Capítulo 6: Uma Estratégia Ousada
Caio não sabia se era impressão sua, mas sentiu que, naquele momento, os belos olhos da garota carregavam um traço sutil de ressentimento.
Antes que pudesse analisar melhor, a visão foi bloqueada por outra pessoa.
"Desculpem o atraso, o trânsito estava terrível."
Camila entrou logo atrás, sorrindo para todos os presentes.
"Aniversariante, o que vocês estão jogando?"
Ela olhou para Lucas e, enquanto falava, puxou Thalita diretamente para o grupo: "Deixem a gente participar também!"
Thalita foi arrastada e, segundos depois, viu Camila afastar Lucas para o lado, abrindo um espaço à força e empurrando-a para sentar-se bem ao lado de Caio.
Diante disso, um silêncio estranho tomou conta do lugar por alguns segundos.
Thalita sentiu todos os pelos do corpo se arrepiarem e baixou a cabeça imediatamente, sem coragem de encarar a figura de aura gélida ao seu lado.
A atitude de Camila poderia ser mais óbvia?
Já Lucas, que fora empurrado para longe, nem pensou nisso.
Ele olhava abobalhado para Camila, com um único pensamento em mente: a deusa de seus sonhos veio à sua festa de aniversário!
Ele finalmente tinha uma chance!
Lucas quase chorou de alegria e logo se prontificou: "Estávamos jogando um carteado rápido, mas claro, se você e a Thalita quiserem participar, podemos mudar para um jogo de grupo..."
Camila e Lucas começaram a conversar animados.
Thalita, por sua vez, sentia-se como se estivesse sentada em brasas.
Sua garganta e estômago ainda sofriam com o desconforto trazido pelo álcool através da conexão.
Era uma queimação ardente...
E para piorar, Caio se moveu novamente.
Ele ergueu a garrafa de novo, preparando-se para terminar o restante da bebida.
Thalita, observando pelo canto do olho, entrou em pânico. Sem pensar, ela estendeu a mão e segurou o braço dele.
Caio parou o movimento.
"O que foi?" Ele baixou o olhar, encarando-a com uma expressão inquisitiva.
Pela diferença de altura, mesmo ambos sentados, ele era quase meia cabeça mais alto que ela.
Isso fazia com que o olhar dele tivesse uma pressão intimidadora.
Thalita, por hábito e nervosismo, mordeu o lábio inferior por um instante. Depois, tomou coragem e ergueu os olhos para encará-lo.
"Caio... meu irmão disse que seu estômago não é muito bom, então... por favor, beba menos."
"Samuel, meu querido irmão, espero que seu nome tenha algum peso aqui", pensou ela silenciosamente.
"Seu irmão disse?"
O olhar profundo de Caio fixou-se nela.
Era um olhar calmo e sem ondas, mas Thalita sentiu como se ele pudesse ler até sua alma.
Ela assentiu, sentindo-se um pouco culpada.
Seu irmão era como um escudo que ela usava sempre que precisava.
Inesperadamente, ele soltou um riso curto e frio, afastou sem piedade a mão dela de seu braço e virou o restante da garrafa de uma só vez.
"Cof, cof, cof..."
Thalita engasgou imediatamente, sendo atingida pela sensação da bebida.
Ela cobriu a boca e o nariz, com os olhos muito vermelhos, e lágrimas voltaram a transbordar.
"Como alguém pode ser tão teimoso e autodestrutivo sabendo que tem problemas de estômago?", pensou ela, irritada.
Caio baixou a garrafa vazia e, observando a garota ao lado tossindo com o rosto congestionado, pensou em apenas uma palavra: delicada.
Engasgar daquele jeito apenas por sentir o cheiro do álcool... ela parecia uma flor de estufa.
Caio nunca gostou de coisas frágeis demais.
Ele desviou o olhar, ignorando-a.
Mas, momentos depois:
"Caio... você quer?"
Uma bala de frutas, envolta em papel colorido, foi estendida em sua direção.
Caio olhou para a bala por dois segundos e depois ergueu os olhos para o rosto delicado e suave da garota.
Naquele momento, os olhos que pareciam pérolas de vidro ainda estavam úmidos, com pequenas gotas presas nos cílios curvos, brilhando como estrelas.
