O Duque aproximou-se do pescoço de Hilda em busca da glândula, mas, por mais que cheirasse, não a encontrava, sentindo apenas o aroma de shampoo de laranja.
Em que hospital aquele pequeno conseguira supressores de tamanha qualidade?
Ele continuou por mais algumas vezes, já incapaz de se segurar.
O Duque estava impaciente. Ele parou o movimento, colou-se às costas dela e perguntou com a voz rouca: "Onde está sua glândula? Diga-me logo, por favor."
0015 15 (H) O Duque Não se Importa Mais
"..Eu não entendo.." Hilda não sabia do que ele estava falando; seus ouvidos começaram a zumbir. "Per... perdão.."
A energia de Hilda estava no fim; aqueles poucos biscoitos e a bala não eram suficientes para sustentá-la.
"Não é isso que eu quis dizer." Tallon estava ansioso. Seu nariz reto pressionava a nuca dela enquanto ele procurava desesperadamente; ele queria marcar Hilda permanentemente, mas continuava sem encontrar nada. "Onde está? Não consigo sentir o cheiro, pode me dizer?"
"Eu não compreendo... essas coisas.." Ela estava sem forças. Hilda desviou o olhar, exausta, percebendo a ansiedade do Duque. "Sinto... muito.."
Ela ergueu a mão e apertou o dedo indicador dele, que estava apoiado ao lado de sua mão; podia sentir a textura das veias dele. Ela só queria que ele não tivesse tanta pressa; sentia que ia se despedaçar.
Hilda estava fraca demais. O esforço do Duque lhe causava tanta dor que sua testa estava coberta de suor frio; ela não conseguia mais se apoiar nos lençóis e seus braços começaram a tremer.
O Duque segurava a cintura de Hilda, mas não obtinha resposta. Ele estava frustrado, sentindo-se como um inseto em uma chapa quente.
Ele estava no limite. Suava frio e seu coração batia tão rápido que sua cabeça voltou a doer. O aperto do interior de Hilda o provocava, fazendo-o arquejar. Seu corpo clamava por uma conclusão, cada vez mais intensamente.
Mas o Duque era um completo iniciante em marcar Omegas.
Nesse aspecto, ele não podia ensinar nada a Hilda.
E ele não sabia que Hilda não era um Omega.
O Duque estava convencido de que ela usara supressores potentes.
O Duque não se importou mais.
Ele abriu a boca.
E mordeu a nuca de Hilda com força.
Hilda sentiu a dor aguda e desmaiou completamente.
——— No Dia Seguinte, em um Quarto de Dormir ———
Hilda moveu as pálpebras e abriu os olhos com cansaço.
A primeira coisa que viu foi um lustre de diamantes acima dela.
Era brilhante demais; sentia que seus olhos seriam cegados.
Para fugir daquela luz ofuscante, ela tentou virar-se.
Esse movimento a fez sentir uma dor agonizante; a pontada em seu corpo quase fez as lágrimas voltarem, mas ela as conteve.
Lembrou-se de tudo da noite anterior: o chute do Duque, a forma como ele a jogou e puxou seu cabelo, e aquela "estaca hidráulica" frenética.
Hilda cobriu-se com o edredom.
Ele não está aqui, não é?
Ele já deve ter ido embora.
Eu não vou mais encontrá-lo, certo?
Hilda pensava assim e começou a relaxar. Realmente não havia ninguém além dela; o lugar estava silencioso. Ela espiou por cima da coberta; sentia muita sede e achou que em um quarto tão luxuoso deveria haver um bebedouro.
Afinal, havia um na sala de descanso dos funcionários.
Hilda pensava que ainda estava naquele clube.
Ela olhou ao redor.
Aquele quarto era realmente tão grande? Era várias vezes maior do que sua casa em seu próprio mundo.
Ela ficou maravilhada.
A noite anterior fora escura demais, sua cabeça zumbia e ela estava tensa, focada apenas no humor do Duque; quase não notara a estrutura do quarto.
Hilda sentou-se devagar. Queria beber um pouco de água e fugir rápido daquele clube; ela nem queria mais a tal recompensa.
Foi então que percebeu que seu corpo estava limpo. Ontem ela estava coberta de suor frio e seu corpo estava todo sujo.
Hilda achou estranho.
Além disso, percebeu que vestia uma roupa enorme. Esticou as pernas e levantou levemente a coberta; pensou estar usando um vestido, mas viu que era uma camisa masculina. Havia um perfume suave nela; ela a aproximou do nariz para cheirar.
Era um cheiro peculiar.
Bem.... cheiro de feromônios?
Ela não sabia por que aquela palavra lhe veio à mente primeiro.
Enquanto sentia o aroma — que, honestamente, não detestava —, ouviu batidas na porta.
0016 16 O Pequeno Mestre Está Chorando
Hilda mergulhou de volta para debaixo do edredom.
Assustada, ela prendeu a respiração.
Lembrou-se de quando foi arrastada até a porta e dos sorrisos terríveis daqueles homens.
