"Regras da Capital?" Parece que havia outros forasteiros ignorantes ali.
A multidão começou a gritar um lema em coro, como se recitassem um mantra para entrar na cidade: "Cão de rua ao entrar, deve se ajoelhar. Desobedecer ao Duque, é a cabeça entregar."
Os guardas baixaram as espadas longas que cruzavam a entrada.
Aquele grupo de homens entrou em massa pelos portões, como uma colônia de ratos em marcha. Hilda se misturou àquela multidão de homens altos e conseguiu entrar com sucesso na luxuosa Capital Imperial.
——
A diferença entre o lado de fora e o de dentro era abismal. As pessoas vestiam roupas sociais de estilo britânico impecável e as ruas eram extremamente limpas. Ela conseguia sentir o aroma de pães e doces recém-saídos do forno.
Hilda estava salivando. Mas não tinha um centavo no bolso.
Seguiu a multidão novamente até uma rua de comércio. Parecia estar acontecendo uma grande feira de recrutamento, com filas enormes em todas as lojas.
Hilda tomou coragem e entrou em uma das filas.
—— Clube de Elite Prince ——
"Hoje é o dia em que Vossa Excelência, o Duque, nos visitará." Cícero estava treinando seus acompanhantes. Ele usava um pequeno chicote para bater levemente nas nádegas de um rapaz à sua frente, fazendo-o soltar um grito. "Vejam só essa falta de energia!"
"Eu não quero ir para a cama do Duque", sussurravam os acompanhantes entre si. "Da última vez, o Eric quase ficou desfigurado."
"E o Morfeu, ouvi dizer que até hoje ele está com problemas de incontinência."
Nesse momento, as portas do clube foram abertas. Todos os rapazes olharam tensos, pensando que seria o homem que tanto temiam.
No entanto, entrou um pequeno jovem loiro. Ele parecia imundo, vestindo um pijama de hospital listrado e folgado. Eles suspeitaram que ele tivesse fugido de um hospício.
"...Com licença, vocês estão em reunião?" Hilda perguntou sem jeito, segurando a barra da roupa. Ela forçou a voz para um tom baixo, fingindo ser um homem. "Vi o anúncio de emprego na porta."
Estava extremamente nervosa, pois já havia sido expulsa de três lojas. Nem para lavar pratos a aceitaram; olhavam para ela como se fosse um presságio de azar. Ela suspeitava que o problema fosse sua roupa.
Agora, entrava naquela loja luxuosa com um último fio de esperança. O principal motivo era que, estranhamente, ali não havia fila.
"Você tem certeza de que veio para a entrevista?" Cícero a avaliou de cima a baixo com desconfiança. Pela sua experiência de anos, aquele loirinho certamente não era maior de idade, ou então tinha algum defeito genético para ser magro como uma vara.
Os guardas do portão deviam estar cegos ultimamente para deixar alguém assim entrar. Não tinham medo de doenças contagiosas?
Mas faltavam apenas cinco minutos para o horário agendado pelo Duque. Ele não tinha tempo nem energia para uma entrevista absurda com aquele loirinho para descobrir sua idade ou se ele era louco.
"Sim, senhor." Hilda assentiu vigorosamente. Ela achou Cícero muito gentil; ele se parecia muito com o antigo diretor do orfanato onde cresceu. Sua voz falhou e ela esfregou as mãos, implorando: "Por favor, senhor... eu vou me esforçar muito... por favor..."
——— Continua ———
0004 4 Ela Vestiu o Terno
Cícero olhou para o relógio de pulso e depois para a imunda Hilda. Se o Duque visse uma figura tão deplorável em seu clube, certamente perderia o interesse, e seu estabelecimento não poderia falir.
"Levem esse loirinho para tomar um banho e coloquem uma roupa decente nele. Não deixem que ele pareça um louco", ordenou Cícero em voz baixa e ríspida.
"Venha comigo", fez sinal um dos rapazes para Hilda.
Ela ficou radiante e seguiu o rapaz rapidamente, descalça.
——— Carruagem Ducal ———
"Vossa Excelência, seu corpo parece estar desenvolvendo resistência aos medicamentos." Rael segurava uma seringa vazia. "O senhor precisa marcar um Omega o quanto antes."
Tallon massageou as têmporas com irritação. Não era que ele não quisesse marcar alguém, mas simplesmente não conseguia encontrar um Omega que o fizesse sentir qualquer conexão ou excitação. Ele achava todos medíocres.
Rael suspirou. "O senhor precisa ser mais gentil. Só assim poderá sentir prazer; não pode tratar isso apenas como uma descarga de tensão."
"Chega, Rael", disse Tallon, cobrindo o rosto com a mão. "Não tente defender aqueles acompanhantes."
O cocheiro puxou as rédeas e anunciou: "Vossa Excelência, chegamos!"
Tallon puxou a cortina, preparando-se para descer.
Rael o segurou e lembrou mais uma vez: "Se encontrar um Omega adequado, deve marcá-lo imediatamente. Não pode mais adiar isso, senhor."
