Capítulo 8: Agradando o Alvo
No dia seguinte, Thalita acordou quase na hora do almoço.
Sua cabeça parecia que ia explodir e seu corpo doía como se tivesse sido atropelado por um caminhão.
Ela se sentou com dificuldade, afastou a cortina da cama e olhou para baixo, vendo apenas Sophia concentrada desenhando em sua mesa digitalizadora.
"Sophia, que horas são?"
Sua voz estava rouca e ela perguntou meio zonza: "Onde estão a Camila e a Débora?"
Ao ouvir a voz de Thalita, Sophia parou de desenhar imediatamente e olhou para cima, sorrindo: "Acordou?"
"São meio-dia e dez agora. As outras saíram para comer."
Sophia observou o estado deplorável da amiga e sorriu: "Estava te esperando. E aí, consegue levantar?"
As memórias confusas começaram a se organizar. As atitudes e palavras vergonhosas da noite anterior voltaram à mente.
Não bastava perder o controle das ações por causa da bebida; o pior era acordar e lembrar exatamente de tudo o que fez e disse.
Por que o ser humano não podia simplesmente ter uma amnésia súbita?
Como o Caio conseguiu se segurar para não bater nela?
Um calor de vergonha subiu às suas bochechas. Thalita fechou os olhos, respirou fundo e respondeu com a voz o mais normal possível: "Consigo."
Ela se arrumou rapidamente e foi com Sophia para o refeitório principal.
"A Camila me contou tudo sobre ontem à noite."
Na mesa, Sophia deu uma batidinha de leve na bandeja de Thalita com os palitinhos, com um sorriso malicioso: "Mandou bem, Thalita! Que ousadia, confessou logo de cara. Muito bom, agora você pode se declarar para o Príncipe do Gelo sem medo."
As palavras "se declarar" fizeram Thalita ficar vermelha como um pimentão.
Ela resolveu colocar um pedaço de batata com curry na boca de Sophia para fazê-la parar de falar.
"Nossa, que vergonha é essa?"
Vendo o rosto de Thalita vermelho como uma cereja, Sophia suspirou preguiçosamente e disse com a boca cheia:
"Poxa, eu ia te ensinar algumas técnicas de conquista, mas já que você é tão tímida, deixa pra lá..."
"Não!" Thalita largou os palitinhos imediatamente e segurou a mão da amiga. "Pode falar, Sophia, por favor."
Sophia sorriu para ela por alguns segundos antes de assumir um ar compreensivo: "Tudo bem, já que você é tão sincera, eu te dou umas dicas."
Ela se inclinou e sussurrou: "O primeiro passo, que é revelar seus sentimentos, você já deu. O segundo passo agora é agradar o alvo de acordo com o que ele gosta."
Thalita assentiu seriamente, como se estivesse em uma aula importante, esperando a continuação.
Sophia continuou a análise: "Pelo que eu sei, o Caio, assim como o seu irmão Samuel, adora basquete."
"Amanhã tem a final de basquete do departamento de computação. Cada turma tem que escalar pelo menos um aluno, e como o Samuel não está, o Caio, sendo um dos melhores da turma 1, com certeza vai jogar!"
"Por isso..."
Na tarde seguinte, às duas e meia, na quadra de esportes.
As arquibancadas estavam lotadas de espectadores, a maioria mulheres.
Seguindo o conselho insistente de Sophia e Camila, Thalita fez uma maquiagem leve e sofisticada para assistir ao jogo.
"Conseguimos a primeira fileira! Que pena que a Débora não veio, esse lugar é maravilhoso."
Sophia comentou, apoiando o braço no ombro de Camila: "Sabe, o Lucas até que é um cara legal, por que você não dá uma chance para ele?"
Camila sorriu e deu um "humph" orgulhoso: "Vou observar o comportamento dele primeiro."
Ela olhou para Thalita e depois para a toalha e a garrafa de água mineral em suas mãos, recomendando: "Nossos lugares são os mais próximos da quadra. Aproveite a chance. Quando acabar, você tem que ser rápida, entendeu?"
Thalita apertou a água e a toalha, assentindo seriamente.
A partida estava prestes a começar. Em quadra, os jogadores de Computação e Direito já estavam reunidos.
A altura de Caio, quase um metro e noventa, o tornava extremamente visível no meio da multidão.
Somado ao seu rosto e corpo escandalosamente bonitos, ele atraía quase todos os olhares femininos do ginásio, fazendo com que qualquer movimento simples gerasse gritos entusiasmados.
"Hunf, só tem rostinho bonito. No fundo, a técnica deve ser bem básica."
No lado do Direito, um rapaz chamado Bruno deu um tapinha no ombro de Paulo, confiante: "Paulo, você vai acabar com ele na quadra!"
Diante do elogio, Paulo não respondeu. Ele estava olhando fixamente para uma figura esbelta e linda na primeira fila da arquibancada.
Bruno, vendo que foi ignorado, coçou o nariz sem graça e seguiu o olhar do amigo.
"Ei, aquela não é a sua namorada?"
Bruno não sabia que Paulo e Thalita tinham terminado e disse sorridente: "Ela está olhando para cá!"
Ao ver isso, um sorriso satisfeito e gentil surgiu nos lábios de Paulo.
Sim, ele também teve certeza: ela estava olhando para ele.
Portanto, aquele beijo em um estranho no bar no outro dia não passou de uma cena, feita apenas para deixá-lo com ciúmes.
Sua namoradinha era uma pessoa pura, mas os homens têm desejos; ela era sempre muito conservadora e não o deixava tocá-la, por isso ele teve que procurar outra saída.
Ele apenas cometeu um erro que qualquer homem cometeria, mas agora ele tinha mudado.
E como sua namoradinha era uma pessoa sentimental, vir vê-lo jogar agora significava que ela ainda não tinha superado o relacionamento de dois anos, que tinha pensado melhor e o perdoado.
Por isso, no jogo de hoje, ele teria que dar o seu melhor para não decepcioná-la.
"Fazia tempo que eu não a via, ela parece estar ainda mais bonita."
Bruno comentou: "Pra mim, aquela votação de beldade da universidade no fórum é uma piada. Aquela Alice não chega nem perto dela."
"Na minha opinião, sua namorada é a garota mais bonita de toda a faculdade."
Ele continuou sorridente: "Ela até trouxe toalha e água mineral, com certeza é pra você. Os outros caras vão morrer de inveja!"
"Eu já estou com inveja, Paulo", Bruno brincou, batendo no ombro do amigo. "O jogo nem começou e você já ganhou de goleada!"
Paulo sentiu-se flutuar com tantos elogios.
Ele não resistiu e lançou um sorriso confiante e terno na direção de Thalita.
Nesse momento, Thalita, que estava concentrada observando o aquecimento de Caio, teve sua visão bloqueada por uma mecha de cabelo e esticou a mão para afastá-la.
Inesperadamente, ao mudar o foco, ela deu de cara com o olhar de Paulo.
Thalita estacou por um segundo.
O que estava acontecendo? O que aquele lixo do Paulo estava fazendo nesse jogo?
Será que ele estava tendo um tique nervoso? Por que estava lançando aquele sorriso nojento para ela?
Thalita sentiu calafrios de repulsa e imediatamente baixou a cabeça como se estivesse fugindo de uma praga, sem coragem de olhar para os lados novamente.
Mas Thalita mal sabia que esse gesto, aos olhos de Paulo, ganhou um significado totalmente diferente.
Sua namoradinha estaria com vergonha?
Realmente, ela continuava pura e adorável como sempre.
A alegria de Paulo aumentou, e sua determinação em vencer aquele jogo tornou-se absoluta!