Ela deu um soco de leve no peito aberto dele.
"..." Tallon soltou os lábios e a soltou. "O que foi, bebê?"
"Ainda não vamos para casa?" Hilda puxou o roupão dele, fechando-o com mais firmeza.
"Espere um pouco, quero conversar com Will primeiro, já que raramente venho aqui." Tallon levantou-se e só então percebeu que o pequeno algodão-doce segurava uma bolsa de água quente contra o baixo ventre; na cadeira ao lado, havia uma sacola plástica com absorventes higiênicos médicos.
O Dr. Will sentou-se novamente na cadeira do consultório, achando que a frase do Duque "raramente venho aqui" era carregada de ironia.
A porta do consultório fechou-se novamente, e Hilda ficou sentada obedientemente na cadeira à espera.
"Ela ainda não tem cheiro de feromônios," Tallon disse primeiro, com uma expressão um tanto constrangida. "Não me refiro ao cheiro após a união, mas ao dela mesma."
"Eu também não sei dizer," Will respondeu, recostando-se na cadeira e especulando: "Talvez ela simplesmente não tenha glândulas."
Durante a consulta com Hilda, Will focou apenas na questão do sangramento; ele não fez perguntas sobre outros assuntos. Estava exausto demais para ter curiosidade sobrando, e além disso, precisava preparar a "Aula da Pequena Rã" para aquela tarde.
O Professor Weiss dissera que indicara várias pessoas para assistir à aula.
Além disso, Will preferia acreditar que o Duque não seria estúpido ao ponto de não conhecer a parceira com quem dormia todas as noites.
Will sentiu que o pequeno mestre não tinha a intenção de esconder nada; durante a consulta, ela fora extremamente honesta e sincera em cada resposta, o que a tornava muito cativante. Ele finalmente soube o nome dela: Hilda.
"Em vez de me perguntar, seria melhor perguntar diretamente ao pequeno mestre," Will foi direto ao ponto.
"...." Tallon lembrou-se daquela primeira noite. "Não é como se eu não tivesse perguntado, mas não consegui tirar nada dela."
Hilda e Tallon pareciam, às vezes, conversar em frequências diferentes.
"Então pergunte mais vezes." Will estava morrendo de sono e só queria voltar para a cama. "Certo, vá para casa. O tempo esfriou, não deixe o pequeno mestre esperando tanto tempo; ela não está se sentindo bem. Quando chegarem, dê a ela algo quente para beber."
"Entendi, obrigado," o Duque agradeceu formalmente.
Will achou que a presença de Hilda o tornara muito mais cavalheiro; ele estava prestes a dizer "não há de quê".
"A propósito, Will, por que você não volta?" O Duque cruzou os braços e sorriu de forma despojada. "Acho que ficar indo e voltando assim é perda de tempo. Que tal voltar a ser o médico particular da mansão? Seria muito mais luxuoso e rentável do que esta pequena clínica."
A cabeça de Will começou a latejar novamente; ele suspeitava que o galo que fizera na carruagem na última vez ainda não tivesse curado totalmente. Ele sorriu e disse: "Obrigado, Vossa Excelência, mas agora mudei de profissão e sou professor."
"O quê?" Tallon franziu a testa. "Dando aulas em uma escola? Eu não soube disso."
Will estendeu a mão e puxou um banner enrolado atrás de si, onde estava costurada uma rã de formato bizarro, com olhos redondos como sinos de bronze.
"Vocês querem participar? A aula de dissecação de rãs será à tarde."
0062 62 O Duque Quer Hamsters
A carruagem branca e dourada da mansão retornou ao portão da casa de campo.
Os criados já estavam acostumados a ver o Duque descendo do veículo carregando o pequeno mestre todo embrulhado.
Parecia que, sempre que algo acontecia, aquele casaco de pele preto e dourado estava presente; eles sentiam que precisavam cuidar muito bem daquela peça para o Duque.
Ao entrarem em casa, seguindo o pedido do pequeno mestre no colo do Duque, os criados prepararam água quente com açúcar mascavo e, por ordem de Tallon, providenciaram vários suplementos nutritivos para repor o sangue e a energia.
Os criados da mansão acharam que o pequeno mestre estava doente e agiram com rapidez redobrada.
Eles esperavam que ela melhorasse logo.
Afinal, todos gostavam muito dela.
À noite, a bolsa de água quente foi colocada pelo Duque sobre o criado-mudo; preocupado com possíveis riscos de segurança, ele a substituiu pelo calor de sua própria palma.
Hilda ainda achava que Tallon era cauteloso demais em coisas desnecessárias.
Ela estava com preguiça de discutir; poupar energia e emoções era essencial para ela no momento.
Mas, no geral, a temperatura corporal dele não perdia em nada para a bolsa de água quente.
