Naquele momento, ele sorriu subitamente.
Fosse amor ou ódio.
Eles estariam entrelaçados vida após vida. A próxima vida dela também seria a próxima vida dele.
Mas, no hospital, ao vê-la deitada na cama sem vida, ele sentiu de repente que estar vivo não era ruim.
Pelo menos, ele ainda poderia olhar para ela.
Dois meses depois.
Gustavo estava processando documentos no escritório quando Henrique entrou batendo suavemente na porta, com uma expressão de dificuldade: "Senhor, recebemos notícias da DUR. Eles querem cancelar a cooperação."
Essa cooperação deveria ter sido confirmada há dois meses, mas, por algum motivo, foi adiada até agora.
Mas ser cancelada subitamente traria grandes prejuízos.
Ao ouvir isso, Gustavo não ergueu a cabeça, apenas murmurou um "hum".
Henrique concordou e, quando estava prestes a sair, recebeu uma ligação. Após alguns segundos de silêncio:
"Senhor, a DUR enviou outra mensagem. Disseram que o contrato está pronto, mas o local será definido por eles, e o senhor precisa ir pessoalmente."
Gustavo ergueu os olhos levemente, demonstrando impaciência.
"Senhor, eles também disseram... que haverá um grande presente para o senhor após a assinatura." Henrique tinha pequenas gotas de suor na testa; em todos esses anos, nunca ninguém conseguira manipular o Grupo Cavalcante dessa forma.
"Senhor, vamos?"
Gustavo soltou uma risada fria: "Por que não iríamos?"
O local definido pela DUR era um espaço aberto atrás de uma velha igreja. O lugar, antes vazio, estava agora coberto por uma camada de neve branca; ao olhar, tudo o que se via era uma imensidão branca.
O vento frio soprava, e algumas flores de ameixeira caíam dos galhos, dançando no ar antes de pousarem suavemente na neve, florescendo em silêncio.
Uma beleza de tirar o fôlego.
Quando Melissa chegou, Gustavo estava parado sob uma ameixeira. Um era frio e nobre, a outra, vibrante e encantadora.
Ele segurava uma flor de ameixeira na mão, olhando para baixo, perdido em pensamentos.
Durante esse tempo, ela viajara para muitos lugares e ouvira muitas histórias.
Os nós em seu coração haviam sido gradualmente desfeitos.
Neste mundo, há muitas formas de amor e muitas respostas diferentes.
Na verdade, ela era muito sortuda; o destino usara outra forma para testemunhar o seu amor. Se não fosse pelo renascimento, ela e Gustavo teriam acabado daquela forma nesta vida.
Mas agora, pelo menos, eles tinham infinitas possibilidades.
Gustavo virou-se. Seus olhos apáticos tiveram um momento de hesitação, e seu corpo ficou rígido.
Melissa sorriu, deu dois passos à frente e estendeu a mão para ele: "Olá, Sr. Cavalcante. Sou a representante da DUR para a assinatura do contrato e serei a responsável total por esta cooperação."
Gustavo não apertou a mão dela; deu um passo à frente e a abraçou firmemente, com uma alegria de quem recupera algo perdido na voz: "Você voltou."
"Sim, eu voltei." Melissa envolveu a cintura dele, enterrando o rosto em seu peito.
Talvez tivessem tido muitos mal-entendidos antes, talvez tivessem se machucado e torturado um ao outro.
Mas nenhum deles jamais deixara de amar profundamente o outro.
Embora não soubesse o que aconteceria no futuro, contanto que tivesse Gustavo ao seu lado, ela não tinha medo de nada.
Depois de passar por tanto, através de duas vidas, após tantas voltas... que bom que você ainda está aqui.
"Sr. Cavalcante, não quer mais o presente da assinatura?"
"Você já não é o presente?"
O rosto de Melissa ficou levemente vermelho. Quando ia dizer algo, percebeu que um anel havia sido colocado em seu dedo sem que ela notasse.
Gustavo sorriu, com a voz baixa e suave: "Bem-vinda de volta, Senhora Cavalcante."
"E parabéns por estar prestes a ser pai, Senhor Cavalcante."
— FIM —