Sinopse
Por um erro do destino, Thalita acabou compartilhando uma conexão sensorial física com o estranho que ela beijou à força. Desde então, sua vida tornou-se um caos inevitável.
Quando ela tenta pintar, ele está lutando boxe.
Quando ela sofre com as cólicas do período menstrual, ele corre mais de quarenta quilômetros para vencer uma maratona.
Ele não se alimenta direito, não descansa como deveria e acaba arrastando-a para o mesmo sofrimento de fome e exaustão.
Para tentar ter um pouco de paz, Thalita começa a tratá-lo como se fosse uma divindade a ser mimada.
Ela lhe envia refeições preparadas com carinho quando ele sente fome.
Leva roupas térmicas no meio de nevascas quando ele sente frio.
Cuida meticulosamente de suas feridas quando ele se machuca.
Conta histórias para ajudá-lo a dormir quando ele sofre de insônia.
Ela é resiliente, dedicada e gentil.
Até que um dia, no limite de sua paciência e com os olhos marejados, ela o pressiona contra a parede e reclama indignada: "Você não poderia se controlar só um pouquinho?"
Ao ouvir isso, ele envolve a cintura dela com sua mão grande, puxando-a para um abraço apertado, e solta um riso leve e despreocupado: "Desculpe, mas eu não consigo me controlar."
"Isso é uma doença, e você é a única cura."
Capítulo 1: Conexão Sensorial com o Príncipe do Gelo
A noite estava densa no dormitório feminino da Universidade de Santa Rosa, no quarto 105.
Suas três colegas de quarto já dormiam profundamente, mas Thalita era forçada a permanecer acordada.
Sua camisola já estava completamente desalinhada, enquanto sensações estranhas não paravam de chegar, espalhando-se por todo o seu corpo.
Thalita estava com o rosto intensamente corado, cerrando os dentes com força para não deixar escapar nenhum som vergonhoso.
Já fazia quase duas horas e ele ainda não parava!
Como alguém podia ter tanta energia?
A imagem do rosto frio e indiferente de Caio surgiu em sua mente.
Se não fosse pela experiência direta dos últimos dias, ela jamais acreditaria que o "Príncipe do Gelo" da universidade, que parecia tão distante e contido por fora, tivesse um apetite tão insaciável em sua vida privada.
Quanto ao motivo de Thalita conseguir "sentir na pele" esse segredo, tudo remontava àquela noite, três dias atrás.
Ela havia flagrado seu namorado a traindo em um bar e terminou o relacionamento ali mesmo.
Para sua surpresa, o cafajeste se recusou a aceitar o término e começou a fazer uma cena, implorando perdão.
Tomada pela repulsa e querendo cortar qualquer esperança de reconciliação, Thalita agiu por impulso. Ela agarrou um homem bonito que parecia trabalhar no local, entregou-lhe trezentos reais e o beijou à força.
Naquela noite, ela estava cega de raiva e não viu bem quem havia beijado. Só depois descobriu que o homem não era um funcionário do bar, mas sim o aluno mais cobiçado da universidade: Caio.
E o mais absurdo de tudo: desde aquele beijo acidental, seu corpo sofreu uma mudança bizarra.
Ela e Caio estavam em conexão sensorial!
No início, ela não percebeu a gravidade da situação, até que...
Uma onda de sensações desconhecidas e avassaladoras a atingiu novamente. Thalita sentiu os cantos dos olhos arderem de tão vermelhos e, finalmente, não conseguiu mais se conter, deixando escapar um gemido baixo.
Era humilhante.
Caio parecia não conhecer a palavra moderação.
Thalita sentia-se frustrada e injustiçada.
Isso não podia continuar!
Amanhã ela teria que visitar algum templo ou santuário para ver se encontrava algum mestre capaz de quebrar essa conexão física entre ela e Caio.
"Thalitinha, acorda! Vamos nos atrasar! Hoje é a aula do Professor carrasco, se chegarmos tarde, estamos perdidas!"
Na manhã seguinte, suas outras duas colegas já haviam saído para a aula, e Thalita foi acordada à força por Sophia.
Ao ver o estado deplorável de Thalita, com olheiras profundas e uma expressão exausta, Sophia ficou confusa.
"Por que suas olheiras estão tão fortes? Eu lembro que você foi deitar cedo ontem."
"É... uma longa história."
Thalita, sentindo-se como se tivesse sido drenada, disse desanimada: "Sophia, por favor, peça dispensa para mim com o coordenador. Eu preciso ir a um templo hoje."
"Hã? O que você vai fazer num templo?"
Thalita bocejou e murmurou frustrada: "Fui assombrada por um encosto."
Sophia ficou surpresa, a mão que segurava os frascos de tinta tremeu, quase derrubando tudo.
"Sério? Que tipo de encosto?"