E, para ser sincera, Hilda até que gostava do Duque quando ele não estava com segundas intenções. Seu rosto enquanto dormia tranquilamente era belíssimo: cílios longos e densos, pele clara, contorno perfeito e cabelos prateados volumosos. Embora ainda houvesse uma certa seriedade de autoridade em seu semblante, ela já não tinha mais medo dele.
Às vezes, quando não conseguia dormir, ela chegava a encostar no peito dele para ouvir as batidas do coração; era como contar carneirinhos, e logo ela mergulhava no mundo dos sonhos.
No último dia do período menstrual, o Duque trouxe um pequeno objeto coberto por um pano, de onde vinham sons de arranhões e movimentos.
"Abra e veja." Ele o colocou na mesa de centro da sala e pegou a mãozinha dela para guiá-la.
Hilda puxou o pano e seus olhos brilharam: eram hamsters da espécie Sírio, oito no total. Exceto por um maior, todos os outros eram filhotes, muito fofos.
"São para mim?" Ela se virou para olhá-lo, enquanto ele se sentava ao lado dela no sofá.
"Em toda a mansão, só você se interessa por essas coisinhas." Embora as palavras de Tallon não fossem as mais gentis, o tom era de puro carinho.
Os comerciantes de animais da Capital finalmente conseguiram trazer alguns hamsters de fora recentemente. Desde que o Duque passara a ter uma companheira, era comum ver Tallon, em seu uniforme impecável logo após o trabalho, circulando pelo mercado de flores e pássaros.
Inicialmente, os mercadores acharam que o Duque queria espécies nobres como pavões ou pássaros canoros, mas toda vez que passava por uma banca, ele fazia uma pergunta que os deixava boquiabertos: "Vocês têm hamsters aqui?"
Hoje, o Duque finalmente conseguiu o que queria. Ele segurava os hamsters recém-comprados com adoração; achava-os realmente fofos e muito parecidos com o seu pequeno algodão-doce: redondinhos, gordinhos, com pelos dourados como os cabelos dela e olhos pequenos, mas brilhantes.
Hilda virou a cabeça e ficou olhando atônita para a ninhada de hamsters. Um deles, o menor de todos, ergueu o corpo e ficou encarando-a também.
Isso a fez lembrar de sua própria loja de hamsters. O que teria acontecido com seus hamsters e gatinhos? Estariam passando fome e frio como ela passara antes?
Hilda mergulhou subitamente em uma profunda tristeza.
"..." Seus olhos se encheram de lágrimas e sua voz soou embargada. "Obrigada, estou muito feliz."
Tallon não esperava que a reação fosse essa; ele aguardava um sorriso doce e alegre, mas agora seu coração doía ao vê-la chorar. Ele estendeu a mão para limpar as lágrimas que não paravam de cair, sem entender o motivo.
Ele lembrava-se claramente: naquele dia, ela dissera que amava hamsters.
0063 63 Ela Começa a Suspeitar
"O que foi?" Tallon limpava as lágrimas dela com cuidado, brincando consigo mesmo: "Será que eu me lembrei errado para deixá-la tão triste?"
"Desculpe... Sr. Tallon..." Hilda soluçava baixo. Ela ergueu seus grandes olhos vermelhos para ele e disse: "Eu realmente gosto muito de hamsters, estou muito feliz..."
O Duque esboçou um sorriso, com uma expressão um tanto impotente, e brincou: "Não me diga que até quando está feliz você fica assim, em lágrimas."
"Eu..." Ela baixou o olhar e hesitou por um momento, finalmente colocando sua mãozinha sobre a mão dele que estava em seu rosto. "Na verdade, eu..."
Hilda esteve prestes a dizer que vinha de outro mundo; queria dizer a ele que sentia saudades de casa.
"Vossa Excelência, pequeno mestre, o jantar está pronto. Desejam comer agora?" O criado foi educado, mas acabou interrompendo Hilda sem querer.
"Está com fome?" Tallon perguntou primeiro.
Hilda retirou sua mão e assentiu silenciosamente.
Ela sempre achara estranha aquela mesa de jantar tão comprida, pois desde que chegara ali, ninguém mais além do Duque e dela se sentara para comer.
Tallon serviu-lhe um pedaço de foie gras. Ultimamente, ele insistia para que ela comesse tâmaras, goji berries e outros alimentos que repõem o sangue. Ela começou a mastigar mecanicamente enquanto o observava; os movimentos dele ao comer eram muito refinados, totalmente diferentes da agressividade com que tirava as roupas na cama.
Hilda baixou o olhar para os diversos pratos e começou a suspeitar.
Se ela dissesse que vinha de outro mundo, qual seria a reação dele? Ele riria dizendo que ela estava delirando? Ou, como nos protagonistas de romances antigos que ela lera, ele a trancaria para que não pudesse sair? Isso seria terrível.
Mas ela sentia que ele seria bem capaz de fazer algo assim; afinal, a lembrança daquele chute ainda estava guardada em seu coração.
"No que está pensando?" Tallon percebeu o olhar perdido dela e ficou curioso.