"Eu não vou me divorciar da Melissa. Entendeu agora?"
Sophia cerrou os punhos, com os olhos cheios de indignação: "Por quê? Você não disse que a odiava e que nunca se apaixonaria por ela? Por que agora não quer o divórcio? Gustavo, você sabe o que está fazendo?"
Gustavo olhou para ela sem expressão: "Meus assuntos não são da sua conta."
"Gu..."
"Saia."
Ao sair da empresa, Sophia tremia de raiva. Será que Gustavo realmente se apaixonara por Melissa?
Não, impossível!
Sophia rangeu os dentes e dirigiu para outro lugar.
O tempo esfriava e o aspecto de Melissa piorava, parecendo que quebraria ao menor toque.
O empregado, vendo o patrão parado à porta do quarto por um longo tempo, falou cautelosamente: "Senhor... a patroa continua sem querer comer."
"Entendido. Pode ir."
Gustavo entrou e, olhando para a comida na mesinha, hesitou um instante antes de falar: "Melissa, coma."
A figura parada à janela não esboçou reação.
"Você não queria o acordo de divórcio? Se comer, eu te entrego." A voz dele era tão neutra que era impossível decifrar seus pensamentos.
Melissa finalmente virou a cabeça, olhou para ele com um olhar vago, caminhou em silêncio até a mesa e começou a comer, garfada por garfada.
Finalmente... a liberdade?
Gustavo, parado ao lado, sorriu tristemente.
"Melissa, você me ama?"
Ela largou os talheres e sorriu para ele: "Talvez."
Pelo menos, amara profundamente um dia.
"Gustavo, eu tive um sonho uma vez. Sonhei que me casei com você e, durante três anos inteiros, você não me dirigiu mais do que dez frases. Você não queria nem olhar para mim. Eu sabia que você amava a Sophia e que me odiava por ter separado vocês, mas porque eu te amava demais, não conseguia te soltar, então escolhi morrer.
Ah, antes de pular do prédio, eu também te perguntei se você me amava. A sua resposta foi a mesma de agora. Então, Gustavo, se você não me ama, por que insiste que eu te ame?"
Gustavo curvou os lábios, com emoções profundas no olhar: "E se eu dissesse que amo?"
"Eu te perguntei três vezes, e a resposta foi sempre a mesma."
Uma vez na vida passada, duas nesta.
Capítulo 31: Incapaz de suportar o seu ódio
Melissa finalmente terminou de comer, sentindo-se muito melhor, e estendeu a mão para ele: "Dê-me."
Gustavo apenas murmurou um assentimento, mas inclinou-se e deslizou um anel no dedo dela: "Isto é o que eu te devia. O acordo de divórcio está na mesa do escritório, vá buscá-lo."
Dito isso, ele se virou e saiu abruptamente.
Melissa olhou atônita para o anel que surgiu de repente em sua mão, seu cérebro parando por um instante.
Que diabos estava acontecendo?
Gustavo tinha algum problema? Ele adorava fazer coisas inexplicáveis!
Quando ela correu para fora, ele já havia desaparecido.
Melissa franziu a testa e, após uma breve reflexão, entrou no escritório. O que ela tanto desejava estava ali, repousando silenciosamente.
Apenas este acordo de divórcio era diferente do que ela havia assinado antes: ela ficaria com a maior parte da divisão de bens, as cláusulas adicionais haviam sumido e restava apenas a assinatura de Gustavo.
Isso não era o que ela queria!
Uma chama de raiva subiu no peito de Melissa, mas ela não tinha como extravasá-la.
Não importava, ela se mudaria primeiro.
Melissa finalmente conseguiu o que queria: fugir daquela mansão gelada. No entanto, o anel em seu anelar queimava de dor.
Pensava que um papel de divórcio seria seu destino final, mas, ao partir, sentiu um vazio inexplicável no coração.
O nome Gustavo, de agora em diante, talvez não tivesse mais relação com ela.
Isso era bom.
Melissa começou a rir, mas acabou chorando. Finalmente acabou.
Gustavo, eu te amo. Fosse no passado ou no presente, se fosse tão fácil deixar de amar, ela não teria lutado por tantos anos.
Apenas o seu amor não podia suportar o ódio dele, o seu desprezo e o seu olhar frio.
Então, que ficasse assim.
...
Melissa desapareceu completamente. Ninguém sabia para onde ela tinha ido, nem conseguia contatá-la.
O inverno chegou à cidade de Beijiang.
Pontos prateados de neve dançavam no céu, belos o suficiente para congelar tudo.
Lucas descobriu recentemente um problema inacreditável: o outrora frio e calado Gustavo agora levava para todo lado um boneco sujo e feio. Ele tentou pegá-lo algumas vezes para ver, mas foi repelido por olhares gélidos.
Ninguém podia tocar naquela coisa.
Lucas também mencionou Melissa ocasionalmente, mas Gustavo agia como se não ouvisse, sem responder.