"Eu entendo." Tallon desvencilhou-se da mão de Rael. Seus olhos roxos lançaram um olhar descontente para seu médico particular: "Rael, você sabe que eu detesto pessoas tagarelas."
"...Peço perdão, Vossa Excelência."
Rael observou Tallon se afastar. Estava muito preocupado. Se as coisas continuassem assim e os feromônios do Duque não fossem liberados adequadamente, o desequilíbrio se tornaria ainda mais grave. Nos últimos anos, os períodos de sensibilidade tornaram-se cada vez mais frequentes. Embora o alívio temporário ajudasse a mitigar o desconforto físico, não resolvia a raiz do problema. Isso poderia acabar custando a vida dele.
——— Clube - Sala de Descanso dos Funcionários ———
Hilda acabara de tomar um banho quente. Sentia-se renovada. Pela primeira vez, achou que tomar banho era um luxo e uma felicidade imensa.
"Você sabe vestir um traje formal?" O rapaz estava parado junto à porta de vidro fosco do banheiro. Ele lembrava da aparência miserável de Hilda e estava preocupado.
"Eu sei, não precisa me ajudar." Hilda abriu uma fresta da porta, apenas com os olhos aparecendo, e disse baixinho: "Por favor, me entregue as roupas."
O rapaz lançou um olhar estranho para Hilda e entregou o terno pela fresta. "Depois de vestir, volte rápido para o salão de recepção. Um convidado muito importante está prestes a chegar."
Dito isso, o rapaz saiu apressado.
Convidado importante? Deve ser alguma figura poderosa vindo para jantar, pensou Hilda. Como nunca estivera em um lugar assim, presumiu naturalmente que aqueles homens de terno fossem garçons.
Hilda vestiu o terno branco estampado com padrões coloridos. Embora achasse estranho que os garçons usassem roupas tão excêntricas, estava mais preocupada em não parecer desleixada. Como ela tinha apenas 1,62m e o terno era tamanho 1,75m, a sorte era que havia um cinto, caso contrário pareceria um daqueles homens de meia-idade com barrigões.
Ela viu um par de sapatos de couro diante da porta; também pareciam grandes, provavelmente tamanho 40. Hilda enfiou seus pezinhos neles e começou a caminhar com dificuldade para fora do vestiário.
Nesse momento, notou que em uma pequena mesa lateral havia alguns biscoitos de boas-vindas, uma bala embalada e um bebedouro.
Perdoe-me, Deus, mas estou com muita fome.
—— Salão de Recepção ——
Todos os acompanhantes estavam em posição impecável na entrada, divididos em duas fileiras como soldados de quebra-nozes prontos para a ação.
"Senhor... eu já me troquei." Hilda caminhava com dificuldade em direção a Cícero, segurando as calças folgadas.
O rosto de Cícero estancou. Ele viu as migalhas de biscoito no canto da boca de Hilda e começou a se arrepender amargamente de não tê-la expulsado minutos antes. "Limpe essa boca suja e vá rápido para aquele canto atrás da porta!"
——— Continua ———
0005 5 O Duque Está em Seu Período de Sensibilidade
"..Tudo bem, senhor." Hilda limpou a boca, envergonhada. Ela puxou as calças apressadamente e, tropeçando nos sapatos grandes, tentou correr para o canto da sala.
Os outros acompanhantes soltaram risadinhas baixas e debochadas.
Nesse exato momento, as portas do clube se abriram. O reflexo do broche de quem entrava feriu os olhos de Hilda, e seu sapato enorme acabou prendendo em uma pequena dobra do longo tapete vermelho.
Ela tropeçou.
Instintivamente, suas mãos agarraram a primeira coisa que encontraram à frente para não cair.
Um silêncio mortal tomou conta do salão de recepção; o único som audível era o tique-taque de um cronômetro.
As mãos de Hilda estavam presas à barra da calça branca do homem que acabara de entrar. Seus sapatos também eram brancos, polidos com tanto esmero que ela conseguia ver seu próprio rosto petrificado refletido no couro impecável.
Ajoelhada no chão, Hilda ergueu a cabeça lentamente.
O homem diante dela tinha cabelos curtos de um prata puro e a pele de um branco gélido. Ele era extraordinariamente alto e forte, aparentando ter mais de 1,90m. Vestia um casaco de pele em tons de preto e dourado sobre um terno branco ornamentado. O terno parecia feito sob medida, delineando os músculos peitorais robustos e definidos. A peça era cravejada de detalhes dourados e, no peito, ostentava um magnífico broche de rubi em estilo britânico.
Ele a encarava de cima com olhos de um roxo profundo e insondável. Seu olhar era tão frio quanto uma lâmina, fazendo-a sentir-se sufocada.
Sem coragem de sustentar o olhar, ela começou a balbuciar, tremendo: "Per... perdão..."
Ela notou que os dedos longos dele, cobertos por luvas brancas e adornados com vários anéis de pedras preciosas do tamanho de ovos de pombo, moveram-se levemente.