Talvez pelo nervosismo, seus lábios vermelhos e pequenos estavam comprimidos, e o lábio inferior parecia especialmente macio e convidativo.
Certas memórias invadiram sua mente subitamente.
O olhar de Caio tornou-se mais profundo e ele disse friamente: "Eu não gosto de doces."
"Ah."
Thalita recolheu a bala, decepcionada, e seguindo o princípio de não desperdiçar nada, ela mesma a comeu.
Na verdade, não era apenas uma bala comum; ela continha propriedades para ajudar a aliviar os efeitos do álcool.
Antes de vir, ela tinha comprado especialmente para carregar na bolsa.
Ela só queria tentar a sorte, não esperava realmente que Caio aceitasse.
Afinal, além daquele beijo acidental, eles nem eram tão próximos.
"Vejam só, que oferecida, que sem vergonha."
As ações de Thalita não passaram despercebidas por Sara.
Como melhor amiga de Alice, ela sussurrava indignada.
"Toda a universidade sabe que você gosta do Caio, e essa garota ainda vem vestida desse jeito vulgar para seduzi-lo. Ela está claramente te provocando, Alice!"
O rosto de Alice também não estava nada bom. Suas mãos sobre os joelhos se apertaram até os nós dos dedos ficarem brancos.
"Ei, jogar cartas o tempo todo é meio chato, os outros não conseguem participar muito."
Camila de repente aumentou o tom de voz e piscou de forma brincalhona para Lucas.
"Lucas, que tal jogarmos o 'passe a bola'?"
"Como você é o aniversariante, você controla a música. Quando a música parar, quem estiver com a 'bola' tem que beber ou aceitar um desafio. Assim todo mundo brinca, o que acha?"
Após passar a euforia inicial, Lucas começou a entender. Camila não veio à sua festa apenas por diversão; o objetivo principal dela era ser cupido.
Se ele não mostrasse atitude e colaborasse agora, provavelmente nunca conseguiria conquistá-la.
Pensando nisso, ele limpou a garganta e fingiu interesse: "Claro! Parece divertido. E aí, pessoal, vamos tentar?"
Cinco minutos depois.
Thalita estava segurando a garrafa plástica que representava a bola, completamente atônita.
"Opa! Parabéns Thalita, você foi a primeira premiada!"
Lucas baixou o celular que controlava a música e disse sorridente: "Escolha: beber ou desafio?"
Thalita não sabia beber e não suportava o gosto do álcool.
Desde que começou a conexão com Caio, cada vez que ele bebia, ela sentia um sofrimento terrível.
"Desafio", disse ela, sem outra opção.
"Muito bem!" Lucas fez um sinal de positivo exagerado. "Gostei da coragem!"
"Então, o seu desafio será..." ele fez uma pausa dramática, percorreu o olhar pelo grupo e parou em Caio, continuando: "Dar um beijo no Caio!"
Com essa frase, o silêncio tomou conta do lugar por um segundo, seguido por uma explosão de gritos e assobios.
"Caramba, esse cara perdeu o juízo! Hahaha!"
"O que é isso? Não assustem a nossa beldade das Artes, tenham modos!"
"Mandou bem, Lucas! Até o Caio você quer colocar na roda? Caio, acaba com ele!"
Camila, ao ver a cena, sorriu satisfeita e lançou um olhar de aprovação para Lucas.
Ao lado, Alice cerrou os punhos, com as unhas quase entrando na carne, olhando para Lucas como se quisesse matá-lo.
Lucas retribuiu o olhar de Camila discretamente e ignorou completamente a fúria de Alice.
Afinal, ela tinha vindo à festa de penetra por conta própria; ele não a convidou e não sentia necessidade de ser gentil.
"Isso..."
Thalita ficou paralisada.
O desafio era tão chocante que ela demorou a processar.
Só quando encontrou o olhar ansioso e encorajador de Camila é que ela voltou a si.
Não, ela realmente queria conquistar o Caio, mas esse "empurrãozinho" não era agressivo demais?
Uma atitude direta dessas fazia seu plano de "levar o café da manhã e o almoço" parecer brincadeira de criança!