Até que um dia, Lucas disse: "Melissa voltou com um homem e está carregando uma criança."
Gustavo ergueu a cabeça como se acordasse de um sonho, franziu a testa parecendo querer dizer algo, mas permaneceu calado.
"Eu já te perguntei se você a amava ou não, e sua resposta foi que não. O que foram esses dois anos, então? Gustavo, eu realmente te desprezo."
"Ela não vai me perdoar."
"Você nem tentou, como sabe que ela não vai te perdoar?"
Gustavo sorriu levemente e baixou o olhar novamente: "Lucas, eu tive alguém que quis muito proteger. Por causa da morte dela, depositei todo o meu ódio em Melissa. Mas, se um dia eu descobrisse que ela na verdade não morreu, o que você acha que eu deveria fazer?"
"Então você desistiu da Melissa por causa dela?"
"Não. Por causa da Melissa, eu desisti dela." Gustavo fechou os olhos. "Saia, não venha mais aqui."
Lucas franziu a testa, suspirou e saiu balançando a cabeça.
Ele não entendia o que Gustavo queria dizer. De quem Gustavo desistira? Sempre houve apenas duas mulheres ao seu redor: Melissa e Sophia.
Melissa se foi, e Sophia nestes dois anos também...
Capítulo 32: Tudo invertido
Lucas marcou um jantar com Melissa, mas ao ver a criança que ela trouxe, não pôde evitar fazer um bico: "Você está tentando provocar um solteiro? O pai da criança não veio com você?"
"Não, ele está ocupado." O semblante de Melissa era muito diferente de antes. A criança de um ano em seu colo era adorável, olhando para Lucas com grandes olhos redondos. Após um momento, estendeu a mão para Melissa: "Titia, o Tetê quer mamadeira."
Melissa colocou a mamadeira preparada na boca dele e, após acalmá-lo, olhou para o homem estupefacto à sua frente: "A propósito, por que me chamou?"
"Ele... não é seu filho?"
"O que você está falando? É meu sobrinho." Ao dizer isso, os olhos de Melissa brilharam. "Eu encontrei meu irmão. Na verdade, eu fui traficada na infância, não abandonada."
Lucas finalmente sorriu: "Você não se casou?"
"Eu estou louca? Os jogos não são divertidos ou a bebida não é boa?"
"..." Lucas tossiu, parecendo hesitar.
Melissa detestava essa atitude dele e disse: "Você consegue ser mais fresco que eu? Se tem algo a dizer, diga logo. Eu não vou te comer!"
"Gustavo... ele também não se casou."
"E daí?" Melissa olhou para ele sem entender. "Ele não gosta da Sophia? Por que não se casou com ela?"
Lucas estancou: "Quem te disse que ele gosta da Sophia? Foi ele?"
"Ele nunca disse pessoalmente, mas meus olhos estão cegos por acaso? O que foi? Vai me entregar o convite de casamento deles? Já aviso, estou sem dinheiro!"
"Gustavo não gosta da Sophia, quem ele ama é..." As palavras saíram e Lucas não podia mais voltar atrás, apesar de Melissa demonstrar que não queria ouvir. "Gustavo gosta dela desde criança. Mandou fazer um boneco especialmente para ela, mas parece que a menina morreu num acidente de carro."
O pequeno Tetê terminou de mamar e Melissa colocou a mamadeira na mesa, franzindo a testa: "Boneco?"
"Sim, eu soube disso recentemente. Ouvi dizer que a menina tinha uma cicatriz no rosto, era magrinha... Ei, pensando bem, aquela menina era parecida com você, ambas sofreram acidentes. Não admira que você e Gustavo ficaram nesse rolo todo, espera..."
Quanto mais Lucas falava, mais percebia. Ele olhou para Melissa, que também estava em choque.
"Aquele acidente que você mencionou... não seria o mesmo sobre o qual você me perguntou?"
"Eu não prestei atenção, só sabia que foi um acidente."
Se fosse o mesmo acidente, então... não seria a mesma pessoa?
Os olhos de Lucas se arregalaram. Caramba!
Melissa sentiu um grande choque. Se, conforme Sophia dissera, todos pensaram que a garota feia morrera naquele acidente, era ela!
Mas, quem Gustavo amava era...
Impossível, impossível!
A mente de Melissa era um caos, sentindo um peso no peito que a impedia de respirar.
Lucas sabia que ela teria dificuldade em aceitar, mas a verdade ia muito além: "Melissa, sabe por que eu te perguntei do acidente dois anos atrás? Porque Gustavo encontrou o motorista daquela época. E você sabe por que ele te odiava tanto? A Sophia inverteu todas as pessoas naquela história."
Melissa olhou para ele, incrédula.
"Segundo ela, você foi quem as empurrou... Não, ela já tinha trocado sua identidade naquela época. A garota feia morreu, ela se feriu e você desapareceu com outra identidade, para então colocar toda a culpa em você. Não parece tudo muito conveniente?"