Thalita: "Um encosto pervertido."
Sophia: "???"
Até as nove da noite, Thalita, que havia percorrido todos os templos e santuários da cidade, finalmente voltou.
"E então, Thalitinha? Conseguiu resolver?"
Assim que ela entrou no quarto, Sophia se aproximou e perguntou em tom baixo, preocupada.
Thalita balançou a cabeça cansada.
Sem encontrar uma solução, ela lavou-se rapidamente e subiu na cama, deprimida.
Esta noite, Thalita já estava preparada para outra madrugada de insônia.
E, como esperado, ela não conseguiu dormir, mas desta vez não foi por causa "daquelas coisas".
Ela se encolheu na cama, segurando o estômago que latejava com ondas de dor aguda.
Naturalmente, aquela dor não era dela, mas vinha através da conexão com Caio.
Considerando que sentiu o estômago vazio o dia inteiro, não era difícil concluir: Caio não havia comido direito e agora estava sofrendo de gastrite.
A dor durou a noite inteira. Thalita revirou-se de um lado para o outro, suando frio, e só conseguiu pegar no sono quando o dia começou a clarear.
Mas ela não dormiu por muito tempo antes de ser despertada por Sophia.
"Thalita, acorda! O jogo de basquete do Samuel vai começar!"
Sophia subiu na cama de Thalita e começou a sacudi-la pelos ombros como um furacão.
"Levanta logo! Vamos torcer por ele. Não podemos deixar a torcida do outro curso ganhar da nossa!"
Samuel era o ídolo de Sophia, mas também era o vizinho e "irmão" de consideração de Thalita.
Ele era dois anos mais velho que ela. Cresceram juntos e tinham uma relação excelente; embora não fossem irmãos de sangue, eram mais próximos do que muitos.
Sendo o jogo dele, Thalita realmente deveria ir torcer.
"Está bem."
Thalita levantou-se, conformada com o destino.
No entanto, o que ela não esperava era que, ao chegar ao local da partida, veria outra pessoa familiar além de Samuel.
O rapaz tinha sobrancelhas marcantes e um olhar gélido, era lindo como uma pintura. Os músculos expostos sob o uniforme preto de basquete tinham linhas fluidas e firmes, exalando força.
Somado a um físico de modelo — ombros largos, cintura estreita e pernas longas — ele fazia as garotas presentes suspirarem e comentarem sem parar.
"Eu não acredito que o Caio também está participando desse jogo do curso de Computação! Meu Deus, ele é bonito demais, isso devia ser proibido!"
"Claro que ele participaria, ele e o Samuel são melhores amigos!"
"Realmente, gente bonita só anda com gente bonita. Que visão maravilhosa!"
Vozes de admiração ecoavam por todos os lados.
Assim que Thalita identificou quem era o rapaz, ela silenciosamente puxou a gola de seu casaco até o topo, abaixou a cabeça e escondeu metade do rosto.
Esse movimento foi notado por Sophia.
"Thalitinha, você está com frio?"
Thalita sentiu-se constrangida e respondeu de forma nada natural: "Um pouco."
Sophia: "???"
Com o calor que fazia hoje, frio?
Sophia disse preocupada: "Amiga, sua imunidade deve estar no chão!"
Thalita não rebateu.
De certa forma, Sophia não estava errada.
Nesses últimos dias, ela realmente vinha sendo torturada até a exaustão todas as noites.
Lembranças indescritíveis invadiram sua mente, fazendo seu rosto esquentar incontrolavelmente. Ela abaixou a cabeça ainda mais.
Enquanto ela falava com Sophia, a partida entre os cursos de Computação e Finanças começou oficialmente.
O primeiro lance foi a bola ao alto lançada pelo árbitro.
Quase no mesmo instante, Caio, representando a Computação, saltou com uma explosão incrível, pegou a bola com facilidade e disparou em um drible veloz, rompendo a defesa adversária para finalizar com uma enterrada espetacular.
Antes que o público pudesse reagir, o placar já marcava 1 a 0.
O ginásio ficou em choque, um silêncio absoluto se espalhou.
Samuel ergueu as sobrancelhas e estalou os dedos para Caio: "Nada mal, essa foi boa!"
As palavras dele foram como uma pedra lançada em um lago calmo, quebrando o silêncio e fazendo a multidão explodir em gritos e aplausos.
"Caramba, que incrível!"
"Meu Deus, essa velocidade de reação, essa força explosiva... é assustador. O Caio é o melhor!"
O início avassalador de Caio incendiou o ginásio.
Thalita, ao ver aquilo, sentiu o canto da boca tremer.
O cara passou o dia anterior sem comer, teve dor de estômago a noite inteira e, mesmo sem estar totalmente recuperado, ainda conseguia jogar com tanta agressividade e habilidade.
Só dava para dizer uma coisa: Caio era um monstro.