Ela implorou a Deus para que não a descobrissem ali, escondida naquele casulo escuro.
"Pequeno mestre, o senhor acordou?" Desde as onze horas, Wilde estava parado do lado de fora, chamando a cada dez minutos.
Ele olhou para o relógio; eram quase doze horas.
O Duque estava prestes a retornar.
O Duque ordenara naquela manhã que preparassem almoço para dois.
O Duque pretendia almoçar com o pequeno mestre.
Wilde começou a ficar ansioso, andando de um lado para o outro na porta do quarto.
Finalmente, ele parou. Olhou para a maçaneta prateada e engoliu em seco.
Hilda ouviu o som da porta se abrindo.
Seu coração saltou à boca.
Ela ouviu passos aproximando-se — um som que parecia vir das profundezas do inferno. Ele estava cada vez mais perto; ela começou a tremer incontrolavelmente, seus dentes batiam e sua pálpebra tremia sem parar.
Wilde chegou à beira da cama.
Ele olhou para o volume sob as cobertas, achando a situação estranha.
"Pequeno mestre?" Wilde chamou suavemente. Ele segurava uma xícara de chá morno. Perguntou com cautela: "O senhor acordou, pequeno mestre?"
"..." Hilda cobriu os ouvidos e fechou os olhos com força. Não ousava emitir nenhum som.
Já imaginava ser arrastada novamente; as lágrimas voltaram a correr pelo seu rosto e ela começou a chorar.
Wilde aproximou-se. Ele já notara que o vulto sob a coberta estava tremendo.
Achou que o pequeno mestre ainda estivesse passando mal.
Wilde ficou tenso.
Precisava verificar o estado dele.
Estendeu a mão com a luva preta e levantou delicadamente um canto do edredom.
Wilde viu os fios dourados de Hilda.
Ela estava de costas para ele.
Wilde percebeu que ele tremia ainda mais e parecia estar cobrindo os ouvidos com as mãos pequenas.
Ele agachou-se, preocupado. Colocou o chá sobre o criado-mudo. "Pequeno mestre, o que houve? O senhor está passando mal de novo?"
Mas o pequeno mestre não respondia.
Wilde ficou desesperado e tirou a luva.
Hilda sentiu uma mão sendo colocada em sua testa; era uma mão muito quente.
Lembrou-se do diretor do orfanato.
A sensação era muito parecida com a de quando o diretor media sua febre na infância.
Hilda abriu os olhos e, lentamente, tirou as mãos dos ouvidos.
Virou um pouco a cabeça e olhou para trás.
Viu um jovem que parecia muito preocupado. As sardas no rosto dele lembravam muito sua funcionária Amélia. Ele tinha cabelos castanhos curtos e fofos, e vestia um casaco de cauda preto com uma gravata impecável.
Ele não era como aqueles homens de ternos coloridos de ontem; parecia um mordomo formal.
Mas, acima de tudo, Hilda sentiu acolhimento.
Wilde viu o rastro de lágrimas no rosto de Hilda. O pequeno mestre tinha grandes olhos cor de rosa, mas agora estavam cheios de pânico e pranto.
Wilde ficou angustiado.
Tirou o lenço do peito e limpou os olhos dela.
"Pequeno mestre, por que o senhor está chorando?"
——— Continua ———
0017 17 O Pequeno Mestre é Como um Gatinho
Hilda endireitou o corpo e puxou o edredom, deixando apenas os olhos à mostra enquanto observava Wilde com cautela.
Wilde sentiu que o pequeno mestre parecia um gatinho assustado em estado de alerta, mas achou que ele acordado era ainda mais adorável do que dormindo. Ele pegou a xícara de chá novamente, ajoelhou-se com um joelho no chão ao lado da cama e disse com doçura:
"Gostaria de um pouco de chá? É um delicioso chá de logana, ótimo para aquecer o corpo."
Hilda continuou em silêncio, apertando o edredom com força e mantendo os olhos fixos em Wilde. No entanto, ela começou a hesitar; aquele jovem mordomo parecia realmente gentil, seu tom era paciente e carinhoso, e o aroma do chá de logana era convidativo. Ela estava com muita sede.
A cena fez Wilde lembrar de seu gatinho, um filhote alaranjado e muito tímido. Na primeira semana em sua casa, o bichano ficou escondido debaixo da cama, observando-o com olhos redondos e vigilantes. Para ele, o pequeno mestre e seu gatinho eram idênticos.
"Por favor, não tenha medo", Wilde baixou a voz, agindo com cautela. "Eu não sou uma pessoa má."
Wilde presumiu que o pequeno mestre estivesse tão nervoso e assustado por não ter o Duque ao seu lado.
Um pequeno Omega recém-marcado permanentemente costuma necessitar muito do conforto de seu parceiro.
Infelizmente, o Duque tinha compromissos de trabalho muito importantes hoje e foi obrigado a se ausentar.
Wilde possuía olhos amendoados e redondos, e seu sorriso brilhava como um pequeno sol.