Ela com certeza iria elogiá-lo.
Tipo:
[ Ele é tão fofo~ Eu amo coelhinhos~ O senhor é tão incrível~ Sr. Tallon~ Beijinho~ ]
Os olhos roxos do Duque voltaram a semicerruarem-se, e um sorriso orgulhoso surgiu em seus lábios enquanto Amani partia em disparada.
0069 69 Eu mato você.
O Duque logo retornou à margem da nascente gelada. Desceu do cavalo, empertigou-se e olhou para a rã estúpida — perdão, o coelho estúpido — que segurava pela orelha; o bicho ainda mastigava aquela erva silvestre.
Ele não se importava com os detalhes; estava ansioso para ver a expressão do pequeno algodão-doce ao ver o coelho. Ela certamente ficaria radiante.
O Duque caminhou até lá, mas percebeu que ela não estava esperando no lugar combinado. Deu uma volta ao redor e continuou sem vê-la. Começou a ficar tenso.
Nesse momento, vindo da outra extremidade da nascente, ouviu-se um som de pancadas secas, como se estivessem quebrando gelo.
Ele soltou um suspiro de alívio e correu em direção ao som. Pensou que ela estivesse entediada de esperar e tivesse ido brincar no gelo, mas aquilo era perigoso; precisava buscá-la.
O Duque avistou as costas do pequeno algodão-doce, ajoelhada sobre a nascente congelada com seu vestido de veludo. No entanto, o cabelo dela estava solto, e o capuz com a capa haviam sumido.
Ele apressou o passo e, ao desviar dos galhos espessos dos pinheiros, viu claramente dois homens parados ao lado dela. Um deles estava com a mão direita sangrando, aparentemente por uma mordida; o outro usava uma faca de caça para abrir um buraco no gelo da nascente, que já exibia uma grande fenda.
Em seguida, o ruivo agarrou o pequeno algodão-doce pelo braço e a ergueu do chão com a mão esquerda.
O sorriso que começava a surgir nos lábios de Tallon congelou. Suas pupilas se dilataram. Os ombros e a clavícula expostos do seu pequeno algodão-doce estavam vermelhos de frio; suas mãozinhas estavam amarradas. Ela tremia com os olhos fortemente fechados, e as marcas de lágrimas em seu rosto, agora transformadas em cristais de gelo, pareciam cortes em seu próprio peito.
O Duque não ouvia mais nada; em sua mente, havia apenas um zumbido que crescia e cessava abruptamente. O pavor subiu das solas dos pés até o topo da cabeça, e todos os pelos do seu corpo se eriçaram.
O coelho estúpido caiu no gelo, a erva finalmente soltou-se de seus lábios e ele olhou com olhos vacilantes para as costas do Duque, que avançava como um raio.
O de cabelo raspado ouviu primeiro os passos pesados e velozes vindos de trás. Levantou a cabeça e levou um susto.
"— Irmão, aquele homem não é o Du...!!"
Antes que pudesse terminar, foi atingido por um chute que o lançou contra o tronco de uma árvore oposta. Ouviu-se o estalo seco de sua coluna vertebral; uma grande quantidade de neve caiu sobre ele, e ele desmaiou instantaneamente.
O ruivo ficou paralisado. Foi coberto por uma sombra alta e por um feromônio intenso e agressivo que o subjugou facilmente.
Só então o ruivo percebeu a quem pertencia o nome que aquele lindo pequeno ômega acabara de gritar.
Ele havia mexido com a pessoa com quem jamais deveria mexer.
Mas a culpa era deles! Será que esses figurões tinham fetiches estranhos?! Por que raios dariam supressores para sua própria parceira?!
Ele começou a amaldiçoar sua sorte de merda por ter encontrado justamente a companheira do Duque.
O ruivo jogou Hilda de qualquer jeito sobre o gelo e tentou correr.
Uma fúria sem precedentes queimava no coração do Duque.
No entanto, o corpo de Hilda não ficou muito tempo em contato com o gelo. Ela foi levantada por mãos que possuíam uma temperatura e um toque familiares. A mordaça e as cordas em suas mãos foram rapidamente removidas por ele.
Ela sabia que o Sr. Tallon havia voltado. Abriu os olhos e o medo transformou-se imediatamente em mágoa. Pensou que ele a abraçaria primeiro, mas ele apenas a envolveu com seu casaco de pele preto, soltando-a em seguida.
Ela o viu estender a mão e agarrar a canela do jovem que tentava fugir. O ruivo caiu de cara no gelo, com o rosto mergulhado no buraco recém-aberto. A água gelada deixou sua face escarlate enquanto ele debatia a cabeça e gritava.
Tallon agarrou o ruivo pelos cabelos e pelo colarinho, imobilizando o jovem alto contra o gelo com movimentos rápidos e fluidos.
Foi a primeira vez que ela o ouviu dizer, com a voz espremida pela garganta:
— Eu. Vou. Matar. Você.
