Capítulo 33: Outro divórcio?
"Mas por que ela faria..."
"Por que trocaria sua identidade? Porque a garota feia era insignificante. Se morresse, ninguém se importaria nem buscaria a verdade, e ela era a única testemunha no local." Lucas riu friamente. "O que ela não esperava era que, anos depois, você voltaria e se casaria com Gustavo. Por isso ela voltou às pressas da Inglaterra para jogar lama em você novamente."
Melissa não sabia o que dizer, permanecendo estática.
Muitas vezes a verdade está ao lado, mas nunca pensamos em revelá-la e, por isso, erramos desde o começo.
Se ela tivesse entendido tudo quando soube da verdade sobre o acidente, será que ela e Gustavo teriam chegado a esse ponto?
Não se sabe quanto tempo passou, até que o pequeno Tetê se cansou da posição e começou a se mexer no colo dela. Melissa despertou do transe, abriu a boca para falar, mas baixou a cabeça.
O destino realmente brincava com ela.
A origem do ódio era ela mesma?
Jamais imaginaria que Gustavo amaria aquela garota feia e humilde de antigamente.
Lucas olhou para ela e suspirou em silêncio. Agora que toda a verdade viera à tona, ele entendia o que Gustavo quis dizer com "por causa da Melissa, desisti dela".
Pela situação de Sophia nestes dois anos, Gustavo devia saber a verdade, por isso a mantinha confinada na cabana na montanha, sem nunca visitá-la.
Gustavo, pela Melissa, desistira da garota feia que estava no fundo de seu coração.
Já amava profundamente, apenas não queria admitir.
De repente, o pequeno Tetê começou a chorar. Melissa apressou-se em acalmá-lo, pegou suas coisas e saiu em fuga: "O Tetê precisa dormir, eu vou indo."
Observando-a partir, Lucas suspirou.
Que confusão.
Talvez por causa da chuva, o menino não parava de chorar. Melissa, com a criança no colo, não conseguia táxi. Ligou para o irmão, mas ele estava em reunião; o assistente estava preso no trânsito.
Melissa estava ansiosa, abrigando-se em um ponto de ônibus.
Nesse momento, uma Maybach preta parou à sua frente. Melissa, ocupada com o bebê, não notou até que um guarda-chuva surgiu sobre sua cabeça e a voz de um homem soou baixo: "Entre no carro."
Melissa ergueu a cabeça bruscamente, olhando-o surpresa.
Ele repetiu calmamente: "Entre no carro."
Tetê chorava tanto que Melissa não teve escolha senão morder o lábio e entrar.
Curiosamente, dois minutos após entrar, o menino parou de chorar e começou a rir. Melissa teve vontade de lhe dar uma palmada.
O carro preto isolava o som da chuva e o barulho externo, mergulhado em silêncio absoluto.
Após um trecho do caminho, Gustavo falou de forma neutra: "E o seu marido?"
"Me divorciei."
Ele franziu a testa: "Outro divórcio?"
As têmporas de Melissa latejaram. O que ele queria dizer com "outro"!
Ela fez um bico e, olhando para o bebê com olhos arregalados, teve um lampejo de travessura: "Tetê, chama o papai."
Screech!
O carro freou bruscamente, deixando uma longa marca na estrada. Gustavo virou-se para ela: "O que você disse?"
"Eu não disse nada, você ouviu mal."
Beep beep beep—
As buzinas dos carros atrás começaram a soar. Gustavo retomou o caminho e parou o carro no acostamento, com uma expressão complexa e profunda: "Melissa, você..."
Capítulo 34: O futuro é longo
"Foi apenas uma brincadeira, não se importe. Esta criança tem pai."
O rosto de Gustavo ficou ainda mais sombrio, suas mãos apertando o volante até os nós dos dedos ficarem brancos: "Se já tem um filho, por que se divorciou dele?"
Melissa deu um pirulito ao Tetê e respondeu com aparente indiferença: "Porque o meu coração pertence a outra pessoa."
Ela pensava: será que ela e Gustavo poderiam recomeçar?
Depois de tudo o que passara, ela não tinha mais coragem de amar alguém sem medir as consequências.
Mas, após ver Lucas, quis tentar mais uma vez, dar uma chance a si mesma e a Gustavo.
Inesperadamente, após sua frase, Gustavo silenciou e apenas disse: "Vou te levar para casa."
Ela entendeu o que ele quis dizer; não havia necessidade de continuar insistindo.
Melissa deu o endereço e enviou uma mensagem ao irmão dizendo que não precisava mandar ninguém, que chegaria em breve.
Ao descer do carro, Gustavo falou subitamente: "Melissa, é melhor uma criança ter um pai. Se for possível, é melhor você se reconciliar com ele."
"Eu perguntei, ele não quer." Após dizer isso, ela se afastou com o bebê, mas notou um boneco feio e sujo ao lado do banco do motorista.
O irmão já a esperava no prédio. Melissa entregou a criança a ele e reclamou: "Quando é que você vai trazer minha cunhada de volta? Seu filho foi enviado pelo céu para me torturar."
