o hamster, o Duque começou a ansiar ainda mais pela chegada da primavera; queria fazer a promessa mais sincera de sua vida ao seu amado Totó na estação das flores.
Ele planejava pedi-la em casamento naquele momento.
——— Dia seguinte ———
O Duque levou Hilda pela mão logo cedo ao seu local de trabalho.
Era um edifício de escritórios de estilo europeu no extremo leste da Avenida da Capital, com tijolos beges comuns e uma cúpula dourada no topo. Não era tão luxuoso ou chamativo quanto a mansão do Duque; parecia até um pouco antigo e austero, mas quanto mais se aproximavam, mais se sentia uma densa sensação de seriedade e sobriedade vindo de dentro, o que a deixou um pouco nervosa.
Antes de entrar, ele propositalmente colocou o capuz nela, fechando-o bem, e sussurrou em seu ouvido: "Enquanto ninguém percebeu ainda, temos que entrar rápido".
Isso claramente deixou Hilda mais nervosa. Ela o seguia tremendo e escondendo-se atrás dele, sem ver o sorriso travesso de satisfação no rosto dele à frente.
— Bom dia, Sr. Duque.
0097 97 Herói Interestelar
— Bom dia, Sr. Duque. — Anthony carregava uma pilha enorme de documentos aprovados, preparando-se para levá-los à sala de cópias.
— Bom dia, Anthony. — Tallon o cumprimentou casualmente, mas com um tom resignado. — Você não pode levar isso em partes? Parece perigoso.
Hilda, curiosa, espiou pela brecha sob o braço de Tallon para ver o homem que ele chamara de "Anthony". O rosto dele estava escondido pela pilha de papéis, mas seu porte era alto e magro. Especialmente os dedos pálidos que seguravam os documentos e as pernas na calça social preta pareciam excessivamente finos e ossudos.
— Não se preocupe, Sr. Duque. O senhor sabe que ando participando das atividades de ginástica organizadas pela guilda recentemente. — Anthony esticou a cabeça por trás dos papéis. Ele ia continuar falando sobre seu progresso físico, mas, através de seus óculos redondos de aro castanho, estreitou os olhos.
Ele deu de cara com os grandes olhos rosa brilhantes e os fios de cabelo loiro escondidos atrás do Duque. A pequena criatura imediatamente se retraiu.
Anthony soltou um grito de surpresa e quase deixou os documentos caírem. Por sorte, Tallon foi ágil e os segurou, evitando que centenas de folhas se espalhassem pelo chão, o que custaria uma manhã inteira de reorganização.
— Sr. Duque! Aquela atrás do senhor é a pequena senhorita?!
— .... — Hilda estremeceu, colando-se às costas de Tallon. Ela ainda temia estar quebrando alguma regra de etiqueta.
— Fale baixo. Ela é um pouco tímida — disse o Duque, arqueando as sobrancelhas e baixando o tom de voz. — Não a assuste.
— Oh... perdão! — Anthony estava, logicamente, morrendo de curiosidade. Os boatos após o Festival da Colheita diziam que o casal era perfeitamente compatível visualmente. Ele limpou a garganta e cumprimentou cautelosamente por trás da pilha: — Olá, pequena senhorita.
— Olá... Sr. Anthony... — Hilda respondeu baixinho, usando o apelido que ouvira Tallon usar.
Ao ouvir a voz doce e suave de Hilda, Anthony tentou esticar o pescoço para ver como ela era.
— Você não deveria estar indo para a sala de cópias? — o Duque apressou.
— Ah, sim, vou agora mesmo! — Ele ajeitou a pilha e seguiu caminho.
Anthony era o secretário particular do Duque. Logo após se formar na universidade, ele coincidiu com a posse oficial de Tallon. Na época, perdido sobre seu futuro, viu o anúncio de emprego no painel da Avenida da Capital. Ele enviou o currículo sem muita esperança, mas recebeu o convite para os exames uma semana depois. Após se destacar entre centenas de candidatos e ser aprovado pelo Grande Secretário Sion, tio de Tallon, eles trabalharam juntos por dez anos. Ele conhecia bem o temperamento do patrão.