0070 70 A Imaginação do Duque
Hilda ficou olhando atônita enquanto o Duque desferia soco após soco no rosto do ruivo. O homem já estava com o rosto inchado e ensanguentado; alguns dentes voaram e caíram perto dos pés dela.
As pálpebras de Hilda começaram a tremer sem parar. Era a primeira vez que via uma briga tão de perto; o gelo estava salpicado de sangue vivo.
Ela estava horrorizada, mas a fúria dele só aumentava a cada golpe.
— Eu deixei você tocar nela?!
— Eu dei permissão?!
— Ela é minha!!! — Os olhos roxos do Duque estavam vermelhos de raiva, o cabelo despenteado. Sua tensão emocional chegara ao limite. — É minha!!! Ninguém toca nela!!!
Ele nem sequer percebeu que seu braço esquerdo havia sido cortado profundamente pela faca de caça que o homem segurava; o sangue tingia seu uniforme branco.
O ruivo já estava perdendo a consciência, coberto de sangue, parecendo realmente prestes a morrer.
Hilda tinha pavor da morte — da sua e da dos outros, especialmente diante de seus olhos. Embora não os tivesse perdoado pelo que fizeram, sentia que não mereciam morrer assim.
Trêmula, ela engatinhou novamente até o lado do Duque e segurou com força o braço direito dele, que estava pronto para outro golpe.
— Sr. Tallon... ele... ele vai... morrer de verdade...
"...." Ele não respondeu. Sua respiração continuava ofegante, mas ele parou o movimento lentamente.
Ela abraçou o braço dele com força, sem coragem de olhar para o homem ensanguentado no chão.
Após algum tempo, a respiração dele estabilizou. Ela sentiu que ele se virou para ela e foi novamente envolvida por aquele abraço conhecido. Ele enterrou o rosto no pescoço dela; os fios de cabelo e o rosto quente pressionavam a orelha fria de Hilda.
— Totó, me desculpe — ele murmurou com a voz embargada.
Ela hesitou por um segundo, então passou os braços por baixo dos dele e segurou seus ombros.
— Tudo bem — disse ela baixinho.
"...." Após essas palavras, o tempo pareceu parar. Ele ficou imóvel, mantendo aquela posição de abraço sentado no gelo.
Por fim, ao sentir que o braço esquerdo dele, apoiado em sua cintura, começava a tremer descontroladamente, ela o afastou gentilmente.
O Duque tinha suor frio na testa, mas não desviava os olhos dela, como se procurasse qualquer ferimento oculto.
Hilda, porém, estava mais preocupada com o braço esquerdo dele. O corte era profundo e o sangue ensopava metade da manga.
Aquilo lhe doeu no coração.
— Deixe-me fazer um curativo primeiro. — A preocupação nos olhos de Hilda fez o coração do Duque palpitar.
Tallon assentiu obedientemente. Ele imaginou que ela faria como nos filmes românticos: rasgaria um pedaço do próprio vestido sem hesitar para envolver o braço dele com um laço delicado.
Mas viu que ela, com um gesto prático, puxou o lenço de seda do bolso do uniforme dele.
.....
Hilda ainda tirou do bolso alguns lenços de papel que trouxera e começou a limpar o sangue ao redor da ferida.
Embora não fosse exatamente como o Duque imaginara, vê-la agindo com tanta seriedade o fez sentir uma doçura imensa.
Enquanto ela fazia o curativo com o lenço, ele se inclinou e lhe deu um beijo.
— O que foi... — Hilda franziu a testa.
— Eu gosto de você — ele declarou.
"..." A mão dela tremeu, apertando um pouco mais o nó do laço.
Ele soltou um gemido de dor.
Ela soltou a mão rapidamente, lembrando-se do susto de antes. Embora tivesse dito que estava tudo bem, ainda guardava um pouco de mágoa.
— Sr. Tallon, afinal, o que o senhor foi fazer?
0071 71 O Duque Gosta de Coelhinhos
— Fui pegar um coelho. — O Duque olhou para frente e, para sua surpresa, viu que o bicho ainda estava lá, parado, observando-os. Ele levantou-se rapidamente do gelo, pegou o coelho pelas orelhas e o colocou diante de Hilda com orgulho. — Não é fofo?
Ela encarou o coelho e sentiu uma onda de irritação.
— Você me deixou sozinha aqui por causa disso? — perguntou, insatisfeita.
"...." Tallon emudeceu subitamente. Soltou o coelho na hora e a pegou no colo com um braço só, mudando o tom de voz instantaneamente.
— Eu errei, Totó.
Mas, pelo canto do olho, o Duque ainda observava o coelho estúpido, que desta vez fugiu saltitante. Ele sentiu uma pontada de lástima.
Parecia que o pequeno algodão-doce realmente não gostava de coelhinhos fofos, mas, na verdade, o Duque gostava bastante.