Ricardo riu e afagou o cabelo dela: "Já mandei gente procurá-la. Vamos, vou subir para cozinhar para você."
Ao longe, Gustavo observava a cena e riu de si mesmo. Ao se preparar para partir, alguém bateu no vidro do carro.
Melissa voltara e disse: "Meu irmão perguntou se você quer subir para jantar."
Gustavo ergueu a cabeça bruscamente, sem ter certeza se ouvira bem: "Hein?"
"O Tetê é filho do meu irmão. Ele disse que você ajudou muito hoje e quer cozinhar para você. Se não quiser ir, eu..."
"Eu vou!" Gustavo abriu a porta rapidamente, um gesto rude que contrastava com sua personalidade habitual.
Melissa conteve o riso e disse seriamente: "Vamos."
Durante o jantar, Gustavo quase não falou, mantendo o olhar baixo, pensativo.
Ricardo já havia percebido que a relação entre os dois era incomum, mas como sua irmã não queria falar, ele não perguntou. A conversa fluiu de forma contida. Ao final, Ricardo disse: "Mel, eu preciso cuidar do Tetê, acompanhe o Sr. Gustavo até a saída."
"Tudo bem."
Lá embaixo, Melissa olhou para a neve que caía e abriu um grande sorriso: "Nunca imaginei que encontraria minha família nesta vida. É tão bom ter a sensação de um lar."
Gustavo olhou para ela, comprimiu os lábios e disse: "Eu vou indo."
"Ei." Melissa o chamou. "Gustavo, tenho algo para te dizer."
"O qu..." Assim que ele se virou, algo macio pressionou seus lábios, trazendo um toque de frio.
Gustavo olhou para ela, hesitou por um segundo e depois a afastou, com a voz sem calor: "Está nevando, entre logo."
Em seguida, ele se virou e partiu.
Seus passos estavam um pouco desordenados.
Melissa sentiu-se um pouco desanimada, lambeu os lábios e voltou para o prédio.
Tudo bem, o futuro é longo.
Ao fechar a porta do carro, as mãos de Gustavo ainda tremiam levemente. A sensação nos lábios ainda persistia, mas a silhueta dela se afastava. Ele encostou-se no banco e fechou os olhos, com a expressão longe da calma habitual.
Sobre o que aconteceu no passado, ele podia confinar Sophia como punição.
Mas e ele mesmo? Como deveria se punir?
Ele já errara uma vez e não ousava apostar novamente.
Capítulo 35: Você me odeia muito?
Dois dias depois.
Henrique bateu à porta do escritório do presidente e disse: "Senhor, a representante da empresa DUR chegou para assinar o contrato, mas o pessoal lá embaixo disse que, se o senhor não for pessoalmente, ela não assinará."
Gustavo apenas murmurou um assentimento, levantou-se e saiu.
Sala de reuniões.
Todos os presentes eram funcionários veteranos do Grupo Cavalcante, por isso não estranharam a mulher sentada no lugar de destaque.
Isso... não era a esposa do presidente?
Quando Gustavo chegou, todos se levantaram instantaneamente: "Diretor Gustavo."
Sua expressão gélida começou a rachar ao ver a mulher sentada ali, acenando para ele com um sorriso radiante; suas têmporas latejaram.
Melissa sorriu ainda mais: "Diretor Gustavo, sou a representante da DUR e tenho autoridade total sobre esta cooperação."
Gustavo desviou o olhar e ordenou com voz grave: "Todos saiam."
As pessoas na sala saíram apressadamente, sem ousar hesitar um segundo sequer.
Assim que a porta se fechou, Gustavo franziu a testa e olhou para ela: "O que você pretende fazer?"
"Assinar o contrato, o que mais eu faria?" Melissa apoiou o queixo na mão sobre a mesa. "Parece que o Diretor Gustavo não queria me ver. Você me odeia muito?"
"Não." Ele respondeu impulsivamente, mas ao encontrar o olhar irônico dela, silenciou por um momento antes de puxar a cadeira e sentar-se à frente dela. "Assine."
"O Diretor Gustavo está ocupado? Se não estiver..."
"Estou."
Melissa ergueu as sobrancelhas; tudo bem, então.
A assinatura do contrato não levou nem dois minutos. Gustavo assinou rapidamente e preparou-se para sair, mas ao passar por Melissa, teve a manga segurada: "Tem algum fantasma te perseguindo? Por que tanta pressa? Quem não souber vai pensar que eu te fiz alguma coisa."
Gustavo rangeu os dentes: "Melissa!"
Melissa o soltou e soltou uma risada autodepreciativa: "Esqueça, pode ir. No final, sou sempre eu agindo por conta própria. Gustavo, eu prometo: não haverá uma próxima vez. Vou para bem longe e não vou mais te atrapalhar... Hum!"
Gustavo segurou o queixo dela, seu beijo era ardente e profundo, como se quisesse fundi-la ao seu próprio sangue.