Para Anthony, o Duque sempre foi um líder competente. Embora no primeiro dia tivesse temido aquele monarca jovem e rigoroso, em uma conversa casual após o expediente, o Duque sussurrara para ele uma discussão sobre quem seria o próximo grande vilão do mangá Herói Interestelar.
O Duque, inclusive, acompanhava aquela obra de ação há mais de dez anos.
Hilda olhou para trás e viu que Anthony também se virara para espiá-la. Ela sorriu levemente e acenou.
Oh, ele é fofo, exatamente como os boatos diziam.
E então, o secretário bateu direto em uma pilastra.
Ele ia pedir ajuda ao Duque, mas viu que o patrão já havia sumido corredor adentro, levando a pequena senhorita pela mão.
0098 98 Ela teve arrepios
O escritório do Duque ficava atrás de uma grande porta de porcelana branca com detalhes dourados no fim do corredor. Ao abrir, revelava-se uma enorme mesa de mogno e, ao fundo, uma estante de livros branca e dourada repleta de volumes coloridos e vasos de porcelana luxuosos.
O interior parecia desconexo com a sobriedade do lado de fora, especialmente por causa dos dois grandes leões esculpidos em blocos de ouro ao lado da mesa. Se a mansão do Duque era elegante, este lugar só podia ser descrito como extravagante, com um forte ar de "novo rico".
— E então? — O Duque caminhou até um dos leões de ouro, apoiando o braço na cabeça da estátua com pose. Ele olhou para o seu pequeno algodão-doce com um sorriso presunçoso. — Gostou?
O Duque sempre teve muito orgulho do escritório que ele mesmo decorara.
No entanto, assim que terminou de falar, o ar ficou estranhamente silencioso por alguns segundos.
— Er... — Hilda achou aquela expressão de satisfação dele muito estranha — uma estranheza que beirava o cafona. Ela se esforçava para conter os arrepios nos braços. — É... aceitável.
O Duque concluiu que ela provavelmente não tinha interesse em estátuas de leão, embora ele as adorasse. Mas não importava; contanto que ela tivesse interesse nele, estava ótimo.
Ele voltou a se sentir secretamente orgulhoso de si mesmo.
Como Tallon tinha uma reunião pela manhã, Hilda ficou sozinha explorando o escritório. No geral, só havia decorações exageradas e pilhas de documentos. Ela não ousou mexer nos arquivos densos.
Entediada, sentou-se na cadeira de veludo vermelho e balançou as pernas. Por fim, procurou algo para ler na estante. A maioria eram textos políticos áridos que pareciam nunca ter sido abertos.
Por fim, na prateleira mais baixa, encontrou uma fileira de livros coloridos. Ao puxar um, soltou um som de surpresa.
Era um mangá chamado Herói Interestelar. Tinha um aspecto antigo, com traços que lembravam clássicos de armaduras douradas. Embora Hilda não fosse fã de histórias de luta, já ouvira falar de obras icônicas do gênero.
Ela passou a manhã inteira lendo do volume 1 ao 23, até que o sono a venceu e ela adormeceu sobre a mesa.
0099 99 Combinamos bem
Tallon foi o primeiro a deixar a reunião com pressa. Ele abriu a porta do escritório animado, pronto para chamá-la:
— Be...
Ela estava debruçada sobre a mesa. As cortinas brancas e douradas estavam entreabertas, deixando a luz do sol banhar seu rosto adormecido e seus cabelos loiros espalhados.
Ele engoliu o resto da frase, observando-a murchar os lábios enquanto dormia e ver suas longas pestanas tremerem.
O Duque caminhou na ponta dos pés em sua direção. Notou o mangá sob o braço dela — ela chegara ao volume 23 em apenas uma manhã.
Ele a pegou no colo com cuidado, mas o movimento acabou acordando-a.
— Sr. Tallon... — Ela abriu os olhos, bocejou e sorriu, aproximando a cabeça do pescoço dele.
Ele se sentou na cadeira de veludo com ela no colo. Fechou o mangá sobre a mesa e encostou o queixo no topo da cabeça dela. — Te acordei?